Avançar para o conteúdo principal

Teoria crítica, de Helio Gallardo


Livro estuda matriz e possibilidade de Direitos Humanos
Em 'Teoria crítica: matriz e possibilidade de Direitos Humanos' (Editora Unesp, 395 páginas, R$85, tradução de Patricia Fernandes), obra contextualizada na realidade latino-americana, Helio Gallardo parte da constatação de que um abismo separa o discurso dos direitos humanos de sua efetivação prática nas sociedades modernas para propor uma reflexão sobre o fundamento desses direitos. Para ele, sua matriz estaria na formação social moderna, única a reconhecer as capacidades subjetivas, integrais e universais do homem, e não em um discurso filosófico ou no jusnaturalismo.
Assim, afirma o caráter histórico dos direitos humano s e os relaciona às reivindicações da sociedade civil, rejeitando as premissas de que seriam inatos à espécie, e justificados pela dignidade inerente à condição humana.

Nesse contexto, diz, violações básicas, como a pobreza e a exclusão, que afetam um setor significativo da população mundial, não têm sido culturalmente reconhecidas como atentados contra a humanidade. Assim como não se reconhece como delito o discurso discriminador da Igreja Católica contra as mulheres e os homossexuais.
Gallardo pontua que os direitos humanos são convencionados, produzidos pelos próprios sujeitos em sua história econômica, sexual, política e espiritual. E, como consequência, podem ser violados, revertidos e anulados por ações, institucionalizadas ou não, desde que percebidas como ilegítimas por setores significativos da população:  "Construir uma cultura de direitos humanos exige, assim, um esforço político permanente, uma vez que não podem ser derivados de nenhuma condição inata ou da inércia das instituições."

Hélio Gallardo - connuestraamerica.blogspot.com
Sobre o autor
Helio Gallardo é chileno, professor da Universidade da Costa Rica. Publicou, entre outras obras, Crisis del socialismo histórico: ideologias y desafios (1991); Fenomenología del mestizo (1993); Derechos humanos como movimiento social (2005).

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A ARTE INCONDICIONAL DE AMAR

O amor é a maior força que existe no mundo. Aqui falo de amor no sentido lato e não só do sentimento que pode existir entre dois seres. O amor total é uma forte de energia que não utilizamos o suficiente. O amor é uma plenitude que no envolve até nos momentos de raiva, pois a raiva ou ódio é a antítese do amor, ou seja, o amor que está doente. Portanto, aja sempre com amor e terá sucesso na sua existência. O amor está na base de todas as grandes descobertas e grandes invenções que tiveram lugar, têm lugar e terão lugar na história da humanidade. Sem amor, não podemos construir nada de grande. O amor é simplesmente a essência que nos mantém vivos. Se os homens projetaram enormes templos, igrejas, mosteiros, sinagogas, mesquitas, foi por amor ao ser supremo: o seu salvador aquele conhecido com regente de todas as coisas que existe no universo. Se os homens fizeram descobertas em todos os domínios, foi para melhorar a vida dos seus amados irmãos. Seja no domínio da medicina, da tecnologi…

Poder e Política no pensamento de Hannah Arendt

Poder e Política no pensamento de Hannah Arendt: Vivian Santana Paixão

 Resumo

Este trabalho objetiva fazer uma
reflexão sobre as concepções de política e poder no pensamento de Hannah
Arendt. Para a autora, o poder está associado à capacidade de iniciar e
de desenvolver ações com os outros, estando fortemente relacionado com a
liberdade. Nessa mesma linha, a política é uma instância de fundação do
mundo comum e de resistência à sua destruição. Palavras-chave: poder, política, Hannah Arendt, ação, liberdade.
Domingo, 23 de abril de 1995 5- 11 Folha de São Paulo

Hegel filosofa sobre a essência da caneta

OLGÂRIA CHAIM FÉRES MATOS
Especial para a Folha

Em “Como o Senso Comum Compreende a Filosofia”, um es­crito de juventude, Hegel se pro­põe responder a seu contemporâneo Krug, representante emblemá­tico do senso comum filosófico". Propõe-se em termos, pois consi­dera seu contendor - que sucede Kant na Universidade de Konigs­berg -o próprio 'non sense' rea­lista.
O interlocutor, à primeira vista, é inocente: manifesta perplexidade frente às filosofias do idealismo transcendental, em particular as de Schelling, Hegel e Fichte, dando a entender que o Criticismo não pas­sa de esquizofrenia da Razão) quan­do diferencia Eu empírico e Eu transcendental
Eis o que inviabilizaria explicar as “simples coisas'', aquelas dadas, ou melhor, pré-dadas: ingênuo em seu naturalismo, Krug adere existência de seres e objetos, igno­ra a consciência que lhes confere existência e inteligibilida…