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As práticas de leitura enquanto práticas sociais

David Barton


Em todas as colectividades, os modelos comuns libertam-se das actividades da leitura e da escrita. É preciso ver estas práticas como elementos das práticas sociais. As pessoas agem por uma razão qualquer; elas perseguem os seus objectivos. A leitura e a escrita servem outros fins. Normalmente, as pessoas não lêem por ler e não escrevem por escrever, lêem e escrevem para
fazer outra coisa, para atingirem outros fins. As pessoas querem saber a que horas parte um comboio ou como funciona um novo relógio ou um magnetoscópio; querem manter o contacto com um amigo; querem fazer-se entender. Têm que pagar as facturas, saber cozer um bolo de aniversário.
Ler e escrever podem fazer parte destas actividades sociais. Elas integram-se de diferentes maneiras_ Podem fazer parte da actividade ou ter uma relação mais complexa.
Le_ escrever são muitas vezes uma opção entre outras para atingir um dado fim de comunicação; para saber a que horas parte um comboio, pode escolher-se entre perguntas, telefonar a alguém ou consultar um horário: para cada uma destas opções, é necessário de uma maneira ou de outra saber ler ou escrever. As opções podem variar de pessoa para pessoa, segundo as formas de comunicação privilegiadas. Considerar a leitura e a escrita sob o ângulo das práticas sociais faz ressaltar o objectivo que sustém as actividades; vemos também como a escrita se associa a outras formas de comunicação, particularmente a linguagem falada.


AS MUDANÇAS E O ACESSO
A leitura e a escrita estão ligadas de diversas maneiras às mudanças na vida das pessoas. Em primeiro lugar, as pessoas escrevem em determinadas épocas, em determinadas etapas particulares da sua vida. As exigências da vida mudam: há momentos em que há necessidade de escrever mais e outros em que é menos necessário. Isto pode explicar-se pelas mudanças no trabalho ou na vida pessoal. Por exemplo, as exigências alteram-se para os pais quando os filhos crescem e vão para a escola. É muitas vezes em ocasiões dessas que os adultos decidem voltar a escola. Querem mudanças na vida que a leitura e a escrita tornam possíveis. O acesso a cursos de formação de base e a diversos "ateliers" de escrita fazem nascer novas ocasiões de mudança. As pessoas não têm igual acesso à alfabetização.
Os laços que ligam o passado ao presente comportam já a ideia de mudança. De uma geração a outra as pessoas transmitem uma cultura. Nos nossos estudos sobre a alfabetização em Lancaster, podemos comparar diferentes gerações e ver como as práticas são transmitidas de uma para a outra. Historicamente, existem laços com as gerações anteriores e, no nosso actual estudo, podemos ver como as pessoas que encontrámos querem uma vida diferente para os seus filhos.


in "Comprendre L'ALPHABmSME AU QUOTIDIEN-ALPHA 90.(Adaptado) Trad. D.G.E.E.

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