<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599</id><updated>2012-01-24T11:51:20.558-08:00</updated><category term='Filosofia da PUC-SP'/><category term='Platão matemático e Euclides e a curva de Gauss'/><title type='text'>Nosso Dáimon</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Gilberto da Silva</name><uri>https://profiles.google.com/117445932376156786541</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-i_pZTV0YmOU/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAA5o/dFNMGlDLlWM/s512-c/photo.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>31</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-2323184684237838394</id><published>2011-11-16T11:08:00.001-08:00</published><updated>2011-11-16T11:38:49.972-08:00</updated><title type='text'>Niclevicz desbrava as Cataratas em meio ao turbilhão de água</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ai1TnbC4Z9U/TsQKkYd1EOI/AAAAAAAADgo/IqHS-f6cmME/s1600/1+-+Tirolesa+Waldemar+Niclevicz+-+Zig+Koch.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="265" src="http://2.bp.blogspot.com/-ai1TnbC4Z9U/TsQKkYd1EOI/AAAAAAAADgo/IqHS-f6cmME/s400/1+-+Tirolesa+Waldemar+Niclevicz+-+Zig+Koch.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="ecxmsonormal" style="background: white;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;O alpinista Waldemar Niclevicz atravessou as Cataratas do Iguaçu em tirolesa e comentou a emoção de realizar a façanha. O alpinista desbravou um turbilhão de três milhões de litros de água por segundo, ficou suspenso a 90 metros de altura e percorreu uma distância de 155 metros até chegar às quedas do lado argentino, na sexta-feira (4). A aventura foi uma ação voluntária do iguaçuense.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal" style="background: white; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-qntN9clR-fY/TsQKmcZ3nvI/AAAAAAAADgw/THUt3kUUX9g/s1600/2+-+Tirolesa+Waldemar+Niclevicz+-+Zig+Koch.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="212" src="http://3.bp.blogspot.com/-qntN9clR-fY/TsQKmcZ3nvI/AAAAAAAADgw/THUt3kUUX9g/s320/2+-+Tirolesa+Waldemar+Niclevicz+-+Zig+Koch.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Segundo Niclevicz, a experiência foi eletrizante. “Eu amo esta terra. Sou de Foz do Iguaçu. Voltar às Cataratas é algo que encanta, emociona e me faz muito feliz. Tudo que eu quero é ver este paraíso entre as Novas Maravilhas da Natureza. Se for pra ajudar Cataratas faço isso tudo novamente”, revelou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-10mhUC8V2OE/TsQKnPGIo-I/AAAAAAAADg4/7BkCQgr9cto/s1600/3+-+Tirolesa++Waldemar+Niclevicz+-+Foto+Zig+Koch.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="212" src="http://2.bp.blogspot.com/-10mhUC8V2OE/TsQKnPGIo-I/AAAAAAAADg4/7BkCQgr9cto/s320/3+-+Tirolesa++Waldemar+Niclevicz+-+Foto+Zig+Koch.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal" style="background: white; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Mesmo com muito vento e jatos de água, o alpinista conseguiu abrir uma bandeira em apoio à eleição das Cataratas do Iguaçu a uma das 7 Novas Maravilhas da Natureza. A proeza aconteceu às 9h20. Para o casal suíço Luigi e Simone Benincasa, a cena foi incrível. “Niclevicz deu ainda mais magnitude e exuberância às cataratas. Ele parecia um pontinho no meio da imensidão.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal" style="background: white; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal" style="background: white; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; font-size: 12pt;"&gt;(Assessoria Cataratas S/A) &amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-2323184684237838394?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/2323184684237838394/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2011/11/niclevicz-desbrava-as-cataratas-em-meio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/2323184684237838394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/2323184684237838394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2011/11/niclevicz-desbrava-as-cataratas-em-meio.html' title='Niclevicz desbrava as Cataratas em meio ao turbilhão de água'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ai1TnbC4Z9U/TsQKkYd1EOI/AAAAAAAADgo/IqHS-f6cmME/s72-c/1+-+Tirolesa+Waldemar+Niclevicz+-+Zig+Koch.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-6645854999064727154</id><published>2011-06-29T06:30:00.003-07:00</published><updated>2011-06-29T06:31:24.459-07:00</updated><title type='text'>SEJA LÚCIDO EM MEIO A TANTA LOUCURA</title><content type='html'>SEJA LÚCIDO EM MEIO A TANTA LOUCURA&lt;br /&gt;NA MANEIRA DE SE LIDAR COM O PORTADOR DE TRANSTORNO MENTAL.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O transtorno mental pode acarretar prejuízos na vida social, familiar e profissional do portador. Durante as crises podem ocorrer frequentes dificuldades de atenção e memória em suas&lt;br /&gt;atividades, ocasionando uma diminuição do desempenho de tarefas cotidianas,&lt;br /&gt;inclusive profissionais. Estes sintomas podem desaparecer quando adequadamente&lt;br /&gt;tratados. É de fundamental importância que se entenda que o transtorno mental pode&lt;br /&gt;ser tratado e que o portador não é apenas as suas crises. Bem medicados,&lt;br /&gt;recebendo cuidados adequados (sendo respeitados e sentindo-se aceitos) podem&lt;br /&gt;ficar tranquilos e serem produtivos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, após vários estudos e experiências podemos constatar que é&lt;br /&gt;ineficiente observar e tratar o transtorno mental simplesmente de uma ótica&lt;br /&gt;médica, que necessite puramente de uma mera intervenção clínica, medicamentosa.&lt;br /&gt;O portador de sofrimento mental é um ser humano e como tal deve ser tratado com&lt;br /&gt;uma abordagem holística (o homem é um todo indivisível e não pode ser explicado&lt;br /&gt;pelos seus distintos componentes – físico, psicológico ou psíquico -&lt;br /&gt;considerados separadamente) levando-se em consideração as suas características&lt;br /&gt;clínicas sim, mas considerando também o seu lado emocional e social, como de&lt;br /&gt;todo ser humano. Todos temos conhecimento que o transtorno mental ao longo de&lt;br /&gt;todos estes anos foi envolvido em mitos, superstições, explicações&lt;br /&gt;sobrenaturais que acarretaram comportamentos de medo e de preconceito na maneira&lt;br /&gt;de lidar com o portador. A conduta que sempre predominou a respeito desta questão, foi de quase total silencio, como se tentando negar a sua existência. Interessante constatar&lt;br /&gt;também, que do ponto de vista científico, as teorias a respeito do transtorno&lt;br /&gt;mental, na imensa maioria designam características ao portador, que o coloca&lt;br /&gt;completamente impotente e submisso diante do (des) tratamento que muitas vezes&lt;br /&gt;lhe é direcionado: Se ele reclama, pode ser diagnosticado como sintoma&lt;br /&gt;paranoico. Se ele se submete, aí então é concordância passiva. Se está feliz, é&lt;br /&gt;euforia patológica, mania, mas se ao contrário, está triste, então é depressão.&lt;br /&gt;Ou seja, uma vez “rotulado”, qualquer reação, ou mesmo não reação dele, é&lt;br /&gt;considerada patológica. Resumindo, após ter recebido o diagnóstico, ele passa a&lt;br /&gt;ser visto e tratado como uma série de sintomas, e devido a isso, passa muitas&lt;br /&gt;vezes, simplesmente a não ter razão, indiferentemente do que possa lhe&lt;br /&gt;acontecer. Qualquer comportamento dele é passível de ser enquadrado como sintoma.&lt;br /&gt;Interessante observar também, que em qualquer um desses casos, existem&lt;br /&gt;medicamentos e tratamentos específicos para “resolverem”, mas não existe um&lt;br /&gt;tratamento específico para estes “especialistas” que diante dele, não conseguem&lt;br /&gt;o enxergar como uma pessoa que às vezes pode estar feliz ou irritado de uma&lt;br /&gt;maneira saudável, ou ainda acreditar que o motivo da sua reclamação ou da sua&lt;br /&gt;alegria é real e procede. Talvez justamente pelo pouco que se sabe&lt;br /&gt;cientificamente a respeito deste assunto, optou-se por criarem mitos e&lt;br /&gt;fantasias a respeito do portador, colocando-o assim, como um ser vítima de&lt;br /&gt;preconceitos e discriminação. Aliás, esta é uma conduta comum em todo ser&lt;br /&gt;humano: diante do que ele não entende, corriqueiramente encobre de fantasias e&lt;br /&gt;lida de maneira preconceituosa. No que diz respeito ao portador de sofrimento&lt;br /&gt;mental, esta conduta só não é mais gritante, porque arrumaram uma forma de&lt;br /&gt;escondê-los, enclausurando o portador, e assim, “livrando” a sociedade de&lt;br /&gt;conviver e presenciar os seus comportamentos considerados “anormais”. Pela&lt;br /&gt;própria maneira com que se tratou durante anos a questão do transtorno mental,&lt;br /&gt;este é um assunto bastante obscuro e desconhecido para a imensa maioria das&lt;br /&gt;pessoas. Isto ficava bem claro para mim, quando, por exemplo, alguns estudantes&lt;br /&gt;de psicologia iam estagiar no hospital e, diante de conversas comigo, relatavam&lt;br /&gt;temores e apreensão perante o contato com os internos, ou ainda quando pessoas&lt;br /&gt;me perguntavam se lá dentro os internos ficavam enjaulados!!!!! O transtorno&lt;br /&gt;mental se enquadra naqueles assuntos em que as pessoas preferem tratar de&lt;br /&gt;maneira velada e o portador é visto com ressalvas. Devido a esta falta de&lt;br /&gt;esclarecimento, muitas vezes o que podemos constatar é que quando alguém é&lt;br /&gt;diagnosticado como “doente mental”, passa automaticamente a ser visto apenas&lt;br /&gt;como as suas crises, ou seja, o ser humano passa a não existir, dando lugar aos&lt;br /&gt;comportamentos “esquisitos” e desencadeadores de preocupação e apreensão por&lt;br /&gt;parte de todas as pessoas que lidam com ele. Muitas vezes, tratam o portador&lt;br /&gt;como incapacitado, e nesses casos, o que prevalece, são as atitudes de&lt;br /&gt;compaixão e de menosprezo por suas capacidades e potencialidades. Inúmeras&lt;br /&gt;vezes, as pessoas, incluindo aí os familiares e muitos profissionais que&lt;br /&gt;trabalham na área de saúde mental lidam com ele, como se fosse criança,&lt;br /&gt;direcionando-lhe frases infantis e entonação de voz como se estivessem falando&lt;br /&gt;com uma criança. Outras vezes, diante deles, apresentam-se constantemente&lt;br /&gt;temerosos e apreensivos, mesmo quando não estão em crise. É comum não serem&lt;br /&gt;levados a sério e nem terem crédito no que dizem. Na maioria das vezes, uma vez&lt;br /&gt;diagnosticado, mesmo após uma situação de vida isolada, o rótulo se torna&lt;br /&gt;permanente, e a maneira de lidar com ele passa a ser desconfiada, temerosa e&lt;br /&gt;cuidadosa. Caso seja internado em um hospital psiquiátrico, aí então é que se&lt;br /&gt;configura realmente o preconceito e a discriminação, principalmente porque&lt;br /&gt;constatamos que na maioria das vezes, não se promove a saúde mental, mas sim se&lt;br /&gt;alimenta o adoecimento mental.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se relacione com ele de maneira&lt;br /&gt;simples e direta, pois não existe nada de sobrenatural no transtorno mental, e&lt;br /&gt;muito menos na forma de se relacionar com o portador. Eles merecem ser&lt;br /&gt;respeitados, queridos e aceitos assim como eu e você merecemos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-6645854999064727154?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/6645854999064727154/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2011/06/seja-lucido-em-meio-tanta-loucura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/6645854999064727154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/6645854999064727154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2011/06/seja-lucido-em-meio-tanta-loucura.html' title='SEJA LÚCIDO EM MEIO A TANTA LOUCURA'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-8872904170176300086</id><published>2011-06-29T06:29:00.001-07:00</published><updated>2011-06-29T06:29:49.237-07:00</updated><title type='text'>Pensamentos de Maria</title><content type='html'>Maria Aparecida Francisquini&lt;br /&gt;Quando guiada pelo preconceito, comumente a pessoa se torna irracional, insana. A não aceitação da diferença, ao longo da história, já foi motivo de muitos atos que ocasionaram sofrimento e muita dor. A pessoa preconceituosa naturalmente se torna intolerante, e guiada por esta intolerância, é capaz de atos desumanos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-8872904170176300086?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/8872904170176300086/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2011/06/pensamentos-de-maria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/8872904170176300086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/8872904170176300086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2011/06/pensamentos-de-maria.html' title='Pensamentos de Maria'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-1429939284650313686</id><published>2011-03-11T15:07:00.001-08:00</published><updated>2011-03-11T15:07:51.020-08:00</updated><title type='text'>V EBEM - Encontro Brasileiro de Educação e Marxismo</title><content type='html'>V EBEM - Encontro Brasileiro de Educação e Marxismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Marxismo, Educação e Emancipação Humana"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11, 12, 13 e 14 de abril de 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Universidade Federal de Santa Catarina - Florianópolis - Brasil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O EBEM é um encontro de âmbito nacional que tem por objetivo&lt;br /&gt;possibilitar a discussão entre investigadores, professores,&lt;br /&gt;estudantes, militantes dos movimentos sociais e os diversos núcleos de&lt;br /&gt;pesquisa que abordam o tema da educação na perspectiva&lt;br /&gt;teórico-metodológica do materialismo histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Envio de resumos para apresentação de trabalhos: até 25 de novembro de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mais informações, acesse: http://www.5ebem.ufsc.br/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Programação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda-feira - 11 de Abril de 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17h - Credenciamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19h - Conferência de Abertura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terça-feira - 12 de Abril de 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8h - Mesa Temática 1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ESTADO E EDUCAÇÃO NA PERSPECTIVA DA CLASSE TRABALHADORA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.Beatriz Rajland (UBA/AR)&lt;br /&gt;.Roberto Leher - UFRJ&lt;br /&gt;.Fernando Ponte de Souza - UFSC&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12h30 - Almoço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14h - Apresentação de trabalhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19h - Encontro com Sindicatos e outros Movimentos Sociais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarta-feira - 13 de Abril de 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8h - Mesa Temática 2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EDUCAÇÃO, CONSCIÊNCIA DE CLASSE E ESTRATÉGIA REVOLUCIONÁRIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.Celi Taffarel - UFBA&lt;br /&gt;.Mauro Luis Iasi - UFRJ&lt;br /&gt;.Edmundo Fernandes Dias - UNICAMP&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.José Paulo Netto - UFRJ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12h30 - Almoço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14h a 18h30 - Apresentação de Trabalhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinta-feira - 14 de Abril de 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8h30 - Mesa Temática 3&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO HUMANA E ONTOLOGIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.Ivo Tonet -UFAL&lt;br /&gt;.Dermeval Saviani - UNICAMP&lt;br /&gt;.Alejandro Gonzalez (UBA/AR)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15h - Plenária&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-1429939284650313686?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/1429939284650313686/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2011/03/v-ebem-encontro-brasileiro-de-educacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/1429939284650313686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/1429939284650313686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2011/03/v-ebem-encontro-brasileiro-de-educacao.html' title='V EBEM - Encontro Brasileiro de Educação e Marxismo'/><author><name>Gilberto da Silva</name><uri>https://profiles.google.com/117445932376156786541</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-i_pZTV0YmOU/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAA5o/dFNMGlDLlWM/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-7543026828468385387</id><published>2011-03-08T14:19:00.001-08:00</published><updated>2011-03-08T14:19:28.968-08:00</updated><title type='text'>Caótica Parafernália</title><content type='html'>Gilberto da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito tempo eu venho escrevendo sob tensão, raiva e medo. Tensão, raiva e medo. As vezes só com tensão (outras só com tesão), ou com raiva ou com medo. Há muito tempo escrevo com ódio e mais nada, nada. Nada como o vazio do próprio ser.&lt;br /&gt;O que me faz a raiva? O que me traz o medo? Por que a tensão? Tensão e raiva e medo.&lt;br /&gt;Ódio? Que ódio, que medo? Nervos, raiva e ódio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver morrendo, morrer vivendo: simples trocas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei ao caos – caótico -, anti, ANTI: o animal radical, radical? (e se for sufixo?)&lt;br /&gt;Antifilosofia, ou antesfilosofia? Antiherói (o que morreu morreu ficou prá trás), anticristo, antidiabo, antisatanás, antimal. Antigamente....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito tempo escrevo sob tensão, raiva e medo. Raiva, medo e ódio. &lt;br /&gt;LACÔNICO – não de lacunas, mas breve, curto, conciso. Duro, animal emergido do nada.&lt;br /&gt;Duro como pedra, como aço – metal, metálico. Vi mundo caírem aos meus pés, ao meu redor. Psicodélico vi obhetos voadores não identificados, ufos, UFA!, antidroga, anti-humano, antílope (veloz carrega a dor da passagem)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Da vida ao meio da jornada, tendo perdido o caminho verdadeiro, achei-me embrenhado em selva escura” (A Divina Comédia, Dante Alighieri&lt;br /&gt;Antitudo, antinada, antitodos. Escrevo sobre o nada com raiva, medo e ódio. Caído dos céus, dos céus das vagas estrelas dos homens. Sem nada para o fim, o infinito fim? Perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem três alternativas: 1) Viver 2) Morrer 3) Estar perdido para sempre.&lt;br /&gt;Não existe mais saídas no mundo do caos, Laos, paus, sao, maos,.  Nada mais será asneira e sim tudo besteira.&lt;br /&gt;Antiladrão, antipatrão, antiilusão no mundo do medo, cedo, azedo e sofrido, mas com pinta de alegre, democrático (de que riem os democratas?) asiático, asmático, enfático, panfleteador, funcionário público. Sem mais nada.&lt;br /&gt;Antiparadisíaco (Paraíso?) O de Eva? Ou lá pelas bandas da Vergueirio? Antilúcido, anti anti o onteontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pepe satan, Pepe satan, aleppe” A Divina Comédia – Dante Alighieri&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há certas ocasiões que escrevo com sonho, com sonho de sonhar o impossível. Ocasiões em que penso não mais pensar o impensável.&lt;br /&gt;Muitas vezes nada escrevo pelo medo de ser censurado, cortado, malhado (sob a desculpa de ser melhorado). Sem nada de informações, escrevo malhado e molhado com raiva. E com medo daquele mundo caótico. Católico, apostólico, bibliânico.&lt;br /&gt;Abismo: lugar muito profundo na terra.&lt;br /&gt;Acordo: Deus fez com o povo de Israel; os empresários fizeram com os metalúrgicos e não cumpriram; Sadat com Israel, do Diabo com o Satanás, do carro com o novo preço da gasolina e coma poluição do ambiente. Acordos que são feitos sobre pressão, prisão, depressão e depressinha.&lt;br /&gt;“Esta é a mensagem daquele que é o Primeiro e o Último (Alfa e Omega) que tornou a viver” (Bíblia). Será o Diabo o Meio?&lt;br /&gt;“ Os que conseguirem a vitória não sofrerão a segunda morte” (Bíblia) os que forem derrotados PACIÊNCIA!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-7543026828468385387?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/7543026828468385387/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2011/03/caotica-parafernalia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/7543026828468385387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/7543026828468385387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2011/03/caotica-parafernalia.html' title='Caótica Parafernália'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-2782822102993976456</id><published>2011-03-08T14:17:00.001-08:00</published><updated>2011-03-08T14:17:32.739-08:00</updated><title type='text'>eleições</title><content type='html'>O bom da eleição é que nossas máscaras caem, nossas idiosincrasias ficam mais evidentes e nela nos revelamos. Em alguns o autoritarismo aflora, em outros a subserviência voluntária ou não se evidencia. Nós nos revelamos mais machistas, racista, intolerante, mais preconceituosos, às vezes até mais obtusos e superiores! Desqualificamos o adversário, marginalizamos o outro e desprezamos a ética. Mas existe caso – poucos – que nasce o amor, onde havia ódio, prazer – onde havia desprazer e assim “são franciscamente” atingimos o centro da felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bom das eleições é essa diversidade de opiniões- e ainda bem que temos eleições, não é? O bom das eleições é que alguns são capazes de discernir no embate político o caráter de seus atores: guerrilheiros, pistoleiros, sanguessugas, revolucionários, conservadores, reacionários, enganadores, ambientalistas, desmatadores, matadores, palhaços, idiotas, socialistas, capitalistas e por ai afora....