quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Teoria crítica, de Helio Gallardo


Livro estuda matriz e possibilidade de Direitos Humanos
Em 'Teoria crítica: matriz e possibilidade de Direitos Humanos' (Editora Unesp, 395 páginas, R$85, tradução de Patricia Fernandes), obra contextualizada na realidade latino-americana, Helio Gallardo parte da constatação de que um abismo separa o discurso dos direitos humanos de sua efetivação prática nas sociedades modernas para propor uma reflexão sobre o fundamento desses direitos. Para ele, sua matriz estaria na formação social moderna, única a reconhecer as capacidades subjetivas, integrais e universais do homem, e não em um discurso filosófico ou no jusnaturalismo.
Assim, afirma o caráter histórico dos direitos humano s e os relaciona às reivindicações da sociedade civil, rejeitando as premissas de que seriam inatos à espécie, e justificados pela dignidade inerente à condição humana.

Nesse contexto, diz, violações básicas, como a pobreza e a exclusão, que afetam um setor significativo da população mundial, não têm sido culturalmente reconhecidas como atentados contra a humanidade. Assim como não se reconhece como delito o discurso discriminador da Igreja Católica contra as mulheres e os homossexuais.
Gallardo pontua que os direitos humanos são convencionados, produzidos pelos próprios sujeitos em sua história econômica, sexual, política e espiritual. E, como consequência, podem ser violados, revertidos e anulados por ações, institucionalizadas ou não, desde que percebidas como ilegítimas por setores significativos da população:  "Construir uma cultura de direitos humanos exige, assim, um esforço político permanente, uma vez que não podem ser derivados de nenhuma condição inata ou da inércia das instituições."

Hélio Gallardo - connuestraamerica.blogspot.com
Sobre o autor
Helio Gallardo é chileno, professor da Universidade da Costa Rica. Publicou, entre outras obras, Crisis del socialismo histórico: ideologias y desafios (1991); Fenomenología del mestizo (1993); Derechos humanos como movimiento social (2005).

sábado, 31 de maio de 2014

Organização partidária no Brasil – Uma breve reflexão sob os auspícios de Max Weber

Organização partidária no Brasil – Uma breve reflexão sob os auspícios de Max Weber

Este artigo tem como objetivo realizar uma breve análise do fenômeno partidário brasileiro, cujo debate tem sido abordado de diferentes formas por diversos especialistas, o que acabou possibilitando inúmeras reflexões. O tema que se constitui em um relevante objeto de estudo das ciências políticas será refletido aqui a partir das importantes contribuições de Max Weber (1) sobre o assunto

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A ARTE INCONDICIONAL DE AMAR


O amor é a maior força que existe no mundo. Aqui falo de amor no sentido lato e não só do sentimento que pode existir entre dois seres. O amor total é uma forte de energia que não utilizamos o suficiente.
O amor é uma plenitude que no envolve até nos momentos de raiva, pois a raiva ou ódio é a antítese do amor, ou seja, o amor que está doente.
Portanto, aja sempre com amor e terá sucesso na sua existência. O amor está na base de todas as grandes descobertas e grandes invenções que tiveram lugar, têm lugar e terão lugar na história da humanidade.
Sem amor, não podemos construir nada de grande. O amor é simplesmente a essência que nos mantém vivos.
Se os homens projetaram enormes templos, igrejas, mosteiros, sinagogas, mesquitas, foi por amor ao ser supremo: o seu salvador aquele conhecido com regente de todas as coisas que existe no universo.
Se os homens fizeram descobertas em todos os domínios, foi para melhorar a vida dos seus amados irmãos.
Seja no domínio da medicina, da tecnologia, do dia a dia ou da melhoria das condições de vida, no fundo, os investigadores, os cientistas, os médicos e os grandes exploradores agiram sempre para o bem da humanidade.
O amor vence tudo, a sua supremacia sobrepõe todas as coisas.
Aqueles que tentaram, tentam ou tentarão praticar o mal serão sempre vencidos, porque a força do amor é maior do que a força do ódio. Esta pode causar muitos estragos, mas será sempre vencida no fim!
Meus amados irmãos, convindo vocês para praticar a arte do amor no dia a dia. Não só irá atingir mais depressa os seus objetivos, mas também praticará o bem à sua volta. Obterá sempre uma recompensa moral ou material.
Será um ministro que prega o amor e que é sempre amado.
Em suma, cultive a atitude de amar incondicionalmente e não por interesse ou esperando receber uma recompensa. Coloque um amor incondicional nas suas palavras, pensamentos e atos, assim a sua vida plenamente será rega com muito sucesso, clarividência e paz.
Amar nunca é demais!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A vida é curta


Coluna publicada no jornal Folha de S. Paulo do dia 04.02.2012.
"Pentimentos" e ressentimento. Dois sentimentos que atrasam a vida. O primeiro é uma palavra em italiano que quer dizer arrependimento, mas Contardo Calligaris ("Ilustrada", 8/12) deu a ela outra interpretação. Definiu-a como a "miragem da felicidade" e versa sobre o que seria da vida atual se tivéssemos feito escolhas diferentes em algumas, ou uma das, milhões de escolhas que fizemos ao longo da vida.
Esses pedaços de passado, alguns de encruzilhadas difíceis, nas quais tivemos que decidir que lado estaríamos, voltam, fantasiados. Ah! Se eu tivesse me formado em engenharia, em vez de ser ator, teria sido um sucesso retumbante. Ou, a minha vida frustrou-se, pois casei antes da hora...
Na maioria das vezes, decidimos o que somos capazes de decidir. Ou, o que temos a ousadia de querer. Mais ainda, a coragem de arriscar. Depois, muito depois, a tal da miragem pode voltar, toda enfeitada e arrumada, para explicar o que poderia ter sido e não foi.
É uma forma de não encarar o erro. Ou o medo. De negar a falta de discernimento na escolha, mas é pior. Funciona como um tecido que impede novas escrituras. Impede buscar o novo. Viver.
O outro sentimento, o ressentimento, é parecido no que concerne ao esvaziamento da vida. Enquanto um vê a vida passar, delirando no que poderia ter sido, no outro, o indivíduo se afunda num mar de mágoa.
Ambos os mecanismos imobilizam. Para o ressentido, o esquecimento não existe e o prazer é ficar no poço da insatisfação. Às vezes, até quem provocou a ofensa já está em outra, mas a vida para o ressentido continua nublada e sem graça e empacada.
A incapacidade de virar a página impede o fluir da vida e a procura pelo novo. Essa dificuldade em poder continuar, sentir a dor das escolhas equivocadas ou das ações que foram ofensivas sem usar artifícios, é o que faz alguns superarem os entraves e outros se perderem num rodamoinho sem fim.
Gosto desta frase atribuída a Shakespeare: "Guardar ressentimentos é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra". Só que o óbito é seu.
Diferentemente do "pentimento" e do arrependimento, ocorreu-me um terceiro sentimento também forte: a cicatriz.
A pessoa não fica atrelada de forma atrapalhada ao passado. Mas permanece um sentimento de dor e interrogação. Se abrir mais fundo, e houver ainda possibilidades de retomar a situação que marcou, fica a frustração que a falta de ousadia traz. E uma perda do que poderia ser ainda vivido. Se cutucar a ferida, o risco de uma reviravolta real na vida é grande. Talvez o empecilho maior seja o medo da perda da ilusão e do sonho, que acalentam e acalmam a insatisfação.
A vida é curta, dizia minha mãe. Eu acrescentaria: aprenda a ser feliz.