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é bom ter eleições! Assim, despertamos nosso lado sadio postando na internet videozinhos chulos, preconceituosos, difamadores e mentirosos. E pior, rimos disso tudo! O famoso assessor de Hitler (seria o marqueteiro de hoje) Joseph Goebbels já dizia “uma mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade”.&lt;br /&gt;O bom das eleições é que seres estudados, diplomados, que em certos momentos se consideram elites da inteligência, falam suas asneiras, cometem seus pecados (mas quem não comete?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bom das eleições é que jornalistas tomam partido; veículos escolhem seus candidatos; caos eleitorais defendem seus pares e – aqui no Brasil ainda – no dia seguinte à eleição estão todos juntos falando do próximo jogo de futebol, da mulher alheia, do homem bonitão, do sapatinho novo ou da nova marca de carro (espera-se pelo menos que seja sustentável) e alguns já pensando no BBB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bom das eleições é que nossos nervos ficam à flor da pele e assim ajudamos nossos cardiologistas....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bom de todo processo eleitoral é que nossa postura moral é posta a prática. Alguns transgridem, outros agridem. Vamos sempre no link da detonação e do escárnio e de “mala” em “mala” de “post” em “post” mudando nossas opiniões conforme a divulgação das pesquisas eleitorais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bom senso e a prudência perdem o sentido num debate acalorado. Numa “tuitada” e em 140 caracteres lá se foi o discernimento... E assim acabamos por nos envolver em pequenas complicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bom das eleições num espaço democrático é que alguns continuam retos em seus propósitos políticos e outros mudam conforme o andar da carruagem ou dos cargos que lhe são oferecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bom das eleições é que muitas pessoas perdem a oportunidade de ficar quieto, assim como eu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-2782822102993976456?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/2782822102993976456/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2011/03/eleicoes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/2782822102993976456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/2782822102993976456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2011/03/eleicoes.html' title='eleições'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-4470136607510638940</id><published>2010-11-11T09:39:00.001-08:00</published><updated>2010-11-11T09:39:35.033-08:00</updated><title type='text'>Um outro Benjamin</title><content type='html'>FOLHA DE S. PAULO  Domingo, 3 de julho de 1994 6-11&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro Benjamin&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra&lt;br /&gt;Fisiognomia Metrópole Moderna Representação da História  em  Walter Benjamin. de WiIIi Bolle.Ilustrações de Lena Bergstein. Edusp&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JEANNE MARIE GAGNEBIN&lt;br /&gt;Especial para a Folha&lt;br /&gt;Alguns meses atrás, Marcelo Coelho se queixava, com toda ra¬zão, nesta mesma Folha, de uma certa  “inflação de estudos sobre Walter Benjamin''; pedia um pou¬co mais de parcimônia na citação de sua obra", Ora, temos agora no importante trabalho de Willi Bolle, “Fisiognomia da Metrópole Mo¬derna",  mais um estudo sobre esse pensador judeu, alemão, marxista, teólogo e poeta que parece fasci¬nar, justamente por sua pluralidade de rostos e de estilos, nosso fin-de-¬siècle desorientado. Só que o tra¬balho de Willi Bolle vai a contrapelo das apropriações apressadas e das citações complacentes; fará. sem dúvida, data na recepção de Benjamin no Brasil.&lt;br /&gt;Resultado de muitos anos de pesquisa -seu primeiro esboço se concretizou na tese de livre-docên¬cia, “Tableaux Berlinois", defen¬dida em 1984 na USP o livro propicia um exemplo daquilo que pode ser "echte Germanistik", um autêntico estudo de literatura ale¬mã: reconstrói com paciência e cla¬reza a emaranhada história da re¬cepção dos textos de Benjamin, em particular do “Passagen-Werk", essa famosa obra incompleta, trun¬cada, “censurada", desenterra nu¬merosos textos desconhecidos de Walter Benjamin, que têm o gran¬de mérito de chacoalhar o clichê (muitas vezes uma projeção narcí¬sica nossa) de um autor desencan¬tado, pessimista, supremamente melancólico. Penso nos textos ra¬diofônicos para crianças ou para “grande público" que revelam um Benjamin lúcido, irônico, cheio de humor e de ternura, um Benjanim mais próximo que nunca de seu amigo Brecht.&lt;br /&gt;Graças a um grande cuidado de contextualização histórica, ao co¬nhecimento da linguagem político-cultural em vigor na República de Weimar, o livro de BolIe propõe, igualmente, uma interpretação muito fina e crítica de algumas ca¬tegorias benjaminianas que se tor¬naram quase chavões: por exem¬pIo, a análise da figura de flâneur, na sua ambigüidade essencial de oponente aos ritmos capitalistas de produção e, simultaneamente. de ''Mitläufer'', aquele que ''anda junto'' no meio da multidão, prefiguração do “oportunista anônimo'' que se integrará perfeitamen¬te nas grandes coreografias de massa do fascismo, Todos esses elementos são amparados por uma vasta informação, cujo grande mé¬rito é de saber aliar erudição e leveza, oferecendo ao leitor pistas seguras de investigação e de discussão, além da longa e instrutiva bibliografia que encerra o volume.&lt;br /&gt;Todas essas qualidades “acadêmicas'' ou '“científicas” são sustentadas por uma  dupla hipótese de interpretação que torna tanto as análises de BolIe como os textos estudados de Benjamim surpren¬dentemente políticos, claramente "engajados". Essa hipótese poderia ser descrita da seguinte manei¬ra: os textos de Benjamim sobre a modernidade, em particular sobre a ''fisiognomia' (uma categoria cu¬ja história, desde suas origens em Lavater, passando por Goethe e até os Surrealistas, é reconstruída na Introdução) das grandes cidades modernas nunca são meras descri¬ções históricas ou historicistas, mas deveriam sempre ajudar numa leitura crítica não só do passado (a Paris do Século 19), mas também do presente: do presente de Benja¬nim. Isto é, da época conturbada da passagem  da República de Wei¬mar para o “Terceiro Reich”, mas, igualmente, do presente de um au¬tor posterior a Benjamin, vivendo a dramática explosão das grandes cidades do Terceiro Mundo. Assim, BolIe interroga os textos de Benja¬mm não só sobre aquilo que dizem de maneira explícita, mas também sobre aquilo que "revelam", se¬gundo a metáfora benjaminiana oriunda da técnica fotográfica. Tra¬ta-se de uma denúncia da ascensão, contemporânea à vida de Benjamim, do nazismo e, igualmente, das falhas de várias tendências políti¬cas ou intelectuais de esquerda; com mais ousadia teórica, trata-se, também, daquilo que esses ensaios poderiam nos revelar sobre o futu¬ro, desconhecido por Benjamin, mas sempre tematizado por BolIe, das megalópoles da "periferia".&lt;br /&gt;Essa hipótese de leitura orienta a feitura desse livro cuja organização não deixa, aliás, de lembrar mime¬ticamente  seu próprio tema: a grande cidade moderna em sua pulsação incessante, mas também, às vezes, na sua proliferaçâo arbi¬trária e na sua fascinante confusão. As três partes do livro mesclam, intencionalmente, duas temáticas e duas perspectivas. Duas perspecti¬vas: o olhar crítico de Benjamin sobre seu próprio presente político através de seus diversos estudos, tratem eles da Paris do Século 19, do drama barroco do Século 17 ou da literatura contemporânea; e o olhar paralelo sobre o período cor¬respondente no Brasil, notadamen¬te através do Modernismo, em particular Mário de An¬drade e Gui¬marães Rosa. Duas temáti¬cas: o desen¬volvimento da cidade moderna através dos vários escritos sobre cidades, de Benjamin: aqui não pare¬ce haver uma reflexão cor¬respondente deste lado do oceano -ou melhor: talvez o livro de Bolle pre¬tenda suprir essa falha: e a histo¬riografia da modernidade, notadamente nas suas oposições centro-periferia (a partir do tema da via¬gem de navio num poema de Bau¬delaire e no "Macunaíma" e ar¬caico-moderno (a partir dos surrea¬listas franceses, em particular o "Paysan de Paris" de Aragon e de “Grande Sertão: Veredas").&lt;br /&gt;Ora, as principais reservas que poderíamos enunciar em relação a este livro dizem respeito a esse projeto teórico, ambicioso e gene¬roso, mas talvez um pouco ''forçado”.  Pois es¬ses numerosos paralelos parecem fornecer muito mais elementos instigantes para um estudo de literatura com¬parada entre o Modernismo brasileiro e a reflexão benjaminiana sobre a Modernidade que realmente compor o quadro de uma te¬oria historiográfica.  O pró¬prio autor, aliás, assume reiteradas vezes, o caráter ''comparativo'' de seu trabalho, - em outra ocasião, também o define, com bastante clareza, como sendo "um ensaio” que ''se situa no campo interme¬diário entre as histónas da literatura e da cultura -das quais se dis¬tingue pelo seu caráter monográfico e, por outro lado. as biografias sobre Benjamin, das quais se diferencia pelo enfoque de deter¬minadas forças históricas e ques¬tões do imaginário social”&lt;br /&gt;Nossa pergunta maior a esse livro será, portanto, a seguinte: será que esse emprendimento permite, realmente, elaborar um conceito mais consistente de historiografia? A fidelidade de BolIe à reflexão benjaminiana sobre as ligações en¬tre história literária e história do¬minante, à sua ''desconstrução'' de alguns monstros sagrados e sacralizados como Goethe ou Baude¬laire, à suas investigações do ima¬ginário social e de suas formas fan¬tasmagóricas como indícios de de¬sejos coletivos, ideológicos ou utó¬picos, essa fidelidade profundamente simpática, aí aliás, precisaria ser mais que reafirmada para garantir o êxito de um projeto teórico bastante ambicioso, o pro¬jeto de uma historiografia da mo¬dernidade a partir da perspectiva privilegiada dos (ainda) "venci¬dos". Assim, o trabalho de BolIe me parece muito mais convincente nas suas análises históricas do con¬texto de produção da obra benja¬miniana (a excelente segunda par¬te) que nas tentativas de encontrar em Benjamin um modelo historiográfico, válido também para nós. A problemática de uma nova histo¬riografia. de uma outra escrita da história (e, portanto. de uma outra história é, sem dúvida nenhuma, “absolutamente essencial na obra de Benjanim, desde o livro sobre o drama barroco até as famosas teses póstumas "Sobre o Conceito de História''.&lt;br /&gt;Mas ela me parece -e aqui to¬mo a liberdade de iniciar uma dis¬cussão talvez de "especialistas" com meu amigo Willi BolIe- muito mais se desenvolver através da experimentação de novos cami¬nhos de escrita (montagem, ima¬gens dialéticas, fragmentos, trata¬dos quase medievais, como o prefácio ao livro sobre o drama barro¬co), ou, igualmente. através da rea¬bilitação de conceitos por assim dizer renegados pela tradição do¬minante (alegoria, tradução, mo¬dernidade, barroco. reprodução técnica). Essa preocupação com a historiografia, se ela é, sim, essen¬cial. não desemboca, porém (diria eu!), numa proposta historiográfica acabada; e isso não só porque Ben¬jamin não o tivesse conseguido, apesar das "cobranças" de seus mais diversos amigos, de Brecht a Scholem passando por Adorno. Mas por uma escolha de sobrieda¬de e de lucidez teóricas: perdidos que estamos nos atalhos de uma historiografia "marxista" triunfalista ou "burguesa" pretensamente universal, devemos, primeiro, ajus¬tar contas com as tentações de tota¬lização apressada que esses modelos¬  configuram; e isso antes de propor outros modelos, outras tota¬lizações. Por isso temos tantas oscilações em Benjamin (será ele teólogo? marxista? marxista-teóIo¬go?), tantas citações acumuladas que parecem não levar a nada (como os inúmeros fragmentos do "Passagen-Werk"), também tantas ''iluminações'' súbitas, mas sempre, não é por acaso no tama¬nho menor de uma imagem dialéti¬ca, da percepção rápida de semehanças privilegiadas, de imagens de pensamento (Denkbilder) encer¬radas em si mesmas como as mônadas sem janelas de Leibniz. Os¬cilações, acúmulo, iluminações e imagens que nos encantam, certamente, mas também nos impacientam  pois estamos (como Adorno, como Brecht, como Scholem!) ansiosos por modelos maiores e coerentes que nos livrariam, mesmo que provisoriamente, da nossa desorientação tão teórica como prática. Assim, gostaríamos de deduzir da obra de Benjamin regras para uma 'história dos vencidos" (quando só falou da "tradição" -descontinua, interrompida, recalcada- "dos oprimidos") ou mesmo regras de uma "historiografia alegórica", uma expressão, que salvo engano não se encontra em Benjamin.&lt;br /&gt;Gostaria de ressaltar, no pensamento de Benjanim, esses momentos não de indecisão (como muitos de seus contemporâneos, Benjamin enfatizou, várias vezes, os riscos e a necessidade da "decisão" política e ética), mas, melhor, do que poderia ser chamado de irresolução assumida, pois apressar uma  resolução significa, na maioria das vezes, mais contentar a vaidade do ''sujeito'' que estar realmente. atento aos "objetos". Essa atenção paciente, Benjanim  sempre a reivindicou como uma das tarefas maiores do pensamento. Ela orien¬ta muitas das belas análises históri¬cas, filológicas, literárias, "fisiog¬nômicas" de Willi BolIe. Às ve¬zes, porém, ela tende a desaparecer nos bastidores do texto, talvez por¬que esse livro generoso também coloca em cena um drama ainda mais cruel que o barroco: o drama que se vive no palco das grandes cidades, ao mesmo tempo miserá¬veis, belas e monstruosas, do nosso "Terceiro" Mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JEANNE MARIE GAGNEBIN e professora de filosofia na unicamp e na PUC/SP. Autora de&lt;br /&gt;"Walter Benjamin Os Cacos da História" (Brasi¬liense) e de "Histoire et narration chez Walter Benjamin" Ed de l'Harmattsn. Paris&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-4470136607510638940?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/4470136607510638940/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2010/11/um-outro-benjamin.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/4470136607510638940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/4470136607510638940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2010/11/um-outro-benjamin.html' title='Um outro Benjamin'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-831378440614689631</id><published>2010-11-11T09:38:00.000-08:00</published><updated>2010-11-11T09:38:39.857-08:00</updated><title type='text'>ilustrada Domingo 8 de maio de I994  6-13 OLHO CLÍNICO Rorty e a psicanálise JURANDIR FREIRE COSTA Especial  para a Folha Richard Rorty é um dos mais notáveis pensadores da atualidade. A leitura neopragmática que faz da filosofia da linguagem, da filosofia da mente, da teoria do conheci¬mento, da filosofia moral etc., é ousada, nova e admiravelmente in¬ventiva. Por isso, abre um horizonte intelectual que vai muito além das disciplinas investigadas. Exemplo típico é o caso da psi¬canálise. Rorty nunca tomou explicitamente a psicanálise como obje¬to de estudo. Entretanto, alguns dos seus trabalhos (por exemplo "Contingence lrony and Solida¬rity", "Freud and Moral Reflexion", "Non-reductive Physica¬lism" etc.) renovam, de modo iné¬dito e surpreendente, noções psica¬nalíticas como a do sujeito na relação com a linguagem e a ver¬dade. Para Rorty, o que denominamos sujeito não é um dado pré- existente aos elementos linguísticos constitutivos de sua descrição. O “su¬jeito”, o “eu'' ou “self” são um efeito de linguagem. Mas linguagem, aqui, não eqüivale à competência abstrata para produzir falas particulares como em Chomsky, ou à estrutura formal de todas as falas possíveis, como em Saussure. Na tradição pragmática de Wittgenstein, Austin, Quine e David¬son, linguagem é simplesmente o conjunto de atos de fala empregados pelos usuários competentes de uma língua. O que distingue o sujeito enquanto rede linguística de outros efeitos de linguagem, sem referência a estados ou processos subjetivos, é o fato de ser pensado como "a parte da rede de crenças e desejos postulada como causa interior do comportamento lingüístico de um organismo singular''. Em outros termos, o eu é a fração linguagem entendida como aquilo que é causa ou que está na origem da linguagem. As consequências desta afirmação são inúmeras. Em primeiro lu¬gar, o sujeito é despojado de todo suporte ''essencial'', idealista ou realista. Nem corpo, nem conceito, em sensível nem inteligível, nem superficial, nem profundo, o sujeito é uma  realidade linguística -realidade psíquica, disse Freud. E por ser lingüística depende de contextos históricamente contigentes. Assim sendo, nenhuma identi¬dade subjetiva- emocional, inte¬lectual, sexual, etc-  é “natural” ou ''universal”.   Nossas crenças sobre o que é normal ou anormal, natural e antinatural nas condutas humanas não designam uma “realidade extra-linguística” anterior ou heterogênea à linguagem; exibem opções e preferências morais da cultura a que pertencemos. Em segundo lugar, o sujeito descrito desta forma não possue centro ou núcleo verdadeiro, nem estrutural nem histórico. Flexionando pragmaticamente a teoria semântica da verdade de Quine e Davidson, Rorty afirma que "verdadeiro é aquilo que é aprovado num sistema de crenças válido para a maioria dos fatos na maioria dos casos". Dito de outra maneira, verdadeira é a descrição do sujeito que satisfaça as exigên¬cias morais do certo e do errado, do bom e do mau, numa dada forma de vida. No neopragmatismo, portanto, o fundamental, em Freud, não é a descoberta de explicações causais deterministas e supostamente cien¬tíficas do que sentimos, pensamos e fazemos: é a construção da ima¬gem do sujeito como um retecer permanente de crenças e desejos que cessa, provisoriamente quan¬do um dado estado de satisfação moral é obtido. Na clínica como na vida podemos desejar alterar estados subjeti¬vos por diversos motivos. Porém. quando alcançamos a alteração de¬sejada, e ela é satisfatória, “nada mais é preciso, nada mais é possível'', como disse Davidson. O critério da satisfação moral é, deste modo, decisivo no julgamento que fazemos sobre a “normalidade” ou “'anormalidade” das organizações psíquicas bem como sobre o sucesso ou insucesso do processo psicanalítico. Qualquer outro critério pretensamente um dado em argumentos racionais in¬dependentes de práticas culturais específicas pressupõe, sem tornar claro, o acordo em torno de crenças éticas compartilhadas na lini¬guagem ordinária. E o adeus pro¬saico, wittgensteiniano, dado por Rorty à metafísica da falta, do desejo ou do verdadeiro sujeito, contida em tantas versões da psicanálise. A meu ver, sua interpretação neopragmática do sujeito restitui a força original do pensamento freudiano. Ou seja, primeiro a escuta solidária das existencias individuais em conflito com os vocabulários morais dominantes; depois as metapsicologias. Estas serão sempre bem vindas, desde que não pretendam aposentar precocemente vidas e desejos em ''pequenas nosologias” e “pe¬quenas teorias". Fazendo filosofia, Rorty fez o que de melhor po¬de ser feito em psicanálise: enten¬der Freud. É um autor de gênio, comprometido com o humanamente digno. Pode haver maior elogio? JURANDIR FREIRE COSTA   é psicanalista.</title><content type='html'>ilustrada Domingo 8 de maio de I994  6-13 OLHO CLÍNICO&lt;br /&gt;Rorty e a psicanálise&lt;br /&gt;JURANDIR FREIRE COSTA&lt;br /&gt;Especial  para a Folha&lt;br /&gt;Richard Rorty é um dos mais notáveis pensadores da atualidade. A leitura neopragmática que faz da filosofia da linguagem, da filosofia da mente, da teoria do conhecimento, da filosofia moral etc., é ousada, nova e admiravelmente inventiva. Por isso, abre um horizonte intelectual que vai muito além das disciplinas investigadas.&lt;br /&gt;Exemplo típico é o caso da psicanálise. Rorty nunca tomou explicitamente a psicanálise como obje¬to de estudo. Entretanto, alguns dos seus trabalhos (por exemplo "Contingence lrony and Solida¬rity", "Freud and Moral Reflexion", "Non-reductive Physicalism" etc.) renovam, de modo inédito e surpreendente, noções psicanalíticas como a do sujeito na relação com a linguagem e a verdade.&lt;br /&gt;Para Rorty, o que denominamos sujeito não é um dado pré- existente aos elementos linguísticos constitutivos de sua descrição. O “sujeito”, o “eu'' ou “self” são um efeito de linguagem. Mas linguagem, aqui, não eqüivale à competência abstrata para produzir falas particulares como em Chomsky, ou à estrutura formal de todas as falas possíveis, como em Saussure.&lt;br /&gt;Na tradição pragmática de Wittgenstein, Austin, Quine e Davidson, linguagem é simplesmente o conjunto de atos de fala empregados pelos usuários competentes de uma língua. O que distingue o sujeito enquanto rede linguística de outros efeitos de linguagem, sem referência a estados ou processos subjetivos, é o fato de ser pensado como "a parte da rede de crenças e desejos postulada como causa interior do comportamento lingüístico de um organismo singular''. Em outros termos, o eu é a fração linguagem entendida como aquilo que é causa ou que está na origem da linguagem.&lt;br /&gt;As consequências desta afirmação são inúmeras. Em primeiro lugar, o sujeito é despojado de todo suporte ''essencial'', idealista ou realista. Nem corpo, nem conceito, em sensível nem inteligível, nem superficial, nem profundo, o sujeito é uma  realidade linguística -realidade psíquica, disse Freud. E por ser lingüística depende de contextos históricamente contigentes.&lt;br /&gt;Assim sendo, nenhuma identi¬dade subjetiva- emocional, intelectual, sexual, etc-  é “natural” ou ''universal”.   Nossas crenças sobre o que é normal ou anormal, natural e antinatural nas condutas humanas não designam uma “realidade extra-linguística” anterior ou heterogênea à linguagem; exibem opções e preferências morais da cultura a que pertencemos. Em segundo lugar, o sujeito descrito desta forma não possue centro ou núcleo verdadeiro, nem estrutural nem histórico.&lt;br /&gt;Flexionando pragmaticamente a teoria semântica da verdade de Quine e Davidson, Rorty afirma que "verdadeiro é aquilo que é aprovado num sistema de crenças válido para a maioria dos fatos na maioria dos casos". Dito de outra maneira, verdadeira é a descrição do sujeito que satisfaça as exigên¬cias morais do certo e do errado, do bom e do mau, numa dada forma de vida.&lt;br /&gt;No neopragmatismo, portanto, o fundamental, em Freud, não é a descoberta de explicações causais deterministas e supostamente cien¬tíficas do que sentimos, pensamos e fazemos: é a construção da ima¬gem do sujeito como um retecer permanente de crenças e desejos que cessa, provisoriamente quan¬do um dado estado de satisfação moral é obtido.&lt;br /&gt;Na clínica como na vida podemos desejar alterar estados subjetivos por diversos motivos. Porém. quando alcançamos a alteração de¬sejada, e ela é satisfatória, “nada mais é preciso, nada mais é possível'', como disse Davidson.&lt;br /&gt;O critério da satisfação moral é, deste modo, decisivo no julgamento que fazemos sobre a “normalidade” ou “'anormalidade” das organizações psíquicas bem como sobre o sucesso ou insucesso do processo psicanalítico. Qualquer outro critério pretensamente um dado em argumentos racionais independentes de práticas culturais específicas pressupõe, sem tornar claro, o acordo em torno de crenças éticas compartilhadas na linguagem ordinária. E o adeus prosaico, wittgensteiniano, dado por Rorty à metafísica da falta, do desejo ou do verdadeiro sujeito, contida em tantas versões da psicanálise.&lt;br /&gt;A meu ver, sua interpretação neopragmática do sujeito restitui a força original do pensamento freudiano. Ou seja, primeiro a escuta solidária das existencias individuais em conflito com os vocabulários morais dominantes; depois as metapsicologias.&lt;br /&gt;Estas serão sempre bem vindas, desde que não pretendam aposentar precocemente vidas e desejos em ''pequenas nosologias” e “pequenas teorias". Fazendo filosofia, Rorty fez o que de melhor pode ser feito em psicanálise: entender Freud. É um autor de gênio, comprometido com o humanamente digno. Pode haver maior elogio?&lt;br /&gt;JURANDIR FREIRE COSTA   é psicanalista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-831378440614689631?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/831378440614689631/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2010/11/ilustrada-domingo-8-de-maio-de-i994-6.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/831378440614689631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/831378440614689631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2010/11/ilustrada-domingo-8-de-maio-de-i994-6.html' title='ilustrada Domingo 8 de maio de I994  6-13 OLHO CLÍNICO Rorty e a psicanálise JURANDIR FREIRE COSTA Especial  para a Folha Richard Rorty é um dos mais notáveis pensadores da atualidade. A leitura neopragmática que faz da filosofia da linguagem, da filosofia da mente, da teoria do conheci¬mento, da filosofia moral etc., é ousada, nova e admiravelmente in¬ventiva. Por isso, abre um horizonte intelectual que vai muito além das disciplinas investigadas. Exemplo típico é o caso da psi¬canálise. Rorty nunca tomou explicitamente a psicanálise como obje¬to de estudo. Entretanto, alguns dos seus trabalhos (por exemplo &quot;Contingence lrony and Solida¬rity&quot;, &quot;Freud and Moral Reflexion&quot;, &quot;Non-reductive Physica¬lism&quot; etc.) renovam, de modo iné¬dito e surpreendente, noções psica¬nalíticas como a do sujeito na relação com a linguagem e a ver¬dade. Para Rorty, o que denominamos sujeito não é um dado pré- existente aos elementos linguísticos constitutivos de sua descrição. O “su¬jeito”, o “eu&apos;&apos; ou “self” são um efeito de linguagem. Mas linguagem, aqui, não eqüivale à competência abstrata para produzir falas particulares como em Chomsky, ou à estrutura formal de todas as falas possíveis, como em Saussure. Na tradição pragmática de Wittgenstein, Austin, Quine e David¬son, linguagem é simplesmente o conjunto de atos de fala empregados pelos usuários competentes de uma língua. O que distingue o sujeito enquanto rede linguística de outros efeitos de linguagem, sem referência a estados ou processos subjetivos, é o fato de ser pensado como &quot;a parte da rede de crenças e desejos postulada como causa interior do comportamento lingüístico de um organismo singular&apos;&apos;. Em outros termos, o eu é a fração linguagem entendida como aquilo que é causa ou que está na origem da linguagem. As consequências desta afirmação são inúmeras. Em primeiro lu¬gar, o sujeito é despojado de todo suporte &apos;&apos;essencial&apos;&apos;, idealista ou realista. Nem corpo, nem conceito, em sensível nem inteligível, nem superficial, nem profundo, o sujeito é uma  realidade linguística -realidade psíquica, disse Freud. E por ser lingüística depende de contextos históricamente contigentes. Assim sendo, nenhuma identi¬dade subjetiva- emocional, inte¬lectual, sexual, etc-  é “natural” ou &apos;&apos;universal”.   Nossas crenças sobre o que é normal ou anormal, natural e antinatural nas condutas humanas não designam uma “realidade extra-linguística” anterior ou heterogênea à linguagem; exibem opções e preferências morais da cultura a que pertencemos. Em segundo lugar, o sujeito descrito desta forma não possue centro ou núcleo verdadeiro, nem estrutural nem histórico. Flexionando pragmaticamente a teoria semântica da verdade de Quine e Davidson, Rorty afirma que &quot;verdadeiro é aquilo que é aprovado num sistema de crenças válido para a maioria dos fatos na maioria dos casos&quot;. Dito de outra maneira, verdadeira é a descrição do sujeito que satisfaça as exigên¬cias morais do certo e do errado, do bom e do mau, numa dada forma de vida. No neopragmatismo, portanto, o fundamental, em Freud, não é a descoberta de explicações causais deterministas e supostamente cien¬tíficas do que sentimos, pensamos e fazemos: é a construção da ima¬gem do sujeito como um retecer permanente de crenças e desejos que cessa, provisoriamente quan¬do um dado estado de satisfação moral é obtido. Na clínica como na vida podemos desejar alterar estados subjeti¬vos por diversos motivos. Porém. quando alcançamos a alteração de¬sejada, e ela é satisfatória, “nada mais é preciso, nada mais é possível&apos;&apos;, como disse Davidson. O critério da satisfação moral é, deste modo, decisivo no julgamento que fazemos sobre a “normalidade” ou “&apos;anormalidade” das organizações psíquicas bem como sobre o sucesso ou insucesso do processo psicanalítico. Qualquer outro critério pretensamente um dado em argumentos racionais in¬dependentes de práticas culturais específicas pressupõe, sem tornar claro, o acordo em torno de crenças éticas compartilhadas na lini¬guagem ordinária. E o adeus pro¬saico, wittgensteiniano, dado por Rorty à metafísica da falta, do desejo ou do verdadeiro sujeito, contida em tantas versões da psicanálise. A meu ver, sua interpretação neopragmática do sujeito restitui a força original do pensamento freudiano. Ou seja, primeiro a escuta solidária das existencias individuais em conflito com os vocabulários morais dominantes; depois as metapsicologias. Estas serão sempre bem vindas, desde que não pretendam aposentar precocemente vidas e desejos em &apos;&apos;pequenas nosologias” e “pe¬quenas teorias&quot;. Fazendo filosofia, Rorty fez o que de melhor po¬de ser feito em psicanálise: enten¬der Freud. É um autor de gênio, comprometido com o humanamente digno. Pode haver maior elogio? JURANDIR FREIRE COSTA   é psicanalista.'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-8059086645145172595</id><published>2010-11-11T09:34:00.000-08:00</published><updated>2010-11-11T09:34:15.016-08:00</updated><title type='text'>Ensaio Sobre os Elementos de Filosofia</title><content type='html'>Especial A-4 segunda-feira; 3 de abril de 1995           jornal de resenhas&lt;br /&gt; FOLHA DE S. PAULO/Discurso Editorial/USP '~&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os fatos e as quimeras&lt;br /&gt;Franklin de Matos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensaio Sobre os Elementos de&lt;br /&gt;Filosofia&lt;br /&gt;Jean Le Rond D'Alembert&lt;br /&gt;traduçâo: Beatriz Sidou&lt;br /&gt;Ed. da Unicamp, 184 págs.&lt;br /&gt;R$ 12,04&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Certamente D'Alembert foi um dos maiores exemplos daquele ideal, próprio da Ilustração, de juntar, numa única figura, o sá¬bio, o filósofo, o homem de le¬tras (só me ocorre outro caso assim acabado, em dosagem dife¬rente o de Goethe). Considerado um dos mais iminentes matemáticos do século 18, D'Alembert foi ainda autor de vários textos fundamentais para a compreensão das Luzes (o mais célebre é o "Discurso Preliminar da Enciclopédia", da qual ele foi um dos dire¬tores). Alem disso, embora não se possa di¬zer que sua prosa seja lépida ou vertiginosa como a de Voltaire, generosa e eloqüente como a de Rousseau, ou ágil e cheia de ver¬ve como a de Diderot, os livros que escre¬veu possuem inegável mérito literário, de resto já reconhecido pelos seus próprios contemporâneos.&lt;br /&gt;Ao percorrer o "Ensaio sobre os Elemen¬tos de Filosofia" -recentemente publicado pela Editora da Unicamp, numa tradução que infelizmente não é boa- o leitor brasi¬leiro poderá tirar proveito de todas estas múltiplas facetas. D'Alembert, o sábio, será logo identificado na facilidade do "Ensaio', para manejar os exemplos tomados à geo¬metria (como poderia sê-lo nos capítulos sobre hidrostática e hidráulica, eliminados desta edição devido ao seu caráter demasiadamente técnico); o homem de letras transparece na escrita que corre solta e enxuta, e cujas maiores qualidades são a clareza e a discrição; e afinal, o filósofo -filósofo ilustrado revela sobretudo na maestria para reduzir a Filosofia aos seus elementos e colocá-los ao alcance de qualquer um ("O mérito de fazer noções verdadeiras e simples penetrar com facilidade nos espíritos é bem maior do que se pensa, pois a experiên¬cia nos prova o quanto é raro.").&lt;br /&gt;O "Ensaio" apareceu pela primeira vez em 1759, no quarto volume dos "Mélanges de littérature, d'histoire et de philosophie" (não custa lembrar que, nesse ano, fora cas¬sado o privilégio de impressão da "Enciclo¬pédia" e que D'Alembert, talvez menos afeito que Diderot à dureza da militância cultural, se afastara do empreendimento em 1758). Penso que os ''elementos" do título podem ser lido, de duas maneiras ligeiramente diferentes e tanto uma quanto outra esclarecem a intenção e o espírito geral da obra.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, “elementos'' podem ser "noções rudimentares” que proporcio¬nam, segundo o autor, nma ''exposição sumária" dos princípios e objetos de nossos conhecimentos. Tal característica aproxima o ''Ensaio'' e o ''Discurso Preliminar'', mas, ao mesmo tempo, permite distinguir os dois textos. O ''Discurso” , como se sabe, se divide em duas partes: na primeira, D’Alembert descreve os diferentes ramos do sa¬ber, conforme um esquema emprestado a Bacon na segunda traça uma espécie de história intelectual da Europa, que começa no início do Renascimento e vem até o sé¬culo18. O "Ensaio" reproduz este plano, invertendo-o, abre-se com um quadro da mesma história, extremamente sumário, mas que permite a caracterização do presen¬te como o "Século da Filosofia", no qual "tudo foi discutido, analisado ou pelo me¬nos agitado"; em seguida, passa ao seu pro¬pósito principal, "de fixar e recolher os princípios de nossos conhecimentos certos, de apresentar sob um mesmo ponto de vista as verdades fundamentais, de reduzir os ob¬jetos de cada ciência particular para percor¬rê-los mais á vontade, em pontos principais e muito distintos''. Se o "Discurso" se de¬bruça mais no quadro histórico, o "Ensaio" privilegia o momento epistemológico. Con¬forme o próprio D'Alembert, no texto da "Enciclopédia'' só tinha sido possível lan¬çar "uma olhadela rápida e geral” à cadeia do conhecimento; agora trata se de obser¬var aquela ''distância justa  que permite considerar a árvore do saber sem sacrificar os galhos pelo tronco e vice-versa.&lt;br /&gt;Por um lado, a segunda acepção do do termo "elementos"-   que também pode ser tomado como "partes de um todo"-- per¬mite compreender a concepção de saber com a qual lidam D'Alembert e os enciclo¬pedistas. A natureza, diz o "Ensaio", é um grande enigma para nos, uma enorme cadeia da qual nosso espírito é incapaz de apreen¬der todos os anéis. Consequentemente, é apenas por força de "tentativas" e ''des¬vios" que conseguimos apreender cadeia das verdades ou, se recorrermos á metáfora preferida dos enciclopedistas, "que pode¬mos agarrar seus galhos -alguns (...) unidos entre si, formando diferentes ramagens queterminam num mesmo ponto; outros isolados e como que flutuando, (e que) re¬presentam as verdades que não se ligam a nenhum deles". Fosse de outro modo, continua D'Alembert, caso as verdades se exibissem sem nenhuma interrupção, tudo se reduziria a uma verdade única, da qual as outras seriam apenas diferentes traduções e, como conseqüência, não haveria elementos a descrever. Reconhecemos aqui o racionalismo cético das Luzes, que procura se preservar do dogmatismo e do ceticismo mediante a conjugação de dois princípios opos¬tos e complementares: objetividade e relati¬vidade. O primeiro expressa a convicção de que nossas idéias estão assentadas nas pró¬prias coisas, cujo encadeamento obedece a uma unidade rigorosa; o segundo pressupõe o reconhecimento de que a cadeia se furta à finitude de nosso espírito, dando-se a ler de modo descontínuo e fragmentário.&lt;br /&gt;O mais importante corolário desta concepção de saber é a sua definição de principio. De fato, confome o "Ensaio", toda , ciência possui dois tipos de verdade: as que se encontram no ponto da cadeia em que muitos galhos se reúnem, quer dizer, as que são resultado de muitas outras verdades; e as que constituem o inicio dc cada parte da  cadeia, ou seja, os verdadeiros princípios.  Estes últimos não são axionmas verdades primeiras à partir das quias as demias podem ser deduzidas, segundo o modelo de conheecimento próprio do século 17. D’ Alembert assim os define: “Fatos simples e reconhecidos, que não pressupõem nenhum outro e que, consequentemente, não se podem nem explicar, nem contestar. Em Física, os  fenômenos cotidianos que a observação desvenda a todos os olhos; em Geometria, as propriedades sensíveis da extensão; em Mecânica, a inpenetrabilidade dos corpos, origem de sua ação mútua; em Metafísica, o resultado de nossas sensações; em Moral, as primeiras afecções, comuns a todos os homens”.  E conclui, fazendo mira em seu principal adversário, a metafísica tradicional: “A filosofia não está destinada  aperder-se nas propriedades gerais do ser e da substância, em perguntas inúteis sobre noções abstratas, em divisões e nomenclaturas eternas: ela é a ciência dos fatos ou a das quimeras”.&lt;br /&gt;A esta definição geral, segue-se a descri¬ção dos vários ramos da filosofia. Em pri¬meiro lugar, a lógica,  “seu frontispício e sua entrada"; em seguida, a Metafísica, cu¬jo principal objeto é “a geração de nossas idéias'', mas que também se ocupa da ope¬ração por meio da qual o espírito passa das sensações aos objetos exteriores e ainda das provas da existência de Deus (a exemplo do deísta Voltaire, aqui D'Alemhert pretende acertar a fração ateísta das Luzes); e afinal, a Moral, estudo daquilo que devemos aos nossos semelhantes. A estes objetos o 'En¬saio  acrescenta ainda outros dois: os fatos históricos e os princípios do gosto.&lt;br /&gt;Seguindo o procedimento de um célebre editor de D`Alembert, a Editora da Unicamp publica, entremeados ao  Ensaio, os "Esclarecimentos sobre Diferentes Pontos nos Elementos de Filosofia”, escritos alguns anos depois em resposta às observações de Frederico 2º.  Essas páginas que retomam e examinam melhor o texto principal permitirão que o leitor entreveja as marcas de outro ideal da Ilustração, que às vezes deu os melhores resultados: o diálogo esclarecido entre o filósofo e o rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FRANKLIN DE MATOS É professor do departamento de filosofia da USP&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-8059086645145172595?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/8059086645145172595/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2010/11/ensaio-sobre-os-elementos-de-filosofia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/8059086645145172595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/8059086645145172595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2010/11/ensaio-sobre-os-elementos-de-filosofia.html' title='Ensaio Sobre os Elementos de Filosofia'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-4577461630531309565</id><published>2010-11-11T09:25:00.000-08:00</published><updated>2010-11-11T09:25:48.140-08:00</updated><title type='text'>Hegel filosofa sobre a essência da caneta</title><content type='html'>Domingo, 23 de abril de 1995   5- 11 Folha de São Paulo&lt;br /&gt;Hegel filosofa sobre a essência da caneta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OLGÂRIA CHAIM FÉRES MATOS&lt;br /&gt;Especial para a Folha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em “Como o Senso Comum Compreende a Filosofia”, um escrito de juventude, Hegel se propõe responder a seu contemporâneo Krug, representante emblemá¬tico do  senso comum filosófico". Propõe-se em termos, pois considera seu contendor - que sucede Kant na Universidade de Konigs¬berg -o próprio 'non sense' realista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interlocutor, à primeira vista, é inocente: manifesta perplexidade frente às filosofias do idealismo transcendental, em particular as de Schelling, Hegel e Fichte, dando a entender que o Criticismo não passa de esquizofrenia da Razão) quan¬do diferencia Eu empírico e Eu transcendental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o que inviabilizaria explicar as  “simples coisas'', aquelas dadas, ou melhor, pré-dadas: ingênuo em seu naturalismo, Krug adere existência de seres e objetos, igno¬ra a consciência que lhes confere existência e inteligibilidade. Eis por que solicita a Hegel deduzir, se puder, das alturas do Transcendental, a pena de escrever ver de sua caneta, tão óbvia quanto útil para aquele que escreve. Má-fé principial, observaria Hegel. já que está de antemão convencido de que “nenhum idealismo do mundo faria ao menos a tentativa disso''.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa consciência empírica abrange  “tanto os gatos quanto  a pena de escrever do Sr. Krug” e, se fosse a única maneira do estar-no-mundo. “teria o poder de transformar o público totalmente inculto em público filosófico''. Tarefa desde logo irrealizável, pois toda filosofia é, a seu modo. Transcendental e Crítica, procurando a gênese e o modo de produção do co¬nhecimento das coisas  'que são enquanto são, das que não são porque não são".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Xenófanes, o eleata, partia do conceito de Ser para desmitologizar as forças naturais; Platão construiu a Teoria das Idéias, revisitada, em seguida, por seu discípulo Aristóteles. No mundo moderno, Descartes converte o dogmatismo escolástico em mera opinião, dis¬tante da evidência do verdadeira e da incoerência do falso. Leibniz, criticou o empirismo, Kant a Leibniz e Hume, Hegel a Kant, Marx a Hegel. Em sentido transcendental, bem entendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krug e sua caneta significam mais e menos do que pretendem. Menos: a interrogação disfarça-se em diálogo, pois formula, ao mes¬mo tempo, a questão e a resposta. Mais: a pena da caneta não com¬porta dedução transcendental dado seu pressuposto tácito: a cisão entre natureza (e seus objetos concretos) e o espírito (as produções dotadas de sentido no mundo da cultura).&lt;br /&gt;A interrogação de Krug parte da caneta solipsista, isolada em seu particularismo contingente. E conhecido o nome atribuído por He¬gel à imediatez abstrata, atitude própria a Krug: "impotência da Natureza". Impotência, pois: a que finitiza o infinito, absolutiza o contingente. separa o singular do uni¬versal, o eu e seu outro: "se o Sr. Krug tivesse a menor noção (...) daquilo que é em geral e no pre¬sente momento o interesse da filosofia (...), a saber, recolocar Deus absolutamente no topo da filosofia como o único princípio essendi e cognosendi, depois de tê-lo posto, por tempo demais, ao lado de ou¬tras finitudes, se tivesse a menor suspeita disso, como lhe poderia passar pela cabeça exigir do idealismo transcendental a dedução de sua pena de escrever?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para compreender a natureza do Absoluto, seria recomendável refletir acerca da essência dos seres da natureza e das manifestações do Espírito do Mundo (as personagens e os acontecimentos histório'factuais'', “fortuitos''). Sem o que está vedado ao Sr. Krug alcançar o movimento interno necessário ao advento do “dia espiritual do Presente''.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E próprio “consciência da ''certeza sensível'', psicológica desconcertar-se com o ponto de partida filosófico: "a matemática, a física e o idealismo", observa Hegel, "ao se perguntarem o que se tem de pensar, não se voltam para essa consciência empírica freqüentada por cachorros e gatos e pela pena de escrever do Sr. Krug". Por desconhecer o coeficiente mínimo da Vida do Espírito, Hegel sugere a Krug "deixar de exigir a dedução de sua pena de escrever, bem como de se preocupar com o idealismo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vivemos no universo das blosse Sachen. Simples coisas já constituem uma identidade, embora parcial, com o Absoluto seus existentes periféricos. O saber transcendental não é sobrevôo ou imanência. E coesão no afastamento, coincidência divergente-pensamento. Pois deve sempre haver ação da inteligência na qual o limite parece contigente, sem fundamento,  “tanto para o Eu quanto para a coisa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A "pena da caneta" não foi, para Hegel, uma simples questão. Fa¬voreceu interrogações sobre a metafísica dualista, aquela que separa causalidade e liberdade, determi¬nismo e livre-arbítrio, contingência e necessidade. O que solicitou a dialética mediadora das essências e das aparências, para mostrar de que maneira a razão do aparecer é a mesma do desaparecer. A dialética não é um ponto de vista a mais sobre as coisas. Para Hegel, consiste na tentativa de ultrapasar a arbitrariedade dos pontos de vista, ao explicitar a contingência do, ser contingente, ancorando-a na exterioridade da natureza e na negativi¬dade do finito individual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contingente se faz valer reino do Espírito na transformnação' de sua contingência em necessida¬de imanente da criação: "enquanto a natureza se desperdiça em múltiplas espécies de 'papagaios' e 'Verônicas' que a ilustram com indiferença, a obra espiritual cintila para sempre com o brilho que lhe confere o Espírito que nela aparece" (posfácio de Jean-Marie Lardic).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krug pressentiu, de alguma forma, que o Absoluto não fora provado. Nem o será. Pois o Espírito anexa a Natureza na identidade do entrar-em-si e sair-de-si que é a dialética. Esta sede de Absoluto é hybris da filosofia transcendental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OLGÁRIA CHAIM FÉRES MATOS é professora  de  filosofia  na USP. Autora de "Os Arcanos do Inteiramente Outro" (Brasiliense)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A OBRA&lt;br /&gt;Como  o  Senso  Comum Compreende a Filosofia, de Hegel, seguido  de  A Contingência em Hegel, de Jean-Marie Lardic. Tradução de Eloisa Araújo Ribeiro. Paz  e Terra (r. do Triunfo, 177, São Paulo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-4577461630531309565?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/4577461630531309565/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2010/11/hegel-filosofa-sobre-essencia-da-caneta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/4577461630531309565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/4577461630531309565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2010/11/hegel-filosofa-sobre-essencia-da-caneta.html' title='Hegel filosofa sobre a essência da caneta'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-52370807738950754</id><published>2010-11-11T09:06:00.001-08:00</published><updated>2010-11-11T09:06:40.269-08:00</updated><title type='text'>FILÓSOFO ESCREVE SOBRE O BRASIL</title><content type='html'>FILÓSOFO ESCREVE SOBRE O BRASIL&lt;br /&gt;VOLTAIRE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabamos de ver, no meio das terras da América, multidões de povos civilizados, in¬dustriosos e aguerridos, descobertos e domi¬nados por um pequeno número de espanhóis. Mas os portugueses, conduzidos pelo florenti¬no Américo Vespúcio, tinham descoberto desde a época das viagens de Cristóvão Co¬lombo, no ano de 1500, países não menos vastos, não menos ricos e povoados por na¬ções completamente diferentes. Vespúcio chegou às costas do Brasil situadas perto do Equador.&lt;br /&gt;E o terreno mais fértil da Terra, o céu mais puro e o ar mais saudável. O vento do Orien¬te, que a rotação da terra em seu eixo faz gerar continuamente entre os dois trópicos, depois de atravessar mil léguas de mar, traz ao Brasil uma doce aragem que tempera o calor de um sol sempre vertical e garante uma primavera eterna. As árvores desse solo desprendem um odor delicioso. As montanhas têm ouro, as rochas, diamantes e todas as frutas nascem nos campos não cultivados. A vida dos ho¬mens, limitada por toda parte a 80 anos no máximo, estende-se geralmente entre os bra¬sileiros a 128, às vezes até a 140 anos. Ainda hoje vêem-se portugueses decrépitos embar¬carem em Lisboa e rejuvenescerem no Brasil.&lt;br /&gt;Mas que espécie de homens habitavam es¬sa região pela qual a natureza tudo fez? Ves¬púcio conta em uma carta ao gonfaloneiro de Florença que os brasileiros são de cor bronzeada; talvez se se dissecasse um brasileiro com o mesmo cuidado com que se dissecaram ne¬gros, encontrar-se-ia em sua membrana mu¬cosa a razão dessa cor.&lt;br /&gt;Quanto aos costumes, eram inteiramente sem leis, sem nenhum conhecimento da di¬vindade, unicamente ocupados com as neces¬sidades do corpo; a mais interessante dessas necessidades era a junção dos dois sexos. Sua maior habilidade consistia no conhecimento de ervas que estimulavam seus desejos e que as mulheres se encarregavam de colher. A vergonha lhes era desconhecida. Sua nudez, que a amenidade do clima lhes impedia de cobrir, não envergonhava ninguém, e servia para confirmar o uso de não distinguir, no acasalamento, nem irmã, nem mãe, nem filha, das outras mulheres.&lt;br /&gt;A necessidade de matar animais para servi¬rem de alimento os levou a inventar o arco e as flechas. Essa era sua única arte. Serviam-se dela em suas disputas de homem a homem, ou de multidão a multidão. O vencedor comia com sua companheira a carne do inimigo. Vespúcio disse que um brasileiro lhe deu a entender que tinha comido 300 homens em sua vida e quando ficou sabendo que os portugueses não comiam seus inimigos demons¬trou grande surpresa. Tal era, no mais belo clima do universo, o estado de pura natureza de homens que chegavam à mais avançada velhice em plena saúde.&lt;br /&gt;Tradução de ELIANA SCOTTI MUZZI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trecho extraído do livro "Essai sur les Moeura", cujo fac-símile -veja acima- será exibido por ocasião do Simpósio Voltaire, em Ouro Preto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-52370807738950754?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/52370807738950754/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2010/11/filosofo-escreve-sobre-o-brasil.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/52370807738950754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/52370807738950754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2010/11/filosofo-escreve-sobre-o-brasil.html' title='FILÓSOFO ESCREVE SOBRE O BRASIL'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-2913273340708064609</id><published>2010-11-11T09:05:00.001-08:00</published><updated>2010-11-11T09:05:32.930-08:00</updated><title type='text'>A guerra sem fim da razão</title><content type='html'>A guerra sem fim da razão&lt;br /&gt;A batalha de Voltaire pelos direitos humanos permanece inacabada no Brasil e no mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SÉRGIO PAULO ROUANET&lt;br /&gt;Especial para a Folha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que sentido podemos dizer que a batalha de Voltaire pelos di¬reitos humanos ainda é  indefini¬damente atual", nas palavras de Valéry?&lt;br /&gt;Ela é atual, no Brasil e no mun¬do, porque está inacabada. E atual porque apesar de progressos Im¬portantíssimos. muitas das aberra¬çôes que Voltaire combateu renasceram ou se agravaram. E o que podemos verificar em cada um dos direitos pelos quais Voltaire se ba¬teu.&lt;br /&gt;É o caso do direito à razão, o valor mais alto da Ilustração e o mais decisivo para Voltaire, porque é a condição de possibilidade de todos os outros. O pensamento ainda está sujeito a restrições poli¬ciais em grande parte da humani¬dade. Nos países em que elas não existem, a "servidão voluntária'' induzida pelo conformismo e pela propaganda impede as pessoas de pensarem por si mesmas. Os fundamentalismos religiosos pululam em toda parte.&lt;br /&gt;Nos Estados Unidos e na Suíça, seitas pregam o fim do mundo e abreviam a chegada dos seus adep¬tos ao paraíso, induzindo-os ao sui¬cídio coletivo. Aiatolás mandam militantes executar escritores sacrí¬legos, do mesmo modo que os pa¬dres do Antigo Regime, segundo Voltaire, armavam regicidas como Jacques Clément e Ravaillac, para maior glória de Deus. Em Bangladesh, uma escritora é condenada à morte por ter ousado criticar o Corão. Hindus e muçulmanos se trucidam mutuamente em nome do Profeta ou de Brama.&lt;br /&gt;No Brasil, vivemos durante duas décadas sob uma ditadura que Mas e proibia livros e prendia escritores, exatamente como na França de Voltaire. Com a redemocratização,   os exemplos de intolerância se tornaram raros, mas embora o direito  à razão não seja mais cerceado,   não se pode dizer que ele esteja en¬tre os mais populares no Brasil. Ao   contrário, o irracionalismo se difunde e hoje quase podemos ouvir a reivindicação oposta, o direito ao delírio. &lt;br /&gt;Um mago publica "best seIlers", antigos guerrilheiros consul¬tam astrólogos e veteranas trotskis¬tas rodopiam todas as noites no ter¬reiro. São formas benignas de irracionalismo, compreensíveis sobretudo entre os jovens que se filiam a uma concepção alternativa do  mundo, e que vêem na leitura de livros esotéricos uma forma tão legitima de protestar contra o "establi¬shment" religioso como a adesão aos verdes é uma forma legitima de protestar contra o 'establisli¬ment" político. (...)&lt;br /&gt;O direito individual à liberdade é hoje reconhecido nas chamadas democracias industriais, nos anti¬gos países do Leste e em quase, todos os países da América Latina. Mas o socialismo burocrático, na China, na Coréia do Norte e em Cuba, bem como os regimes afri¬canos de partido único, são tão ab¬solutistas quanto as tiranias do tempo de Voltaire, com a diferença de que não são despotismos espe¬cialmente esclarecidos e de que a rede de doação dos regimes totalitários de hoje é muito mais eficaz que no Antigo Regime.&lt;br /&gt;Por outro lado, os movimentos segmentares de emancipação continuam muito longe dos objetivos visados. A libertação da mulher ainda não avançou o suficiente, o sexismo continua endêmico na Eu¬ropa e nos Estados Unidos, e São ainda raras mulheres como a com¬panheira de Voltaire, Madame du Châtelet, que escrevia tratados de álgebra e divulgava a física de Newton. A libertação dos negros  ainda é mais retórica que real e não  há sinais evidentes de que as populações aborígenes estejam recebendo benefícios muito concretos. nem sequer o direito à vida. O co¬lonialismo terminou como forma ostensiva de dominação política, mas não como colonialismo indireto, agora institucionalizado sob a forma de um pretenso direito à intervenção. ou como subordinação econômica e tecnológica.&lt;br /&gt;Terminada uma noite de 21 anos, o Brasil é hoje um país ple¬namente democrático, com liberda¬de pessoal e política reconhecida a todos. Mas se isso é verdade para a liberdade individual, é menos ver¬dade no tocante aos objetivos de emancipação setorial. Contam-se nos dedos as mulheres que ocupam altos cargos executivos ou na ma¬gistratura superior (...).&lt;br /&gt;A Lei Áurea ainda é uma menti¬ra para a população negra do Bra¬sil, que vive em sua maioria em condições de pobreza igual ou pior à que ostentavam há um século, que continua sem educação, sem teto, sem alimentação, e que forne¬ce 80% ou mais da população pe¬nitenciária ou das vítimas da re¬pressão policial. Os progressos ob¬tidos no que diz respeito à emanci¬pação da população indígena po¬dem ser lidos na crônica policial. nas manchetes do . 'The New York Times''. ou nos relatórios da Ani¬nesty International. A descoloniza¬ção se consumou há 172 anos, mas não é preciso ser nacionalista, o que como bom iluminista estou longe de ser. para saber que o país ainda tem um longo caminho a percorrer para superar a dependên¬cia financeira e tecnológica que o impede de participar igualitaria¬mente dos processos decisórios mundiais.&lt;br /&gt;O direito à justiça está hoje em dia protegido nos principais esta¬dos democráticos, e dificilmente veríamos abusos semelhantes aos praticados, no tempo de Voltaire, pelos antigos '~Parlements". Mes¬mo assim, a existência da pena de morte nos Estados Unidos é um anacronismo cuja abolição ainda não está à vista. Em outros países, além da pena de morte, há puni¬ções degradantes. como a chibata, castigos cruéis, como a lapidação de adúlteras, e a criminalização de práticas, como a blasfêmia ou o adultério, que eram severamente punidas no tempo de Voltaire, mas que hoje deveríamos considerar tão irrelevantes, do ponto de vista pe¬nal, como a feitiçaria.&lt;br /&gt;No Brasil, não há pena de morte desde a República. Mas há uma pe¬na de morte não-oficial contra crianças de rua e marginais adul¬tos, falsos ou verdadeiros, executa¬da por criminosos escondidos em órgãos públicos. Durante a ditadu¬ra militar tivemos a ressurreição da mais covarde das práticas, a tortura (..). O advento da democracia abo¬liu essa infâmia, mas ela não con¬seguiu assegurar de todo o direito à justiça, porque como os juizes são os primeiros a reconhecer, propon¬do, por isso, uma reforma profunda do aparelho judicial, ela continua, apesar de progressos recentes, em grande parte discriminatória e sele¬tiva, punindo as pessoas de baixa renda e deixando impunes os deli¬tos dos poderosos.&lt;br /&gt;O direito ao bem-estar é negado na prática pela pobreza absoluta em que vegeta a maioria da popu¬lação do mundo. O chamado con¬flito Norte-Sul é uma conseqüência do desnível de renda entre os países desenvolvidos, cuja população tem padrões de consumo sem pre¬cedentes na história mundial, e os países subdesenvolvidos, em que a miséria de massa é certamente mais dramática que a encontrada por Voltaire entre os servos da gle¬ba, quando ele se instalou em Ferney.&lt;br /&gt;Inútil dizer que esse direito é transgredido no Brasil, cujos indi¬cadores sociais estão entre os pio¬res do mundo. Com uma mortali¬dade infantil de 88 por mil, quase duas vezes mais alta que a de Sri-Lanka, e uma taxa de analfabetis¬mo de 18%, uma das mais eleva¬das da América Latina, o Brasil es¬tá em 500. lugar na escala do desen¬volvimento humano, segundo o ín¬dice elaborado pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, apesar de pertencer ao grupo das dez maiores economias do mundo.&lt;br /&gt;O remédio, decerto, não é a mo¬dernização autoritária apregoada por Voltaire a partir do modelo russo, mas não é, tampouco, a re¬cusa da modernidade. a regressão utópica para um paraíso bucólico, segundo a visão rousseauísta. Depois de 200 anos, os dois adversá¬rios se enfrentam de novo, no Brasil: entre Voltaire. que apostava O progresso econômico e tecnológico, e Rousseau, que realizou uma crítica radical da modernidade, é preciso ter a coragem de tomar partido por Voltaire, buscando realização de uma modernidade humana. capaz de assegurar a cem milhões de brasileiros a fruição efetiva do seu direito ao bem-estar.&lt;br /&gt;Enfim, o direito à paz, que parecia ter se consolidado com o fim da Guerra Fria e consequentemente com o fim da ameaça nuclear, tornou-se de novo problemático com os focos de violência armada que explodiram depois da dissolução do império soviético e da Iugoslavia. O discurso dominante, hoje, é o discurso da identidade -identi¬dade cultural, étnica e nacional. Há uma etnizaçâo dos conflitos sérvios versus croatas, russos versus ¬alemães, minorias húngaras versus maiorias rumenas, eslavos ortodó¬xos versus bósnios muçulmanos, e, no fundo, uma retribalização do mundo, dividido entre comunidades autárquicas. demarcadas se¬gundo critérios lingüísticos, raciais e religiosos.&lt;br /&gt;E o fim do modesto universalismo que havia sido alcançado du¬rante a Guerra Fria, na verdade, dois cosmopolitismos rivais, que apesar de tudo representavam um progresso, mesmo ambíguo, em di¬reção a um mundo sem fronteira culturais ou nacionais. O triunfo do nacionalismo e da política da etni¬cidade poderão selar o fim de qual¬quer concepção universalista, sem a qual, como sabia Voltaire, o di¬reito à paz se tornaria ilusório.&lt;br /&gt;País sem conflitos externos, sem inimigos hereditários. sem diferen¬ças culturais gritantes. o Brasil tem tudo para assegurar a seus habitan¬tes pelo menos esse direito.&lt;br /&gt;preciso ficar vigilante para que a maré dos novíssimos particularis¬mos não chegue até nós, seja sob uma forma nacionalista, que nos leve a desenvolver fantasias xenó¬fobas, seja pela importação de uma ideologia da etnicidade, que 'esti¬mule a formação de identidades polonesas no Paraná, de identida¬des africanas na Bahia e de identi¬dades bororo no Mato Grosso.&lt;br /&gt;Cada vez que alguém começa a falar muito alto de "raízes" e de perda de identidade em conseqüência da invasão cultural estrangeira. está na hora de procurar a saída de emergência: a doutrina do "sangue e do solo" não está longe. Nada poderia frustrar mais radicalmente o exercício do direito à paz, porque a etnicidade não é outra coisa que a mitologilização neo-romântica-' da violência, uma ideologia que faz um SS pensar que é Siegfried e que o autoriza a metralhar um gueto em nome de suas raízes germânicas.&lt;br /&gt;Para os que alegam que no Bra¬sil esses extremos são inconcebí¬veis, respondo que uma política da etnicidade que tenha Macunaíma como herói é muito mais simpática que a que tem Odin  como figura totêmica, mas na dúvida é preferí¬vel evitar até um -caráter nacional baseado na falta de caráter: no fri¬gir dos ovos, Macunaíma pode se esquecer de dizer "ai, que pregui¬ça" e, numa crise de heroísmo. de¬fender pela violência essa identida¬de negativa, esmigalhando-se com seu tacape miolos inocentes. De novo, Voltaire tem razão, sem doses suficientes de universalismo que permitam estabelecer diálogos transnacionais e transculturais, - re¬lativizando todas as identidades coletivas, o direito à paz, exteira e interna. poderia ser ameaçado no Brasil.&lt;br /&gt;Eis a atualidade de Voltaite: a exacerbação, hoje em dia, do fana¬tismo, da tirania, da injustiça-, da miséria e da violência, mostram como precisamos do homem cuja mensagem infatigável foi a defesa do direito à tolerância e à razão, do  -direito à liberdade individual &amp; coletiva. do direito à justiça e à equi¬dade. do direito ao desenvolvimento e ao bem-estar, do direito à paz e à universalidade.&lt;br /&gt;SÉRGIO PAULO ROAUNET é filósofo e embaixador de carreira. autor de "As Razões do Iluminismo". entre outros,- foi ministro da Cultura (governo Collor) e atualmente exerce o cargo de cônsul-geral do Brasil em Berlim (AIemanha.); o texto acima é um extrato de sua conferência no Simpósio Voltaire, em Ouro Preto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-2913273340708064609?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/2913273340708064609/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2010/11/guerra-sem-fim-da-razao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/2913273340708064609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/2913273340708064609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2010/11/guerra-sem-fim-da-razao.html' title='A guerra sem fim da razão'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-3624210920820154652</id><published>2010-11-11T09:04:00.000-08:00</published><updated>2010-11-11T09:04:32.229-08:00</updated><title type='text'>Letras e Luzes de Voltaire</title><content type='html'>Domingo  20 de novembro de 1994   mais!   Folha de São Paulo   6-4&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Letras e Luzes de Voltaire&lt;br /&gt;Amanhã faz 300 anos que o filósofo, dramaturgo, poeta e romancista François Marie Arouet nasceu em Paris&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RICARDO MUSSE&lt;br /&gt;Especial para a Folha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À luz da situação atual da divisão intelectual do trabalho, a obra de Voltaire, em seu conjunto, soa anacrônica, confusa e até mesmo incompreensível. Admitimos o in¬teresse por todos os assuntos da cultura humana em gênios de uma outra época, como Da Vinci. Mas por que Voltaire, cujas opiniões são tão próximas às nossas e tão de acordo com a realidade do mundo industrial, não se concentrou em especialidades determinadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa questão nem sempre é pos¬ta assim tão brutalmente. Aliás, na maioria das vezes, sequer é expli¬citada. Mas, nem por isso deixa de ser tematizada. Para uns, a trajetó¬ria de Voltaire resulta de um equívoco. Ele quis, inicialmente, ser o sucessor de Racine- logo, um continuador do classicismo poéti¬co-  visando, num arrivismo típi¬co da época, o aplauso e a proteção da corte. Idiossincrasias (dele e de Luís 15) e vicissitudes levaram-no, porém, à filosofia, ao combate duplo à religião e ao Antigo Regime, ou seja, à sua verdadeira vocação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para outros, porém, não se trata apenas da descoberta tardia de uma vocação autêntica, mas antes da disseminação de uma concepção filosófica em terrenos afins. As¬sim, a história e os contos voltaire¬anos-enunciados junto com a ru¬brica “filosóficos''-  são tomados como meros pretextos para a in¬vestigação filosófica, ou melhor, são avalizados enquanto suportes ideais para a difusão esclarecida de uma visão racional do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tese, inegável, do predomínio de uma concepção racional, os per¬mite compreender melhor, por exemplo, o assunto dos contos de Voltaire, ou o historiador. Senão, como bem mostra G. Lanson, co¬mo entender a disposição, aparen¬temente sem nexo, dos capítulos de "O século de Luís 14" a não ser pela subordinação da própria seqüência histórica a uma idéia geral, a um plano predeterminado? No entanto, essa explicação deixa de lado partes importantes da obra de Voltaire. Não contempla as tragé¬dias, a poesia épica, certas sátiras ou mesmo porções de livros de his¬tória onde a preocupação com a exatidão se sobrepõe às teses da fi¬losofia da história. Mais ainda, altera completamente o significado peculiar que o século 18 francês deu ao termo filosofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o que faz com que os especialistas de hoje dêem pouca atenção à obra de Voltaire ou o vejam como um mero diletante- para historiadores, trata-se sobretudo de um filósofo que  cometeu" livros de história; para os literatos, de um autor de romances de teses; e mesmo para filósofos, apenas de um autor menor incapaz de vôos metafísicos ou de desen¬volver um sistema próprio -é a enorme distância que separa a atual divisão universitária em faculdades e saberes distintos das práticas e tarefas intelectuais do séc. 18. Por filósofo, compreendia-se na época, não autores de tratados teóricos, ou mestres-pregadores a doutrinar dis¬cípulos, mas sim aquele que dá o exemplo vivo de liberdade, de in¬dependência e de audácia no exercício cotidiano do discernimento e da razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a partir desse conceito de filo¬sofia que designa antes uma atitu¬de do espírito e uma forma de re¬flexão do que a atividade solitária do construtor de sistemas, que de¬vemos medir e tentar compreender a obra de Voltaire. Neste padrão, a maior parte das considerações aca¬dêmicas perdem a pertinência. Afi¬nal, como acusá-lo de diletantis¬mo, se o que importava para os ilu¬ministas era abordar tantos campos quanto possível substituindo, com a aplicação dos princípios da ra¬zão. a tutela da metafísica e da teo¬logia? Como acusá-lo de pouco dotado para a ''especulação)'', se se tratava de um pensamento anti¬sistemático, avesso as indagações da metafísica e voltado essencialmente para a ação humana. para a intervenção esclarecida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais ainda. E esse conceito de filosofia. com seu interesse priori¬tário no bem-estar social e sua aversão à especialização, que torrna inteligível tanto algumas de suas opções teóricas quanto o seu des¬leixo voluntário frente às especificidades dos diversos saberes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sobretudo um interesse práti¬co-  a preocupação em fazer da re¬construção do passado um conhecimento útil para a ação do presente- que o impulsiona, por exemplo. a fazer da história um conheci¬mento humano e dessacralizado. A discordância em relação à concep¬ção de Bossuet de Providência di¬vina é apenas o caminho teórico que lhe permite clarificar melhor a sua tarefa. Mesmo a sua recusa em procurar respostas definitivas às questões últimas decorre antes de uma distinção entre o que importa -a ação sobre o mundo social- e o que é inútil -indagações metafísicas-, do que da adoção de uma variante da teoria do conhecimento de Locke.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A distinção usual, na seara aca¬dêmica. entre saberes, a cataloga¬ção dos textos em disciplinas espe¬cíficas não se aplicam sem dificul¬dades à obra de Voltaire. Já se dis¬se aqui que seus livros de história e seus contos devem muito à filosofia. Mas a recíproca também é verdadeira. A forma de seus textos mais filosóficos (aqueles que con¬tém esse termo no titulo), a clareza e o refinamento do estilo, a presen¬ça de um enfoque e de uma erudi¬ção histórica reafirmam, por sua vez, a sua condição de escritor e de historiador. Na verdade isso nos le¬va a pensar que a melhor definição de sua atividade seja dada por aquele termo cujo verbete ele fez questão de redigir na 'Enciclopé¬dia": "homme de lettres". Se é assim -respondendo sucintamen¬te à questão inicial- a maior infi¬delidade possível para com Voltai¬re seria confundir sua fé no pro¬gresso da civilização com o mal-estar que a racionalização do mun¬do industrial nos legou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RICARDO MUSSE e professor de filosofia na Unesp &lt;Universidade Estadual Paulista)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-3624210920820154652?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/3624210920820154652/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2010/11/letras-e-luzes-de-voltaire.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/3624210920820154652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/3624210920820154652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2010/11/letras-e-luzes-de-voltaire.html' title='Letras e Luzes de Voltaire'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-8187551779984517256</id><published>2010-08-13T16:23:00.000-07:00</published><updated>2010-08-13T16:27:09.188-07:00</updated><title type='text'>A TEORIA DE MARX, A CRISE E A ABOLIÇÃO DO CAPITALISMO</title><content type='html'>&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://obeco.planetaclix.pt/robertkurz.htm" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Robert  Kurz&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: x-large;"&gt;A TEORIA DE MARX, A CRISE E A  ABOLIÇÃO DO CAPITALISMO&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: x-large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Perguntas e respostas sobre a situação histórica da crítica  social radical&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;Nota: A entrevista que se segue  constitui a introdução a uma colectânea de análises e ensaios do autor a  publicar em França.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;O que torna esta crise diferente das  anteriores?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;O capitalismo não é o eterno retorno cíclico do mesmo, mas  um processo histórico dinâmico. Cada grande crise se encontra num nível de  acumulação e de produtividade superior aos do passado. Portanto, a questão da  dominação ou não dominação da crise coloca-se de forma sempre nova. Os  mecanismos anteriores de solução perderam a validade. As crises do século XIX  foram superadas porque o capitalismo ainda não tinha coberto toda a reprodução  social. Havia ainda um espaço interno de desenvolvimento industrial. A crise  económica mundial dos anos de 1930 foi uma ruptura estrutural num nível muito  mais elevado de industrialização. Ela foi dominada através de novas indústrias  fordistas e da regulação keynesiana, cujo protótipo foram as economias de guerra  da II Guerra Mundial. Quando a acumulação fordista esbarrou nos seus limites,  na década de 1970, o keynesianismo desembocou numa política inflacionista, com  base no crédito público. A chamada revolução neo-liberal, no entanto, apenas  deslocou o problema do crédito público para os mercados financeiros. O pano de  fundo era uma nova ruptura estrutural do desenvolvimento capitalista, marcado  pela terceira revolução industrial da microeletrónica. Neste nível  qualitativamente diferente de produtividade já não foi possível desenvolver  qualquer terreno de acumulação real. Por isso se desenvolveu durante mais de  duas décadas, com base no endividamento e em bolhas financeiras sem substância,  uma conjuntura económica global baseada no deficit, que não poderia ser  duradouramente sustentável. Toda a era neo-liberal da desregulamentação foi  acompanhada por uma cadeia sem precedentes históricos de crises financeiras e de  endividamento. Enquanto essas crises estiveram limitadas a certas regiões mundia  is ou sectores elas puderam ser contidas por uma enxurrada de dinheiro dos ba  ncos centrais. Mas isso só criou as bases para o culminar do processo de crise.  Desde o Outono de 2008, a crise da terceira revolução industrial assumiu uma  dimensão global. O estouro das bolhas financeiras agora traz à tona a falta de  acumulação real. O novo keynesianismo de crise, entretanto, apenas deslocou o  problema do mercado financeiro novamente para o crédito público, mas num nível  muito mais elevado do que na década de 1970. O Estado tem tão pouca competência  agora como tinha então para subsidiar a falta de acumulação real a longo prazo.  A crise dos mercados financeiros é substituída pela crise das finanças públicas;  a Grécia é apenas a ponta do iceberg, como caso de actualidade. O deslocamento  forçado e sem imaginação do problema de volta ao Estado mostra que não existem  actualmente novos mecanismos de solução da crise no nível de produtividade  alcançado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Você acha que o capitalismo está chegando ao fim. Estamos,  pela primeira vez na história, perante a possibilidade de ir além do  capitalismo? O capitalismo teve de desenvolver as suas contradições internas até  este ponto para isso ser possível? Antes era impossível?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;A dinâmica cega do capitalismo se desdobra de acordo com  suas próprias leis internas. Este processo, no entanto, apenas é "necessário" e,  até certo ponto, determinado, na medida em que as categorias de base e os  critérios deste modo histórico de produção e de vida não são postos em questão  na prática. Com uma intervenção adequada, o capitalismo poderia ter sido  interrompido em qualquer das fases do seu desenvolvimento. Então a socialização  da produção teria tomado um rumo diferente, sobre o qual não podemos dizer nada  porque ele não ocorreu realmente. Não é uma questão de necessidade objectiva,  mas uma questão da consciência crítica. Nem as rebeliões do século XVIII e  início do século XIX, nem o velho movimento operário, nem sequer os novos  movimentos sociais das últimas décadas foram capazes de produzir tal  consciência. Pelo contrário, as formas capitalistas de trabalho abstracto, de  valorização do valor e de Estado moderno foram cada vez mais internalizadas. Mas  isto apenas foi assim factualmente. Portanto, o capitalismo não “tinha de”  desenvolver as suas contradições internas até ao ponto alcançado hoje, mas foi  isso mesmo que ele fez. Agora, somos confrontados com a tarefa de formular de  novo a crítica das formas capitalistas e o programa para a sua abolição, no  nível das contradições alcançado. Esta é simplesmente a nossa situação  histórica, e é inútil lamentar a batalhas perdidas do passado. Embora o  capitalismo esbarre objectivamente no seu limite histórico absoluto, a  emancipação ainda pode falhar hoje, por falta de suficiente consciência crítica.  Então o resultado já não seria uma nova primavera de acumulação, mas, como disse  Marx, a eventual queda colectiva na barbárie.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;De acordo com a crítica do valor (da teoria de Marx) a  ligação valor-preço passa por um número infindável de mediações. Essa ligação é  extremamente flexível. Como podemos então dizer que o capital atingiu o seu  limite interno?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;As formas de mediação de valor e preço não são de uma  multiplicidade infinita, elas formam uma sucessão de etapas geralmente  determinável, cujo regulador é a concorrência. O número de transacções  individuais, pelo contrário, é que se pode caracterizar como quase infinito. Mas  isso é outra coisa. Devido ao grande número de transacções empíricas, a todos os  níveis do capital-mercadoria, do capital-dinheiro e do crédito, que também só  insuficientemente são abrangidos pelas estatísticas burguesas, a situação da  valorização real nunca pode ser determinada exactamente. Há sempre uma certa  tensão entre teoria e empiria. No entanto, a teoria dos fenómenos observáveis  pode ser posta em relação com o processo interno essencial da valorização. Pois  o enlace das mediações de valor e pre ço é realmente complexo, mas de modo  nenhum infinitamente flexível. O movimento da concorrência em milhares de  milhões de transacções individuais relaciona-se com a massa de valor real de  toda a sociedade, que não pode ser de imediato determinada empiricamente. Esta  massa de valor real está vinculada, de acordo com Marx, à substância do trabalho  abstracto, ou seja, à massa de energia humana abstracta utilizada no espaço  funcional do capital. O capital, por outro lado, não pode usar arbitrariamente  muita força de trabalho humana, mas somente em conformidade com o padrão  pertinente de produtividade, que por sua vez é imposto pela concorrência. As  formas intermediárias entre valor e preço não são, portanto, arbitrariamente  flexíveis; a sua flexibilidade tem por limite a quantidade real de substância  social que lhes está subjacente. No entanto, é sempre apenas&amp;nbsp;&lt;em&gt;ex  post&amp;nbsp;&lt;/em&gt;que se verifica empiricamente se as relações sociais valor-preço são  su bstancialmente ajustadas ou se representam apenas ar quente. É precisamente  por essa situaçã o que passamos na actual crise. Assim se comprova na prática  que a ideia de uma flexibilidade infinita dos preços em relação à substância do  valor não passava de uma grandiosa ilusão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;O senhor lê a teoria de Marx da crise como uma teoria do  colapso, uma teoria baseada na ideia de uma subprodução de capital. Outros  marxistas (Grossmann, Mattick) o fizeram antes, mas essa crítica foi sempre  ultraminoritária. Os marxistas – fossem quais fossem as suas diferenças – sempre  leram e ainda lêem a teoria de Marx como uma teoria da distribuição desigual da  riqueza (distribuição desigual essa que teria a sua origem na especulação, na  desregulamentação, na busca de superlucros nos mercados financeiros) e rejeitam  a teoria do colapso. Serão ambas estas leituras de Marx justificadas pelo  próprio Marx? Existe um duplo Marx?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;O termo “colapso” é metafórico e sugestivo. Foi usado por  Eduard Bernstein, sem qualquer reflexão teórica, para desqualificar  completamente a teoria da crise de Marx, sob o impacto do desenvolvimento  capitalista empírico no fim do século XIX. O termo aparece no chamado fragmento  sobre as máquinas dos&amp;nbsp;&lt;em&gt;Grundrisse&lt;/em&gt;, que nem Bernstein nem os seus  adversários conheciam, porque os&amp;nbsp;&lt;em&gt;Grundrisse&lt;/em&gt;&amp;nbsp;só foram publicados muito  mais tarde. No terceiro volume de&amp;nbsp;&lt;em&gt;O Capital&lt;/em&gt;&amp;nbsp;Marx fala exactamente de um  "limite interno do capital" que acaba por se tornar absoluto. As anteriores  “teorias do colapso" minoritárias de Rosa Luxemburgo e Henryk Grossman  argumentavam com a falta de "realização" da mais-valia (Luxemburgo), ou com uma  "sobreacumulação" de capital (Grossmann), que não poderia ser reinvestido  suficientemente. Paul Mattick cedo se distanciou da teoria do limite interno  objectivo do capital; tal como os leninistas, ele identificou o "colapso" com a  acção política do proletariado. Em Marx, existem dois níveis diferentes da  teoria da crise, que não estão teoricamente unificados. O primeiro nível  refere-se às contradições da circulação do capital: à disparidade entre compras  e vendas, bem como à desproporcionalidade com esta relacionada entre os ramos da  produção. O segundo nível, nos&amp;nbsp;&lt;em&gt;Grundrisse&lt;/em&gt;&amp;nbsp;e no terceiro volume de&amp;nbsp;&lt;em&gt;O  Capital&lt;/em&gt;, refere-se muito mais fundamentalmente à relação entre a  produtividade e as condições da valorização, ou seja, à falta de produção da  própria mais-valia, ao tornar-se supérflua demasiada força de trabalho. Apenas  as contradições da circulação desempenharam um papel nas teorias da crise  marxistas; a questão da falta de substância real de trabalho não foi objecto de  qualqu er debate. Na terceira revolução industrial, no en tanto, apenas o  segundo nível mais profundo da teoria da crise de Marx se torna relevante. A  "dessubstancialização" real do capital está tão avançada que apenas é possível  uma acumulação aparente insubstancial, através das bolhas financeiras e do  crédito público, a qual actualmente atinge os seus limites. O que está em causa  já não é a distribuição desigual da “riqueza abstracta" (Marx), mas sim a  libertação da riqueza concreta do fetichismo do capital e das suas formas  abstractas. A maioria dos marxistas contemporâneos, porém, regrediram para trás  até mesmo das teorias da crise anteriores e limitam-se a assumir o clássico  ponto de vista pequeno-burguês de uma crítica ao "capital financeiro”. Confundem  causa e efeito: reduzem a crise não à falta objectiva de produção real de valor,  mas à ganância subjectiva dos especuladores. O modo de produção capitalista não  é mais criticado nos seus fundamentos; só se pretende voltar à configuração  fordista do trabalho abstracto. Esta opção não é apenas ilusória, é também  reaccionária. E tem uma semelhança estrutural com a ideologia económica do  anti-semitismo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Você, Robert Kurz, e Moishe Postone, cujo livro "Tempo,  trabalho e dominação social" está publicado em francês, desenvolveis dois tipos  de crítica do valor que divergem num ponto central. Para si, com os ganhos de  produtividade o capital perde substância (trabalho abstracto) e, na terceira  revolução industrial da microeletrónica, essa substância é perdida completamente  pelo capital. Para Postone, pelo contrário, os ganhos de produtividade fazem  crescer o valor – provisoriamente. Depois de o ganho de produtividade ser  generalizado, o aumento de valor é anulado, regredindo a unidade básica do  trabalho abstracto (a hora de trabalho) para o seu nível inicial. Assim, para  você o valor desmorona-se, enquanto para Postone o valor se expande  incessantemente, para em seguida retornar ao seu ponto de partida. Daí a  pergunta: ist o não destrói a plausibilidade da crítica do valor? Ou deve-se ver  aqui um momento provisório?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;O ponto em comum com Postone é a crítica do conceito de  trabalho do marxismo tradicional. O entendimento tradicional transformou o  conceito de trabalho abstracto, em Marx puramente negativo, crítico e histórico,  numa definição positivista, reinterpretando-o como condição eterna da  humanidade. Em Postone, no entanto, falta a dimensão da teoria da crise na  crítica do trabalho abstracto; nesta questão ele próprio permanece tradicional.  O aumento da produtividade significa que menos energia humana produz mais  produto material. Portanto, a produtividade nunca aumenta o valor, mas sempre o  diminui, como Marx mostra logo no primeiro volume de&amp;nbsp;&lt;em&gt;O Capital&lt;/em&gt;. Quem  afirma o contrário confunde o nível social com o nível da economia empresarial,  ou a totalidade do capital com o capital individual. O capital individual que  em primeiro lugar aumenta isoladamente a sua própria produtividade consegue uma  vantagem na concorrência. Ele oferece os produtos individuais mais baratos,  conseguindo assim vender mais mercadorias e, precisamente por isso, realizar  para si próprio uma parte maior da massa de valor social. O que do ponto de  vista da economia empresarial surge como lucro crescente e, portanto, como  crescente “criação de valor” conduz socialmente, no entanto, à diminuição do  valor, e na verdade em detrimento dos outros capitais individuais. Se a maior  produtividade se generalizar, o capital individual inovador perde a sua vantagem  na concorrência. Mas isso não é de forma alguma o regresso a zero ou a um ponto  de partida anterior. Pelo contrário, a produtividade aumentada torna-se agora o  novo padrão geral. A hora de trabalho, como unidade básica de trabalho  abstracto, é sempre a mesma, como tal não pode de modo nenhum ter diferentes  "níveis". O padrão novo e mais elevado de produtividade, no entanto, obriga a  que sejam necessárias menos destas horas sempre iguais de trabalho abstracto  para uma massa crescente de produtos. Se na crise se desvaloriza e destrói  capital, apesar disso o padrão de produtividade atingido permanece, porque está  inscrito no conjunto do conhecimento e do&amp;nbsp;&lt;em&gt;know how&lt;/em&gt;. Para ser claro: o  capitalismo não pode retornar do nível da microeletrónica ao nível da máquina a  vapor. Um novo aumento do valor torna-se cada vez mais difícil perante níveis de  produtividade cada vez mais elevados e, consequentemente, com uma substância de  trabalho abstracto cada vez menor. No passado, a redução constante do valor era  apenas relativa. Com o aumento dos padrões de produtividade, o produto  individual podia representar cada vez menos trabalho abstracto e, portanto, cada  vez menos valor. No entanto, graças ao embaratecimento respectivo, cada vez mais  bens anteriormente de luxo entraram no consumo de massas, alargando-se a  produção e os mercados. A relativa redução d a substância social de valor por  produto individual pôde, portanto, levar ainda a um aumento absoluto da massa  total de valor social, porque a produção social alargada no seu conjunto  mobilizava mais trabalho abstracto do que o tornado supérfluo no fabrico dos  produtos individuais. Isto prende-se com o mecanismo designado por Marx como  produção de “mais-valia relativa”. O mesmo processo, que reduz continuamente a  quota-parte da força de trabalho que produz valor no conjunto do capital, faz  baixar também, juntamente com o valor dos alimentos necessários à reprodução  dessa força de trabalho, o valor dela própria e, portanto, aumenta a quota-parte  da mais-valia na produção total de valor. Mas isto aplica-se apenas à força de  trabalho individual. Para apurar a quantidade social de valor e de mais-valia,  porém, é decisiva a relação entre o aumento da mais-valia relativa por força de  trabalho individual e o número de forças de trabalho que podem ser socialmente  utilizadas em confo rmidade com o padrão de produtividade. No fragmento sobre as  máquinas dos&amp;nbsp;&lt;em&gt;Grundrisse&lt;/em&gt;&amp;nbsp;e no terceiro volume de&amp;nbsp;&lt;em&gt;O  Capital,&lt;/em&gt;&amp;nbsp;Marx faz notar que o aumento de produtividade deve logicamente  chegar a um ponto em que será dispensado mais trabalho abstracto do que poderá  ser adicionalmente mobilizado ainda pela expansão dos mercados e da produção.  Então também o aumento da mais-valia relativa por trabalhador individual não  adiantará nada, porque o número de trabalhadores no conjunto utilizáveis diminui  muito. Pode-se mostrar que este ponto abstractamente antecipado por Marx é  atingido histórica e concretamente com a terceira revolução industrial. Se assim  não fosse o capital teria podido mobilizar bastante trabalho abstracto na base  dos seus próprios fundamentos produtivos, e aumentar a produção de valor real,  em vez de ter de subsidiá-la numa escala sem precedentes, através de  endividamento, bolhas financeiras e crédito público. O choque da desvalorização  a todos os nív eis do capital está em curso à nossa vista. Mas agora menos do  que nunca haverá o regresso a um ponto zero, a partir do qual todo o teatro  pudesse começar novamente. Pelo contrário, mantém-se a causa fundamental do  desastre, ou seja, o novo padrão de produtividade estabelecido irreversivelmente  pela terceira revolução industrial. Portanto, já só resta a criação repetida de  novo capital monetário insubstancial pelos Estados e pelos bancos, capital que  repetidamente entrará em colapso, com intervalos cada vez mais  curtos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;A crítica do valor é sempre confrontada com a seguinte  objecção: Se não houver um sujeito de classe revolucionário, um grupo social por  natureza portador da consciência, que interesses haverá então que levem a querer  uma sociedade fundamentalmente humana e verdadeiramente  histórica?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;O conceito de sujeito, no fundo, é paradoxal, é um conceito  fetichista. Por um lado, o sujeito é entendido como uma instância de pensamento  e de acção autónomos. Por outro lado, porém, este mesmo sujeito, justamente na  sua qualidade de sujeito revolucionário de classe, deve ser condicionado de modo  puramente objectivo. Ele deve ter "objectivamente" uma "missão histórica",  independentemente de os seus titulares empíricos saberem disso ou não. A suposta  autonomia de pensamento e de acção desmente-se a si mesma se assenta numa  pré-determinação inconsciente. É como se a crítica radical não fosse uma acção  da consciência, livre e não-determinada, mas sim um mecanismo causalmente  condicionado, como o tempo ou a digestão. A função da consciência seria então,  apenas, consumar conscientemente a própria causalidade. Mas e ssa é precisamente  a determinação fetichista do pensamento e da acção no domínio do capital. Se a  emancipação enquanto sujeito, embora consciente, só deve ocorrer como um  processo natural ou mecânico, então será o contrário de si mesma. Pode-se  determinar objectivamente os mecanismos cegos do capital, mas não a libertação  da falsa objectividade, libertação essa que não pode voltar a ser de novo  objectiva. A libertação é um facto histórico e, portanto, não pode ser  teoricamente “deduzida”, como a queda tendencial da taxa de lucro. O famoso  "sujeito objectivo" do marxismo tradicional não é senão uma categoria do próprio  capital, ou uma função do "sujeito automático" (Marx) do trabalho abstracto e do  valor. Não existe nenhum grupo social no capitalismo que tenha uma  pré-determinação ontológica transcendente. Todos os grupos sociais são  pré-formados pelo valor e, portanto, constituídos de modo capitalista. Quando se  fala de "interesses" é preciso fa zer uma distinção. Há, por um lado,  os&amp;nbsp;&lt;em&gt;interesses vitais&lt;/em&gt;&amp;nbsp;das pessoas, de conteúdos materiais, sociais e  culturais, que são idênticos às suas necessidades históricas. Estes conteúdos  estão, por outro lado, amarrados à forma capitalista. O conteúdo real das  necessidades é assim visto como secundário; apenas o interesse capitalista,  constituído sob a forma de dinheiro (salário e lucro), é imediatamente  percebido. Claro que é inevitável que as necessidades reais ou interesses vitais  sejam reivindicados em primeiro lugar na forma capitalista vigente. No entanto,  se a diferença entre o conteúdo e a forma deixar de ser vista, esse interesse  vira-se contra os seus titulares: estes tornam então os seus interesses  dependentes, para a vida e para a morte, de que a valorização do capital  funcione. Reduzem-se a si mesmos a um “sujeito objectivo" que entrega a sua vida  às leis do capital e considera essa s ubmissão normal. Pelo contrário, é  importante declarar o conteúdo real d as necessidades como absolutamente  inegociável. Somente então existe a possibilidade de intensificar a tensão entre  a forma capitalista e este conteúdo, até à crítica que transcenda para além do  capital. Isso não será acto de um "sujeito objectivo”, mas de seres humanos, que  apenas querem sê-lo e nada mais. Um movimento emancipatório não tem qualquer  fundamento ontológico pré-consciente, pelo contrário, tem de constituir-se a si  mesmo, “sem rede nem fundo duplo”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Uma empresa, um hospital ou uma escola estão em greve.  Luta-se pela preservação dos empregos, contra a deterioração das condições de  trabalho e contra os cortes salariais... ou então os trabalhadores já não lutam  pela preservação dos postos de trabalho, mas ameaçam “fazer tudo ir pelos ares”  para receberem indemnizações de saída decentes (isso já aconteceu várias vezes  em França). Como há-de reagir a isso quem se relaciona positivamente com a  crítica do valor? Que atitude tomar face aos sindicatos e aos  média?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;A crítica do valor não é simplesmente contra as lutas  sociais imanentes ao capitalismo. Estas são um ponto de partida necessário. No  entanto, a questão é saber em que sentido se desenvolvem tais lutas. Aqui a  fundamentação desempenha um papel importante. Os sindicatos habituaram-se a  apresentar as suas exigências não como decorrendo das necessidades dos seus  membros, mas como contribuição para o melhor funcionamento do sistema. Assim,  diz-se que seriam necessários salários mais altos para fortalecer a conjuntura  económica, e que eles seriam possíveis porque o capital tem altos lucros. Mas,  logo que a valorização do capital obviamente emperra, esta atitude leva a  render-se voluntariamente à co-gestão da crise, no "superior interesse" da  economia da empresa, das leis do mercado, da nação, etc . Esta falsa consciência  existe não apenas entre os profissionais dos sindicatos, mas também nas chamadas  bases. Se as trabalhadoras e trabalhadores assalariados se identificam com a sua  própria função no capitalismo e exigem aquilo que precisam apenas em nome dessa  função, tornam-se eles próprios “máscaras de carácter” (Marx) de um determinado  componente do capital, nomeadamente a força de trabalho. Assim, eles reconhecem  que apenas têm direito à vida se conseguirem produzir mais-valia. Daqui decorre  uma concorrência acirrada entre as diversas categorias de trabalhadoras e  trabalhadores assalariados e uma ideologia de exclusão social darwinista. Isto é  particularmente evidente na luta defensiva pela conservação dos postos de  trabalho, que não tem qualquer perspectiva para além disso. Aqui muitas vezes  concorrem entre si pela sobrevivência até os empregados das diferentes empresas  do mesmo grupo. Portanto, é essencialmente simpático, e de resto t ambém mais  realista, que os trabalhadores franceses tenham am eaçado fazer explodir as  fábricas para forçarem a obtenção de uma indemnização de despedimento razoável.  Estas novas formas de luta não são defensivas nem positivas, mas poderão ser  combinadas com outras reivindicações, como por exemplo a melhoria do rendimento  dos desempregados. Na medida em que de tais lutas sociais surja um movimento  social, também este, com a experiência dos seus limites práticos, se confrontará  com as questões de uma nova “crítica categorial” ao fim em si fetichista do  capital e das suas formas sociais. A concretização desta perspectiva avançada é  a tarefa da nossa elaboração teórica, que não existe num Além abstracto, mas se  entende como momento do debate social.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Para os anti-industrialistas, a emancipação do capitalismo  é sinónimo de retorno à sociedade agrária (Kaczynski, ‘Encyclopédie des  Nuisances’ etc.) Para os adeptos do decrescimento (Décroissants) emancipação  significa saída do capitalismo – mas, como eles escondem a ligação entre  produção e valor, a sua crítica não passa de pura moral de renúncia para tempos  de crise. Para si em que consiste a sociedade  pós-capitalista?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Já Marx disse, com razão, que o anti-industrialismo  abstracto é reaccionário, porque joga fora o potencial de socialização e, tal  como os apologistas do capitalismo, só consegue imaginar um contexto geral da  reprodução social nas formas do capital. O anti-industrialismo conclui que a  auto-determinação humana só poderá ser à custa da “dessocialização”, em pequenas  redes baseadas na economia de subsistência (&lt;em&gt;small is beautiful&lt;/em&gt;). O  regresso postulado à reprodução agrária é apenas o aspecto material desta  ideologia. No lugar de uma divisão de funções amplamente diversificada e  entrelaçada deve entrar o “faça você mesmo” imediato. Trata-se de uma fantasia  económica que constitui um aspecto do que Adorno chamou "falsa imediatidade”. Se  essas condições fossem realizadas, uma grande parte da humanidade actual teria  de passar fo me. Não é melhor a crítica do crescimento, igualmente abstracta,  que hoje está na moda e que pretende uma "produção de mercadorias simples", sem  a coerção do crescimento, ou substitutos das relações contratuais burguesas, em  pequenos contextos de cooperação. O que, no espaço da língua alemã, se apresenta  como “economia solidária” não passa de um conglomerado de ideias  pequeno-burguesas que há muito falharam historicamente e que, sob as novas  condições de crise, não oferecem qualquer perspectiva. Tais ideias são um mero  subterfúgio. Não querem entrar em conflito com a administração da crise, mas sim  cultivar o seu próprio idílio imaginário, "ao lado" da síntese social real feita  pelo capital. Na prática esses projectos são completamente irrelevantes. Eles  representam apenas uma ideologia "de bons sentimentos" de esquerdas  desorientadas, que pretendem auto-iludir-se no capitalismo de crise e correm o  risco de tornar-se elas próprias um recurso da administração da crise. A  questão, pelo contrário, é libertar a reprodução social do fetiche do capital e  das suas formas basilares. As potências de socialização são determinadas no  capitalismo de modo puramente negativo, como submissão dos seres humanos ao fim  em si mesmo da valorização. Até o lado material da produção industrial obedece a  este imperativo do "sujeito automático" (Marx). Portanto, o conteúdo material da  socialização industrial não pode ser superado positivamente, mas tem de ser  abolido juntamente com as formas fetichistas do capital. Isso afecta não só as  relações sociais de produção, mas também a relação com a natureza. Não se trata,  por conseguinte, de assumir a indústria capitalista e o produtivismo que lhe é  inerente sem rupturas. No entanto, um “anti-produtivismo” igualmente abstracto,  ou a regressão a uma pobreza idílica em economia de subsistência e à atmosfera  socialmente opressiva de confusas "comunidades", não é alternativa, mas apenas o  reverso da mesma medalha. A tarefa é, pois, revolucionar as próprias condições  materiais de produção ao nível social global e tomar como objectivo as  necessidades, bem como a preservação das bases naturais. Isto significa que não  poderá haver mais desenvolvimento descontrolado segundo o critério geral e  abstracto da chamada racionalidade da economia empresarial. Os diversos momentos  da reprodução social devem ser considerados no contexto da lógica própria do  respectivo conteúdo. Por exemplo, os cuidados médicos e a educação não podem ser  organizados segundo o mesmo padrão da produção de máquinas de perfurar ou de  rolamentos de esferas. As infra-estruturas sociais ultrapassaram em geral a  forma do valor, em consequência da "cientificização". Mesmo dentro da própria  indústria, tem de ser suplantada esta lógica do valor, que transforma as forças  pro dutivas em forças destrutivas, enquanto vai desbastando domínios necessários  à vida, por falta de "rentabi lidade". Assim, a mobilidade não deve ser  eliminada, ou reduzida ao nível de carroças puxadas por burros, mas sim,  partindo da forma destrutiva do transporte automóvel individual, transformada  numa rede qualitativamente nova de transportes públicos. Os “excrementos da  produção” (Marx) não podem continuar a ser espalhados na natureza, em vez de  serem integrados num circuito industrial. E a "cultura de combustão" capitalista  não pode ser mantida, exigindo-se, pelo contrário, um uso diferente dos  materiais energéticos fósseis. Finalmente, é preciso que os momentos da  reprodução insusceptíveis de serem abrangidos pelo valor e pelo trabalho  abstracto, que foram dissociados da sociedade oficial e historicamente delegados  nas mulheres (trabalho doméstico, acompanhamento, cuidados etc.), sejam  organizados de forma conscientemente social e descolados da sua fixação sexual.  Esta ampla diversificação da produção industrial e dos serviços, segundo  critérios puramente qual itativos, é algo diferente de um anti-industrialismo  abstracto; mas exige a abolição da razão capitalista, da síntese através do  valor e do cálculo económico empresarial daí resultante. Isto só funciona como  processo social, por meio de um contramovimento social da própria sociedade, e  não através "modelos" pseudo-utópicos, que apenas teriam de ser generalizados. A  sociedade pós-capitalista não pode ser pintada como um “modelo” positivo que se  deva apresentar completamente pronto. Isso não seria concretização nenhuma, pelo  contrário, não passaria de uma patética abstracção e mais uma antecipação da  falsa objectividade, precisamente a mesma que tem de ser abolida. O que a teoria  pode desenvolver como crítica do economismo capitalista são critérios de uma  socialização diferente. Aqui se inclui, antes de mais, um plane amento social  consciente dos recursos, que deve tomar o lugar da dinâmica cega das “leis  coercivas da concorrência" (Marx). O planeamento social ca iu em descrédito,  mesmo na esquerda, porque o seu conceito nunca foi além da compreensão do  extinto socialismo de Estado burocrático. Mas esse socialismo não constituiu  qualquer alternativa ao capitalismo, mas sim, essencialmente, uma "modernização  atrasada" na periferia do mercado mundial, que fez uso dos mecanismos do Estado  capitalista. A lógica do valor não foi abolida, mas apenas nacionalizada. A  consciência crítica não foi mais longe, nas condições de um desenvolvimento  ainda não esgotado do capital mundial. Não tinha de ser necessariamente assim,  mas é um facto histórico. Tratava-se apenas da participação das regiões  periféricas no mercado mundial com direitos iguais, participação em que acabaram  fracassando. Portanto, esta formação permaneceu prisioneira da aporia de um  “planeamento do valo r", que por natureza não é planeável, mas implica a  concorrência universal, sob os ditames do produtivismo abstracto. Se hoje a  socialização negativa através do valo r esbarra em limites históricos à escala  mundial, está na ordem do dia um novo paradigma de planeamento social, para além  do mercado e do Estado, para além do valor e do dinheiro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Tradicionalmente, a crítica do capitalismo fazia-se do  ponto de vista do trabalho. Para si, Robert Kurz, capital e trabalho não se  contradizem. Para si, o capitalismo é a sociedade do trabalho. Por que rejeita  você o trabalho?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;O conceito claramente crítico e negativo de trabalho  abstracto em Marx pode ser determinado como sinónimo da moderna categoria  “trabalho". Nas condições pré-modernas, às vezes não havia sequer essa  abstracção universal, outras vezes ela era determinada negativamente de maneira  diferente, ou seja, como actividade dos dependentes e subjugados (escravos).  "Trabalho" não é a mesma coisa que produção em geral, ou que “processo de  metabolismo com a natureza" (Marx), ainda que a terminologia de Marx sobre a  questão seja hesitante. Foi o capitalismo que, pela primeira vez, generalizou e  ideologizou positivamente a categoria negativa "trabalho" e deste modo levou à  inflação do conceito de trabalho. O cerne dessa generalização e falsa  ontologização do "trabalho" é constituído pela redução, hist oricamen te sem  precedentes, do processo de produção a um puro e simples dispêndio de energia  humana abstracta, ou de “nervo, músculo e cérebro" (Marx), com total indiferença  para com o conteúdo. Os produtos “são válidos” socialmente não como bens de uso,  mas como representações de trabalho abstracto passado. Sua expressão geral é o  dinheiro. Neste sentido, em Marx o trabalho abstracto, ou energia humana  abstracta, constitui a "substância" do capital. O fim em si mesmo fetichista da  valorização, de fazer de um euro dois euros, baseia-se no fim em si mesmo de  aumentar ininterruptamente o dispêndio de trabalho abstracto, sem levar em conta  as necessidades. Este imperativo absurdo, no entanto, está em contradição com o  aumento permanente da produtividade, que é imposto pela concorrência. A crítica  do capitalismo do ponto de vista do trabalho é uma impossibilidade lógica, uma  vez que não se pode criticar o capital a partir da sua própria substâ ncia. A  crítica do capitalism o tem de ser dirigida contra esta substância em si,  libertando a humanidade da sujeição ao trabalho abstracto forçado. Só então  poderá ser vencida a indiferença face ao conteúdo da reprodução e ser levado a  sério este mesmo conteúdo. Se o capital é entendido no sentido restrito, como  capital-dinheiro e capital físico ("capital constante" em Marx), há realmente  uma contradição funcional entre capital e trabalho. Trata-se de diferentes  interesses capitalistas num sistema de referência comum. Mas, se se compreende o  capital no sentido mais amplo de Marx, o trabalho é apenas a sua outra parte  integrante. Capital-dinheiro e capital físico representam "trabalho morto", a  força de trabalho (“capital variável” em Marx) representa “trabalho vivo".  Existem apenas diferentes "estados de agregação" do trabalho abstracto e,  portanto, do capital. Neste entendimento, a contradição é "interior" ao próprio  capital global, ou " sujeito automáti co", e não uma contradição que aponte para  além do capitalismo. O antigo movimento operário, enquanto não assumiu a posição  de libertar-se&amp;nbsp;&lt;em&gt;do trabalho abstracto&lt;/em&gt;, mas sim a posição de  libertar&amp;nbsp;&lt;em&gt;esse mesmo trabalho&lt;/em&gt;, ele próprio se amarrou a ser aquela mera  parte integrante do capital e a encontrar um duvidoso “reconhecimento” apenas  nesse sentido. Por conseguinte, no socialismo de Leste, aliás, capitalismo de  Estado, o trabalho abstracto não foi criticado nem abolido, mas usado pela  burocracia como categoria fundamental, na tentativa (falhada) duma  contabilização tecnocrática. Hoje, na terceira revolução industrial, o  capitalismo minou amplamente a sua própria substância de trabalho. Nos balanços  dos conglomerados empresariais, o trabalho já não desempenha qualquer papel  decisivo, como parte do capital. A produção industrial, e não só, é mais  influenciada pelo uso da ciência e da técnica do que pelo uso da actividade  humana produtiva imediata. A dinâmica cega do capitalismo ultrapassou na prática  e reduziu ao absurdo a ideia, já teoricamente sempre falsa, de um socialismo  baseado na contabilização do "tempo de trabalho”. O que precisa de ser planeado  numa sociedade pós-capitalista não é a quantidade de energia física humana, mas  sim o uso com sentido e pragmaticamente diversificado dos recursos naturais,  técnicos e intelectuais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times; font-size: medium;"&gt;&lt;a href="http://www.exit-online.org/druck.php?tabelle=autoren&amp;amp;posnr=449" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span lang="DE" style="color: black;"&gt;Original&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span lang="DE" style="color: black;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black;"&gt;MARXSCHE THEORIE,  KRISE UND ÜBERWINDUNG DES KAPITALISMUS&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span lang="DE" style="color: black;"&gt;in&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.exit-online.org/" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;www.exit-online.org&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;(13.05.2010).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Entrevista introdutória a uma colectânea de análises e  ensaios do autor a publicar em França.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="font-family: Times; font-size: medium;"&gt;&lt;a href="http://obeco.planetaclix.pt/" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;strong&gt;http://obeco.planetaclix.pt/&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-8187551779984517256?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/8187551779984517256/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2010/08/teoria-de-marx-crise-e-abolicao-do.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/8187551779984517256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/8187551779984517256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2010/08/teoria-de-marx-crise-e-abolicao-do.html' title='A TEORIA DE MARX, A CRISE E A ABOLIÇÃO DO CAPITALISMO'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-5873093838989257862</id><published>2010-06-28T11:04:00.000-07:00</published><updated>2010-06-28T11:04:10.341-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Platão matemático e Euclides e a curva de Gauss'/><title type='text'>Platão matemático e Euclides e a curva de Gauss</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Platão (427-347 a.C.) foi um filósofo entusiasta da matemática a qual via como uma ciência que independe da experiência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/TCjh9cUGETI/AAAAAAAACVY/zqpD6xhiRL4/s1600/225px-Euklid-von-Alexandria_1.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/TCjh9cUGETI/AAAAAAAACVY/zqpD6xhiRL4/s320/225px-Euklid-von-Alexandria_1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Já Euclides de Alexandria (c. 300 a.C.), na obra &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Os elementos &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;o uso exclusivo da régua e do compasso nas&amp;nbsp;construções&amp;nbsp;geométricas é uma constante. Os polígonos regulares&amp;nbsp;construídos&amp;nbsp;por Euclides destacam-se pela beleza e utilidade (triângulo, quadrado, pentágono, hexágono, decágono e pentadecágono). O pentágono regular é muito provavelmente uma herança da matemática pitagórica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Euclides - o boa luz - (figura ao lado) é sempre referido como o Pai da geometria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Karl Friedrich Gauss (1777-1855) conseguiu demonstrar que o heptadecágono regular (17 lados) pode ser&amp;nbsp;construído&amp;nbsp;com régua e compasso apenas..... Mais tarde ele descobriu uma regra geral pela qual se determina se um polígono regular pode ou não ser&amp;nbsp;construído&amp;nbsp;com régua e compasso. Foi uma menino prodígio....&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-5873093838989257862?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/5873093838989257862/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2010/06/platao-matematico-e-euclides-e-curva-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/5873093838989257862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/5873093838989257862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2010/06/platao-matematico-e-euclides-e-curva-de.html' title='Platão matemático e Euclides e a curva de Gauss'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/TCjh9cUGETI/AAAAAAAACVY/zqpD6xhiRL4/s72-c/225px-Euklid-von-Alexandria_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-8685320520467412296</id><published>2010-02-10T16:47:00.000-08:00</published><updated>2010-02-10T16:47:08.703-08:00</updated><title type='text'>As práticas de leitura enquanto práticas sociais</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;David Barton&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Em todas as colectividades, os modelos comuns libertam-se das actividades da leitura e da escrita. É preciso ver estas práticas como elementos das práticas sociais. As pessoas agem por uma razão qualquer; elas perseguem os seus objectivos. A leitura e a escrita servem outros fins. Normalmente, as pessoas não lêem por ler e não escrevem por escrever, lêem e escrevem para&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;fazer outra coisa, para atingirem outros fins. As pessoas querem saber a que horas parte um comboio ou como funciona um novo relógio ou um magnetoscópio; querem manter o contacto com um amigo; querem fazer-se entender. Têm que pagar as facturas, saber cozer um bolo de aniversário.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Ler e escrever podem fazer parte destas actividades sociais. Elas integram-se de diferentes maneiras_ Podem fazer parte da actividade ou ter uma relação mais complexa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Le_ escrever são muitas vezes uma opção entre outras para atingir um dado fim de comunicação; para saber a que horas parte um comboio, pode escolher-se entre perguntas, telefonar a alguém ou consultar um horário: para cada uma destas opções, é necessário de uma maneira ou de outra saber ler ou escrever. As opções podem variar de pessoa para pessoa, segundo as formas de comunicação privilegiadas. Considerar a leitura e a escrita sob o ângulo das práticas sociais faz ressaltar o objectivo que sustém as actividades; vemos também como a escrita se associa a outras formas de comunicação, particularmente a linguagem falada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;AS MUDANÇAS E O ACESSO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A leitura e a escrita estão ligadas de diversas maneiras às mudanças na vida das pessoas. Em primeiro lugar, as pessoas escrevem em determinadas épocas, em determinadas etapas particulares da sua vida. As exigências da vida mudam: há momentos em que há necessidade de escrever mais e outros em que é menos necessário. Isto pode explicar-se pelas mudanças no trabalho ou na vida pessoal. Por exemplo, as exigências alteram-se para os pais quando os filhos crescem e vão para a escola. É muitas vezes em ocasiões dessas que os adultos decidem voltar a escola. Querem mudanças na vida que a leitura e a escrita tornam possíveis. O acesso a cursos de formação de base e a diversos "ateliers" de escrita fazem nascer novas ocasiões de mudança. As pessoas não têm igual acesso à alfabetização.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Os laços que ligam o passado ao presente comportam já a ideia de mudança. De uma geração a outra as pessoas transmitem uma cultura. Nos nossos estudos sobre a alfabetização em Lancaster, podemos comparar diferentes gerações e ver como as práticas são transmitidas de uma para a outra. Historicamente, existem laços com as gerações anteriores e, no nosso actual estudo, podemos ver como as pessoas que encontrámos querem uma vida diferente para os seus filhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;in "Comprendre L'ALPHABmSME AU QUOTIDIEN-ALPHA 90.(Adaptado) Trad. D.G.E.E.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-8685320520467412296?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/8685320520467412296/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2010/02/as-praticas-de-leitura-enquanto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/8685320520467412296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/8685320520467412296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2010/02/as-praticas-de-leitura-enquanto.html' title='As práticas de leitura enquanto práticas sociais'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-7209662828922496169</id><published>2009-10-22T07:13:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T07:13:00.692-07:00</updated><title type='text'>Do poder da palavra</title><content type='html'>DO PODER DA PALAVRA&lt;br /&gt;ADÉLIA BEZERRA DE MENESES &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em "As 1001 Noites", Sheherazade vence a morte e o poder, propiciando a cura através de um discurso vivo, corpóreo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“As 1001 Noites" em geral nos chegaram através de antologias infantis. Conhececemos as  Histórias: "Sindbád, O Marujo", "Aladim e a Lâmpada Maravilhosa¬”, "O Pescador e o Gênio”  etc. Mas tais antolo¬gias acabam por privar o leitor do plano geral da obra - a estrutura de encaixe dos contos, embutido uns dentro de outros- e, sobretudo, da poderosa figura da Shehera¬zade, que vence a morte através da Literatura. Tra¬ta-se da maior apologia da Palavra, de que se tem conhecimento. E analisar o papel da contadeira de histórias significará abordar o problema das relações da mulher com a Literatura, da mulher com a Palavra, da mulher com o símbolo e com o corpo.&lt;br /&gt;Sheherazade é personagem da narrativa que inicia e termina "As 1001 Noites", servindo-lhes de moldura; é a partir dela que se dará o pretexto para os demais con¬tos. Trata-se da história de Xariar, sultão de todas as Índias, da Pérsia e do Tur¬questão, que descobre, por intermédio de seu irmão, imperador da Grande Tárta¬ria, que sua mulher o traía -E ele toma conhecimento disso no mesmo momento em que o irmão lhe revela que também fora traído pela mu¬lher. A conclusão é inevitá¬vel: "Todas as mulheres são naturalmente levadas pela infâmia, e não podem resistir à sua inclinação". O sultão, no estupor da mais funda desilusão afetiva, propõe ao irmão que ambos   abandonem seus Estados e toda a sua glória, e saiam pelo mundo para, em terras estranhas, melhor esconderem seu comum infortúnio. O irmão aceita, com a condição de que voltariam se encontras¬sem alguém mais infeliz do que eles próprios. Seguem caminho, disfarçados, e chegam à beira-mar, onde são surpreendidos por algo que parece um maremoto. Sobem a uma árvore, escondem-se entre os galhos, e presenci¬am uma cena qual um gênio (um djinn) tira do mar uma grande caixa de vidro, fechada a quatro chaves, onde estava encerrada uma bela mulher, quase adolescente, que ele libera da caixa. Era a sua mulher, que ele roubara para si no dia de suas núpcias, e que mantinha presa. Declarando-se cansado, o gênio diz à mulher que gostaria de deitar a cabeça nos seus joelhos, e adormece.&lt;br /&gt;Os dois irmãos acabam por ser descobertos no meio das ramagens de seu esconderijo pelos olhos perscrutadores da jovem. Ela retira delica¬damente a cabeça do gigante do colo, vem para baixo da árvore e propõe aos dois irmãos que tenham relação com ela. Atemorizados pela presença do gênio, eles inici¬almente se recusam, mas ela os força exatamente com o argumento de que, se não dormissem com ela, ela acordaria o gênio. Obriga¬dos, eles satisfazem sua von¬tade, primeiro o mais velho, depois o caçula. Ao fim, a jovem pede a cada um o seu anel. E diante de seus olhos estupefatos, abre uma pe¬quena bolsa que continha outros 98 anéis. Conta que esses anéis foram dos ho¬mens que já a tinham possu¬ído. "Com os dois de agora, diz ela, completo uma cente¬na". "Uma centena de amantes, malgrado a vigi¬lância ciumenta e a precaução do gênio, que me quer só para si". Ele se esmerava em encerrá-la numa caixa no fundo do mar, mas ela não deixava de enganá-lo...  “Vede que, quando uma mulher tem um desejo, não há mari¬do que possa impedir a sua execução" - dizendo isso, ela se senta e coloca de novo a cabeça do gênio, que conti¬nuava a dormir, tranqüilamente em seu colo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plano&lt;br /&gt;Os dois irmãos voltam pelo caminho de onde tinham vin¬do, comentando que nada no mundo ultrapassava a malícia das mulheres, e que, nesse assunto, até aquele gênio de poderes sobrenatu¬rais era mais infeliz do que eles. Convencidos da perfídia feminina, decidem retornar cada um para o seu reino. O sultão Xariar formula um plano, que lhe permitiria manter sua honra inviolavelmente preservada, sem que fosse obrigado a prescin¬dir de mulher: consistia em dormir a cada noite com uma virgem, e no dia seguinte, ao acordar, mandar matá-la, pelo seu grão-vizir. E escolheria uma nova para a noite seguinte, e assim por diante. A cada dia, uma jovem casada e morta. E o início dessa prática trouxe à cidade a mais intensa das desola¬ções.&lt;br /&gt;Ora, o grão-vizir, que devia ao sultão a mais cega obe¬diência e que malgrado sua vontade, a cada noite apre¬sentava ao sultão um nova virgem, e a cada manhã, malgrado sua repugnância, era obrigado a matá-la, tinha duas filhas: Sheherazade e Dinerzade. E assim que, tex¬tualmente, é apresentada Sheherazade, na versão de Galland:&lt;br /&gt;"... tinha uma coragem maior do que se seria de esperar do seu sexo, e um espírito de uma admirável penetração. Tinha muita lei¬tura e uma memória tão prodigiosa, que nada lhe es¬capava, de tudo que ela "avia lido. Aplicara-se com todo sucesso ao estudo da filosofia e da medicina, e das belas-artes; e fazia versos melhores que os mais céle¬bres poetas do seu tempo. Além disso, era provida de uma grande beleza, e uma muito sólida virtude coroava todas essas belas qualida¬des." (G., vol. 1, pág. 35)&lt;br /&gt;Dessa descrição ressaltam primeiro as qualidades "inte¬lectuais" que fazem de Sherazade  uma mulher extremamente inteligente e que se cultivava (lia, estudava, fazia poesia). Mas suas características propriamente físicas -que não são dadas em detalhe, e vêm depois, e só depois, das intelectuais, também não são descuradas: trata-se de uma bela mulher. &lt;br /&gt;Pois bem: essa mulher altamente interessante que parece ser Sheherazade, comunica um dia ao grão-vizir seu pai que queria tornar-se mulher do sultão:&lt;br /&gt;"Desejo por um termo a essa barbárie que o sultão exerce sobre as famílias des¬ta cidade. Quero dissipar o temor que tantas mães têm de perder suas filhas de uma maneira tão terrível. (...) Se eu perecer, minha morte será gloriosa; se tiver êxito, restarei um serviço importante minha pátria."&lt;br /&gt;E combina com a irmã seu plano: Dinerzade deveria deitar-se no quarto nupcial (sob pretexto de que, ainda uma vez, elas pudessem pas¬sar uma noite próximas), e uma hora antes do romper do dia, deveria acordar Sherazade e solicitar-lhe que contas¬se uma de suas histórias. É o que se passa: nessa noite, depois de ter dormido com o sultão, que a desvirgina, Sheherazade é despertada pela irmã, que lhe pede uma história -talvez pela ultima vez. Depois de obtida a permissão do sultão, Shehrazade começa a narrar. E no auge do suspense, quando a ação esta para ser definida e a curiosidade do seu real ouvinte aguçada, vendo que a aurora se anunciava, suspende sua narrativa:&lt;br /&gt;"Sheherazade, nesta pas¬sagem, percebendo que era dia e sabendo que o sultão se levantava bem cedo para fazer suas preces e ir gerir seus negócios de Estado, parou de falar." (G., vol. 1, pág. 46).&lt;br /&gt;Diante da observação da irmã, de que essa história era maravilhosa, Sheheraza¬de lhe afirma que a continu¬ação seria mais maravilhosa ainda e que, se o sultão quisesse deixá-la viver mais um dia, que lhe desse per¬missão para acabá-la na noi¬te seguinte. Sheherazade ganha um dia de vida. Na segunda noite, quando a irmã a acorda, Sheherazade "sa¬tisfaz a curiosidade do sul¬tão"; acaba a historia inicia¬da e começa uma nova, interrompida no auge do sus¬pense, ao romper a aurora: e assim, noite após noite, o sultão declara desejar ouvir a história iniciada na véspe¬ra, e a deixa viver por mais um dia. Não há garantia, nem Sheherazade a pede: ela consegue, à prestação, dia a dia, ganhar um dia de vida. Ela aceita assumir o risco absoluto: arrisca perder a vida, para recuperar ao sul¬tão uma imagem feminina, perdida pela infidelidade. Há algo de épico no seu gesto:uma mulher que, através da Palavra, salva a raça femi¬nina.&lt;br /&gt;E quando chega a milési¬ma primeira noite, o sultão se rende: "1001 noites tinham transcorrido nesses inocentes divertimentos; elas tinham mesmo ajudado muito a di¬minuir as prevenções iradas do sultão contra a fidelidade das mulheres; seu espírito tinha-se abrandado; ele es¬tava convencido do mérito e da sabedoria de Sheheraza¬de; lembrava-se da coragem com a qual ela se tinha exposto voluntariamente a tornar-se sua esposa, sem apreensão quanto à morte a que se sabia destinada no dia seguinte."&lt;br /&gt;E diz o sultão: "Bem vejo, amável Sheherazade, que sois inesgotável em vossas narrativas; há muito me divertis; pacificaste minha cólera, e eu renuncio de bom grado à lei cruel que eu me tinha imposto... Desejo que sejais considerada como a libertadora de todas as moças que deveriam ser imola¬das ao meu justo ressenti¬mento". (G.vol.3,pág. 439).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Memória&lt;br /&gt;Isso, na versão de Galland. Na versão de Mardrus (1) (por muitos considerada a "tradução obscena" de "As 1001 Noites"), as coisas são apresentadas de uma manei¬ra bem mais concreta. Em Mardrus, Sheherazade apresenta ao sultão ao fim da 1001ª noite, os filhos que, ao longo desses quase 3 anos, ela tivera com ele. A relação sexual entre o sultão e Sheherazade, que Galland omite, Mardrus explicita: ganha aqui inequívocas pro¬vas, ganha concretude.&lt;br /&gt;Mas voltemos um instante à caracterização inicial de Sheherazade. Se há algo que a tipifica sobremaneira, é sua prodigiosa memória. Em "As 1001 Noites" podemos vislumbrar as ligações da narrativa com o infinito, da Memória com o infinito -as¬pecto esse que se tornará bastante evidente se formos situar a Memória na sua dimensão mítica. Com efeito, no Panteão grego, a Memória, "Mnemosyne", é uma deusa, filha de Urano e de Gaia, irmã de Chronos e de Okeanos - a memória, filha do céu e da terra, irmã do tempo e do oceano: todas, metáforas de infinitude...&lt;br /&gt;E a Memória é para os gregos a mãe das Musas, mãe das divindades respon¬sáveis pela inspiração. ''Mnemosyne'' preside à função poética. A própria sacralização da Memória (os gregos fizeram dela uma divin¬dade!) revela, por si só, o alto valor que lhe é atribuído numa civilização de tradição oral, como foi, entre os século 12 e 8, antes da difusão da escrita, a da Grécia.&lt;br /&gt;Essa deusa feminina tem tudo a ver com Sheherazade. "Mnemosyne" revela as ligações obscuras entre o rememorar" e o "inven¬tar": a musa inspiradora da invenção poética é, ela própria, filha da Memória.  Sherazade, a contadeira de histórias, não era apenas uma espécie de repositório vivo das histórias de seu povo, não apenas aquela que "transmitia" histórias con¬tadas por outros; na sua caracterização inicial, fora-nos dito que ela também escrevia "versos melhores que os dos mais célebres poetas seu tempo". Ela também criava.&lt;br /&gt;E assim, noite após noite, Sheherazade vai, com a aju¬da da Memória, conduzindo adiante o fio de suas históri¬as: vai tecendo as narrativas. Não é um fio linear: é uma teia, uma trama. Infin¬dável, infinita. Uma história dará margem a uma outra história que, embutida den¬tro dela, desembocará numa terceira, que contém em si o germe de uma quarta etc. etc. Na acepção do último tradutor ocidental de "As 1001 Noites", Khavam (saiu sua tradução completa, na França, em 1986), Shehera¬zade é "La Tisserande .des Nuits" -a tecelã das noites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher tecelã&lt;br /&gt;Evidentemente, essa tra¬ma, essa rede narrativa eram frutos da astúcia de Sheherazade: serviam para enredar o sultão. Essa trama narrativa (trama quer dizer também procedimento ardi¬loso!) no limite significava... tramóia: a astúcia, velha arma dos fracos contra os fortes. E arma feminina, muitas vezes.&lt;br /&gt;Sheherazade, a astuciosa, é a mulher que tece narrativas intermináveis, e que nesse fio prende o seu homem e vence seu poder. E nessa linha de astúcias, e de fios, e de tramas, há toda uma tradição (é verdade que de outra cultura, mais uma vez, a grega) de mulheres fian¬deiras (2). Penso sobretudo em Penélope, de quem já se disse que é tão astuciosa quanto seu marido, o astuto  Ulisses, tecendo infindável¬mente o manto com o qual afastará os pretendentes à sua mão, enquanto espera a volta do seu homem. Mas há também Ariadne, que fornece a Teseu o fio com que ele enfrenta o Labirinto; e Pan¬dora (a primeira mulher), tecelã, que aprendeu a arte das fiandeiras com a deusa Atena, cujo epíteto é exata¬mente Atena Penitis, a "tecelã"; e Aracnê, que desafia a deusa Atena na arte da tapeçaria e acaba transfor¬mada em aranha. E há as Parcas, que tecem a trama dos destinos humanos. Todas, mulheres. Por que é sempre feminina a persona¬gem que lida com o fio? Num estudo sobre a Feminilidade (3), Freud tece uma engenhosa explicação: a arte da tecelagem teria sido uma invenção de mulheres, inspi¬rada pelo pudor feminino. Com efeito, o pudor, diz ele, teria como finalidade primi¬tiva dissimular os órgãos genitais, dissimular a fenda que existe no sexo feminino:&lt;br /&gt;"Parece que as mulheres fizeram poucas contribuições para as descobertas e inven¬ções na história da civiliza¬ção; no entanto, há uma técnica que podem ter inven¬tado -traçar e tecer. Sendo assim, sentir-nos-íamos ten¬tados a imaginar o motivo inconsciente de tal realiza¬ção. A própria natureza pa¬rece ter proporcionado o modelo que essa realização imi¬ta, causando o crescimento, na maturidade, dos pelos pubianos que escondem os genitais. O passo que faltava dar era enlaçar os fios, enquanto, no corpo, eles estão fixos à pele e só se emaranham."&lt;br /&gt;Mas voltemos a Shehera¬zade e Penélope, astuciosas e fiéis. Trata-se, aqui, do mesmo tema da fidelidade. Não nos podemos esquecer de que, na história de Shehe¬razade, é a fidelidade que está em jogo: o desígnio cruel que o sultão se havia imposto, de que sua mulher por uma noite fosse morta ao romper da aurora não tem outro objetivo senão preser¬var, ainda que à custa da morte, a fidelidade feminina. (E ao mesmo tempo, como veremos mais adiante, tal desígnio impedia-o de amar vedava ao sultão o amor: matando a mulher com quem dormia a cada noite, impedia-se de relacionar-se em continuidade, de estabelecei vínculos).&lt;br /&gt;Penélope/Sheherazade Uma tece infindavelmente o manto, dia após dia, no meio dos príncipes,e sua fidelidade é condição para o reencontro; outra tece infindavelmente, noite após noite, teia de sua narrativa: sempre em suspense, sempre na terminada. Terminá-la, seria a morte.&lt;br /&gt;Penélope: a fidelidade por um fio. Sheherazade: a vida por um fio. A falta de término, em ambas, é uma metáfora do infinito. Em ambos o casos, na tecelagem que praticam, é a fidelidade que está em questão. No caso de Penélope, a trama feita desfeita é seu ardil, para afastar os pretendentes reservar-se para a volta de Ulisses. No caso de Sheherazade, a construção de su teia narrativa não apenas ardil para ganhar mais um dia de vida, mas seu fi narrativo refaz, ponto a ponto, os farrapos do coração do sultão, dilacerado pela traição feminina.&lt;br /&gt;Sheherazade tece o tecido de sua  história, conduz o fio da bnarrativa. A trama da narrativa não é um fio; é uma teia, com todas as suas ramificações, e nessa rede ela enreda o sultão. Não por acaso que ela é a imagem mesma da sedução.&lt;br /&gt;Penélope: aquela que tece. Seu próprio nome (em grego, Penelopéia) revela sua vocação: do grego "pene", fio de tecelagem, e, por extensão, trama, tecido (daí nosso pa¬no do latim pannus). E c substantivo grego "penelopéia" significa: dor. Tudo se explica quando pensamos que ela vivia na nostalgia (= dor do retorno) de Ulisses, e que o pano que ela tecia (que tem a ver com a morte: era uma mortalha para Laertes, o pai do seu marido) era garantia da sua fidelidade, como que vedava o acesso de sua sexualidade aos preten¬dentes que a assediavam:&lt;br /&gt;"Então, de dia ela tecia a grande tela e de noite, desfa¬zia a sua obra, à luz das tochas. Foi assim que, du¬rante três anos, ela soube esconder sua astúcia e enga¬nar os Aqueus" ("Odisséia", cap. 24).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Astúcia&lt;br /&gt;Penélope, Sheherazade uma tece de dia, outra tece de noite. Três anos: aproximadamente 1001 noites. Fidelidade e sedução articuladas Em ambas, uma mulher vence o poder masculino. Qual é, exatamente, a as¬túcia de Sheherazade?&lt;br /&gt;A primeira resposta é que Sherazade não apenas joga com a imperiosa necessidade de fição que habita o coração de cada homem, mas teria inventado também a técnica do suspense: inicia uma narrativa aguça a curiosidade de seu ouvinte e... não a satisfaz - naquela noite.  O desenlace seria narrado na próxima noite, se o sultão lhe concedesse mais um dia. Aos poucos, vão sendo introduzidas referênciaas às reações do sultão, e, especificamente, à sua curiosidade. Assim termina, por exemplo, a noite 33:&lt;br /&gt;Sherazade preparava¬-se para prosseeguir seu conto; mas, percebendo que era dia, interrompeu sua narrativa.  A qualidade dos novos personagens que a  sultana acabava de introduzir em cena tendo aguçãdo a curiosidade Xariar, e deixando-o na espera de algum aconteci¬mento singular, o príncipe esperou  a noite seguinte comimpaciência" (G., vol. 1,  pág.25)&lt;br /&gt;Ou então: "O sultão, persuadido de que a história que  Sherazade tinha a contar seria o desenlace das prece¬dentes disse consigo mes¬mo: “ É preciso que eu me conceda o prazer completo.' Levantou-se e resolveu deixar viver ainda este dia a sultana". (G.,  vol. 1, pág. 216).&lt;br /&gt;Satisfazer a curiosidade, para o sultão, significa pra¬zer. Postergá-la, significa cultura. Pois uma das coisas que diferenciam o homem do animal é exatamente isso: a capacidade de postergar a realização do prazer. E as¬sim temos a curiosidade do sultão extremamente bem administrada por Shehera¬zade, com sua técnica de suspense. E os textos acima provam o quanto a quaIidade narrativa de suas histórias, sua qualidade literária, por¬tanto (a saber: introdução adequada de novos persona¬gens; previsão de aconteci¬mentos singulares; prepara¬ção cuidada do desenlace) conta.&lt;br /&gt;E o interessante é que a curiosidade está presente em dois níveis, em "As 1001 Noites": nesse primeiro ní¬vel, da "macro-estrutura", na história que serve de moldura é a curiosidade que fundamenta o adiamento da execução da sultana. Mas também, ao nível das histó¬rias contadas, entre os mui¬tos motivos recorrentes nas narrativas de "As 1001 Noi¬tes", esse motivo da curiosi¬dade adquire grande impor¬tãncia, dado seu estatuto de desencadeador das ações. Curiosidade  necessidade imperiosa de conhecer. Agui¬lhão do saber por experiên¬cia. Haveria que se fazer um estudo antropológico da curi¬osidade, e do papel que ela desempenha em várias reli¬giões e mitologias: desde a curiosidade de Eva, atiçada pela serpente, na narrativa mítica do Paraíso, tal como aparece no "Gênesis" ("Po¬des comer de todas as árvo¬res do jardim. Mas da árvore do conhecimento do Bem e do Mal não comerás..." E o resto a gente sabe: a queda, a expulsão do Eden, o Paraí¬so Perdido...), passando pela curiosidade de Pandora, que abre a fatídica caixa de males que se espalharão por toda a terra, só restando no fundo da caixa a esperan¬ça...; até a curiosidade do curumim que abre o coco de tucumã que encerra noite, fazendo com que a escuridão se espalhasse pelo mundo, como na lenda indígena brasileira. Sempre a curiosidade, com o que ela representa de fálico e fáustico, de motor do progresso e de propulsora do espírito humano, mas também com o que ela com¬porta de fragilidade: deixar-se vencer pela curiosidade significa "sucumbir a uma fraqueza", cair em ten¬tação. Como naquela história que Sheherazade conta ao sultão, do moço a quem foram franqueadas 99 salas de um castelo, com todas as suas delícias; mas vedada a abertura da 100 ª porta: pre¬mido pela curiosidade, ele a abre, e ai começa a sua perdição. Mas sobretudo, em vários contos de "As 1001 Noites" (como "O Comerci¬ante e o Gênio" ou "História dos Três Dervixes e das Cinco Damas de Bagdá", e muitas outras), é a curiosi¬dade por uma narrativa a ser feita por uma personagem que lhe salva a vida, inicialmente suspendendo a execu¬ção da sentença e, finalmen¬te, anulando-a. Assim, o mesmo elemento que se en¬contra, importantíssimo, a nível da estrutura geral da obra, comparece no detalhe, em numerosos contos.&lt;br /&gt;E Sheherazade, o que faz é manipular a curisosidade do sultão. No entanto, ao longo das 1001 noites processasse uma evolução. Considera-se Sheherazade como a especia¬lista do suspense. Contudo, isso é só inicialmente verda¬de: ao longo de suas tantas noites de contadeira de histórias, ela abandona o supense, chegando a levar a termo, ao romper da aurora, as suas narrativas. Mas acena com a próxima... Ela abandonará o recurso do suspense  - que  tem algo de um golpe mais ou menos enviesado - um discursus interruptus-  che¬gando a terminar os contos na mesma noite em que os iniciara. E mesmo prescin¬im dindo do recurso do suspense, o sultão a deixará viver, mais um dia.&lt;br /&gt;E aqui está a segunda a resposta para a pergunta "em que consiste a astúcia de Sheherazade": na realidade, ela lida é com o Desejo. E todos sabemos que o Desejo não tem um objeto que o aplaque; uma vez cumulado, ele ressurge, desperto do outro, e assim suscessivamente. Não tem objeto que o supra, que o satisfaça, que o cumule. O que é que que o sultão queria? Uma nova de história, e por isso Shehera¬zade viveria mais um dia, e depois outro, e outro. Ela não tenta obter dele, logo de do início, que lhe poupe a vida para sempre: consegue dele, a cada dia, que lhe poupe a vida por aquele dia. Mas ele, também, o sultão, daria sentido a mais um dia de sua existência, na espe¬ra/expectativa de algo que o plenifique. A função de Sheherazade era alçar sua vontade, tendê-la para algo por vir. Ela age no sentido de acutilar o Desejo, de atiçá-lo, de só ilusoriamente aplacá-¬lo... por uma noite. Uma vez supostamente aplacado, ele renascerá. O objeto do Dese¬jo está sempre além, sempre adiante, visa sempre um além que escapa: é isso que nos conta a história de Sheherazade e do sultão de todas as Indias.&lt;br /&gt;E o mundo do Desejo é o mundo do Id, mundo da noite, da magia e da fanta¬sia. O dia que surge significa que a voz de Sheherazade deve-se calar; é de dia que se realizaria sua execução. Há uma fórmula quase que ritu¬al, que escande o fio narrati¬vo de Sheherazade: quando rompe o dia, ela se cala, e o sultão vai "cumprir seus deveres" de chefe de Estado. Há aí um confronto entre o princípio do prazer e o prin¬cípio de realidade: o princí¬pio do prazer cessa com a luz do dia, quando se impõe a realidade, com o seu cortejo de opressões. As noites são para as histórias e para o amor; os dias são para o trabalho (e para a morte)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavra&lt;br /&gt;Referi a situação (presente tanto a nível das histó¬rias que Sheherazade conta, quanto naquela da própria sultana, e que serve de mol¬dura às demais) em que uma vida é trocada por uma narrativa. Isso significa um extraordinário apreço pela palavra. As vezes esse apre¬ço é expresso materialmente. Numa das histórias que Sheherazade conta ao sultão ("A História de Ganem"), por exemplo, registra-se o seguinte: &lt;br /&gt;"Ele [o califa] achou esta história tão extraordinária que ordenou a um famoso historiador que a escrevesse, em todos os detalhes. Ela foi em seguida depositada no seu tesouro, de onde várias cópias tiradas deste original a tornaram pública." (G., vol. 2, pág. 420)&lt;br /&gt;As histórias excelentes são guardadas no tesouro real! Estamos numa civilização em que, literalmente, a pala¬vra vale ouro, em que a história narrada é tesouro.&lt;br /&gt;E ainda, a palavra aqui é mágica. Já repeti várias vezes que, através da Pala¬vra, Sheherazade vence a morte e o Poder. Sheheraza¬de, a mulher, instaura um novo tipo de poder. A força da Palavra radica na magia. A palavra aqui transforma -como no curandeirismo, na magia, na religião... e na psicanálise. O conto "Ali-Ba¬bá e os 40 ladrões", por exemplo, é expressivo disso: trata-se de uma palavra má¬gica, palavra eficaz, que tem o poder de remover um rochedo, o poder de fazer abrir a entrada da gruta onde os ladrões guardam seus tesouros: "Abre-te Sé¬samo". Ali-Babá a guarda na memória, com cuidado e respeito, e ela se torna um instrumento de força na sua boca. Mas seu irmão, o invejoso e insolente Cassim, se esquece da palavra certa, e tenta outras, que não têm, no entanto, a força mobiliza¬dora da palavra mágica. Da palavra transformadora, que remove rochedos. Ele conse¬gue penetrar na gruta dos ladrões, mas depois não con¬segue sair:&lt;br /&gt;“... acontece que ele se esquecera da palavra neces¬sária (...) e, em lugar de "Sésamo", diz "abre-te Ce¬vada"; e espanta-se ao ver que a porta, longe de se abrir, permanece fechada. Nomeia vários outros nomes de grãos, diferentes daquele que era necessário, e a porta não se abre". (G., vol. 3, pág. 247).&lt;br /&gt;Ele se esquecera da pala¬vra certa, da boa palavra acaba perecendo às mãos dos ladrões, que o pilham preso dentro da gruta.&lt;br /&gt;Pois bem, há algo de mági¬co na palavra, na história do rei Xariar e da bela Shehera¬zade, que consegue demover seu coração de pedra. A tentação de um paralelo com a psicanálise é bastante grande: essa situação extra¬ordinária em que a Palavra (aquela que é preferida pelo paciente, e aquela que éouvida por ele) é palavra eficaz: provoca alterações, transforma aquele que a re¬cebe. Restaura-se aqui o po der arcaico e mágico da Palavra.&lt;br /&gt;O poeta, o mago e o psicanalista: aqueles que constroem coisas com a pa¬lavra, que alteram a realida¬de, modificam a essência profunda do ser. E ao lado poeta, do mago e do psicana¬lista, a mãe, que conta histórias, a mulher.&lt;br /&gt;A mulher contadeira de histórias: sua influência foi reconhecida por todos aque¬les que, desde a Antiguidade, se preocuparam com o pro¬blema da eficácia da Pala¬vra, da força transformadora da palavra:&lt;br /&gt;"Por conseguinte, teremos de começar pela vigilância sobre os criadores de fábu¬las, para aceitarmos as boas e rejeitarmos as ruins. Em seguida, recomendaremos às mães que contem a seus filhos somente as que lhes indicarmos e procurem amoldar por meio delas as  almas das crianças com mais carinho do que por meio das mãos fazem com o corpo." ("República", livro 1  2,377b).&lt;br /&gt;O grifo, evidentemente é meu, realça a importância  extrema que Platão atribui às narrativas: capacidade de moldar, de plasmar almas. Não seria exatamente isso que Sheherazade faz com o sultão? Ela plasmou, moldou sua alma, "abrandando o seu espírito".&lt;br /&gt;Jeanne Marie Gaguebin, num artigo publicado no Fo¬lhetim (4), articula essa passagem de Platão a um texto de Walter Benjanim, que se intitula, exatamente, "Narrar e Curar" (5). Além da ligação entre a fala e o gesto, entre a voz e a mão (a que retornarei mais adian¬te), o texto de Benjamin aponta, de uma maneira ex¬tremamente pertinente, para a cura pela narração (não fosse esse o seu título!) - que é, como todos sabemos, apa¬nágio da psicanálise ("tal¬king cure') e de certas técnicas de cura chamanísti¬cas.&lt;br /&gt;Pode-se considerar o sultão doente, ferido na sua afetivi¬dade, na sua capacidade amorosa, pela traição feminina; pois bem, nessas lon¬gas noites de história, Shehe¬razade vai exercendo junto a ele um longo processo tera¬pêutico, analítico, pontuado, a cada manhã, pela interrupção com que ela o remetia á  vida real. Ao fim das 1001 noites, o sultão se declara "curado", abandona o "sin¬toma" e se dá alta: "Vós pacificastes minha cólera, e eu renuncio de bom grado e, vosso favor, à lei cruel que eu me tinha impos¬to". E Sheherazade cessa suas narrativas.&lt;br /&gt;Num processo analítico, o paciente fala; ao analista, cabe a escuta. Ele também fala, interpretando; mas o que funda a psicanálise é o discurso do analisando. Pois bem, aqui se trata de um processo invertido: é a escu¬ta que é transformadora, é a escuta que cura o sultão.&lt;br /&gt;Falei da psicanálise e tam¬bém aludi a certos processos de cura chamanistica, que, aliás, estabelecem com a psicanálise mais de um vín¬culo. Lévi Strauss relata, na "Antropologia Estrutural" (no capitulo "L'Efficacité Symbolique") um procedi¬mento dos índios Cuna do Panamá, por ocasião dos partos difíceis: o chamã can¬ta para a mulher grávida, diz palavras ao seu ouvido, e assim o nascimento da cri¬ança é facilitado. Trata-se, como observa o antropólogo, "de uma medicação puramente psicológica, uma vez que o chamã não toca no corpo da paciente, nem lhe administra remédios; mas, ao mesmo tempo, é colocado diretamente e explicitamente em causa o estado patológico e seu centro: diríamos antes que o canto constitui uma manipulação psicológica do órgão doente, e que é desta manipulaçáo que a cura é esperada' (6). Manipulação psicológica: metáfora ex¬pressiva para o processo psicanalítico. E também pa¬ra aquele processo em que as narrativas, como queria PIatão, moldam as almas, "com mais carinho do que por meio das mãos fazem com o cor¬po". Mas voltemos a Lévi Sstrauss. Diz ele que o chamã fornece à sua doente uma 'higuagem: "E é a passagem a esta expressão verbal (que permite, ao mesmo tempo, viver sob uma forma orde¬nada e inteligível uma expe¬riência atual, mas sem isso, anárquica e inefável) que provoca o desbloqueio do processo fisiológico, isto é, a reorganização, num sentido favorável, da sequência da qual a doente sofre o desen¬volvimento" (pág. 218).&lt;br /&gt;O sultão se encontra cris¬pado na sua ira de traído, bloqueado na sua capacidade de amar: Sheherazade oferece a ele uma linguagem, na qual esse estado pode expri¬mir-se. Sheherazade fala, e o sultão escuta. É como se a perturbação afetiva grave, de que fora acometido, na sua ira de traído pelas mu¬'heres, só fosse acessível àlinguagem simbólica da poe¬sia e da literatura. E aqui a gente encontra a narrativa restaurada no seu sentido pleno e primordial, de veícu¬lo de experiência humana.&lt;br /&gt;Sheherazade oferece ao sultão uma linguagem, um discurso simbólico que possa atingi-lo, por inteiriçado e crispado que ele estivesse na sua incapacidade afetiva. Ela oferece ao sultão o aces¬so ao mundo simbólico; ofer¬ta-lhe uma linguagem, como queria Lévi-Strauss, "na qual podem exprimir-se es¬tados não formulados e, de outro modo, não formuláveis". "Não é portentoso que na noite 602, o rei Xariar ouça da boca da rainha a sua própria história?", pergunta-se Jorge Luís Borges (7) extasiado.&lt;br /&gt;Sheherazade apresenta a Xariar o nível mítico: apresenta-lhe à consciência con¬flitos que o traumatizaram, bloqueando sua capacidade afetiva, de tal maneira que ele possa lidar com eles. É por isso que ela não expurga de suas narrativas as histórias de adultérios e traições femininas, não omite casos em que as mulheres enga¬nam a seus maridos; ela não faz ao rei uma narrativa "ad usum delphini"; é notável a ausência de censura moral nas suas histórias.&lt;br /&gt;Trata-se aqui, como na psicanálise, (e na cura cha¬manística), de propiciar uma transformação interior, con¬sistindo numa reorganização estrutural da personalidade: trata-se de recuperar a ca¬pacidade amorosa do sultão. Pois bem, Sheherazade, co¬mo na transferência, propi¬cia ao sultão que reviva com ela uma experiência afetiva continuada e para isso ela precisava de tempo (a saber: 1001 noites -o tempo de uma terapia?) e assim resgata sua capacidade afetiva.&lt;br /&gt;Falei em paralelo com a psicanálise. Mas trata-se aqui de um paralelismo que, evidentemente, não exclui as diferenças. Pois há em "As 1001 Noites", como aparece em Platão, como sugere W. Benjamin, uma ligação entre a fala eo gesto, entre a voz e a carícia. Não nos podemos esquecer de que as narrati¬vas de Sheherazade se segui¬am às suas noites de amor com o sultão  e são suas histórias que lhe facultam a  possibilidade de dormir próxima noite com ele É a narrativa que possibilita o encontro futuro. Já se disse que se Sheherazade tivesse oferecido ao sultão só o seu corpo, ela teria sido executa¬da, logo após a primeira noite: foi o que, todas as suas antecessoras fizeram, e to¬das pereceram. E Shehera¬zade salva não apenas a si própria e a todas as mulhe¬res em idade de casar do seu povo: ela salva também o sultão: ela o cura de sua ira patológica e assassina, e possibilita a ele uma descen¬dência. A persistir no seu plano cruel e ginecida, o sultão se privaria para sem¬pre de amar, e de filhos. Sheherazade oferece a ele o tempo e, junto com as suas histórias, a História; oferece a ele o tempo, e, junto com ele, as coisas todas que dele precisam para se engendra¬rem: os filhos, a duração do afeto, a permanênciadevín¬culos, o longo processo (ana¬lítico) de uma cura. Shehera¬zade oferece ao sultão um discurso vivo. &lt;br /&gt;Sheherazade ou do poder da palavra. A sultana era uma contadeira de histórias, não em primeira linha uma escritora: ela as contava de viva voz. Aquelas 1001 noites eram marcadas pela cálida proximidade da 'mulher, da mulher na sua inarrável corporeidade. Não podemos esquecer da carga corporal que a palavra falada carrega. Na narrativa oral, a Palavra é corpo: modulada pela voz humana, e portanto carregada de marcas corporais; carrega¬da de valor significante. Que é a voz humana senão um sopro (pneuma: espírito...) que atravessa os labirintos dos orgãos da fala, carre¬gando as marcas cálidas de um corpo humano? A pala¬vra oral é isso: ligação de sema e soma, de signo e corpo. A palavra narrada guarda uma inequívoca di¬mensão sensorial.&lt;br /&gt;"No princípio era a Ação", diz o Fausto de Goethe. Mas entre a Ação e a Palavra, em "As 1001 Noites" a escolha está feita. "No princípio era o Verbo", parecem dizer-nos elas, retomando o início do texto do mais visionário dos Evangelistas. No entanto, esse texto não para aí: "...e o Verbo se fez carne": restau¬ra-se, assim, a dialética se¬ma/soma, inscrita no cerne da palavra  a Palavra é também, inapelavelmente, corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notas&lt;br /&gt;1. Utilizo aqui basicamente o texto de Antoine Galland (1717), em edição Garnier ~ k&gt;ari~, 1965, recorrendo também por vezes, ao texto de Mardrus (1899), publicado por Ro¬bert/Laffont, Paris, 1985.&lt;br /&gt;2. Cf. Gilbert Lescault -"Fi¬gurées, Défigurées (Petit Vocabulaire de la Féminité Représentée)", Union Géné¬rale d'Editions, Paris, 1977, em que, no vocábulo "Fileu¬ses" são elencadas várias mulheres mitológicas que li¬dam com o fio.&lt;br /&gt;3. Freud: "A Feminilidade", Conferência 33 das "Novas Conferências Introdutórias sobre Psicanálise", 1933, vol. 22 das "Obras Completas", Imago, pág. 162. A referência a esse ensaio foi sugerida pela leitura de Gilbert Les¬cault: "Figurées, Défigu¬rées", op. cit.&lt;br /&gt;4. "Narrar e Curar", Folhe¬tim, S. Paulo, 1 de setembro de 1985.&lt;br /&gt;5. "Erzaehlung und Hei¬lung", in "Gesammelte Schriften", vol. 4, Suhrkamp Verlag, pág. 430.&lt;br /&gt;6. Cf. capítulo "L'Efficacité Symbolique", in "Anthropologie Structurale", Paris, Plon, 1958, págs. 211 e seguin¬tes.&lt;br /&gt;7. Cf. J. L. Borges -"Los Traductores de las 1001 No¬ches", in "Historia de la Eternidad", Emecé Editores, Buenos Aires, 1953.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no caderno Folhetim/Folha de São Paulo em sexta-feira, 29 de janeiro de 1988&lt;br /&gt;ADÉLIA BEZERRA DE MENEZES é professora deTeoria Literária na Unicamp. autora de A Obra Crítica de Álvaro Lias e Sua Função Histórica" (Vozes) e "Desenho Mágico: Poesia e Política em Chico Buarque" (Hucitec)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-7209662828922496169?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/7209662828922496169/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2009/10/do-poder-da-palavra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/7209662828922496169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/7209662828922496169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2009/10/do-poder-da-palavra.html' title='Do poder da palavra'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-1172028572030290737</id><published>2009-10-21T12:21:00.001-07:00</published><updated>2009-10-21T12:21:12.269-07:00</updated><title type='text'>O batismo do mundo segundo Wittgenstein</title><content type='html'>Folha de São Paulo - Domingo, 26 de fevereiro de 1995 - p. 6 - 9&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O batismo do mundo segundo Wittgenstein&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JOÃO VERGÍLIO G. CUTER &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Especial para a Folha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Palavras designam objetos; sentenças são designações concatenas": esse é o mote que dá início àquela que é talvez, a mais influente obra de filosofia de nosso século as "Investigações Filosó¬ficas" de Ludwig Wittgenstein (1899-1951), recentemente lança¬das pela editora Vozes numa nova tradução de Marcos G. Montagnoli, com revisão técnica e prefácio de Emmanuel Carneiro Leão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícil imaginar mote mais singelo. Mais difícil ainda, talvez, seja acreditar que alguma coisa importante possa ser pensada a partir dele. A maioria das pessoas, diante da frase, tenderia a pensar algo mais ou menos assim: "Muito bem, tudo isto parece óbvio. Sentenças são compostas de palavras e palavras designam coisas do mun¬do - mesas, cadeiras e tudo mais. E daí?". Como é possível que alguém tenha exercido tanta influên¬cia após passar a vida toda meditando sobre esse tipo de banalida¬de?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há exagero em pensar que Wittgenstein tenha passado a vida meditando sobre aquele mote. Aos 33 anos, publica um livro, o “Tractatus Logico-Philosophicus” , que, em essência, vai fazer a mais radical (porque mais conseqüente) defesa de uma concepção da linguagem compatível com ele. As "Investigações Filosóficas", publicadas postumamente, são o ataque mais devastador a toda e qualquer concepção da linguagem e da racionalidade humana que seja compatível, ainda que remotamen¬te, com o que aquela frase singela quer dizer. E a importância do li¬vro é justamente aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento clássico legou-nos uma infinidade de concepções a respeito do que seja a razão hu¬mana e do que seja o mundo que essa razão procura conhecer e so¬bre a qual pretende agir. Quase to¬das essas concepções implicam ne¬cessariamente o que vem dito na¬quela frase. Aceitar o argumento das "Investigações Filosóficas" é, portanto, recusar concepções há muito tempo acalentadas do que seja a racionalidade humana. Que nova concepção podemos ter, ago¬ra, ainda não é claro. Mas é perfei¬tamente claro que nada de muito semelhante irá surgir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas qual era, exatamente, a questão que Wittgenstein responder? Ou, mais exatamen¬te, qual seria a questão em torno da qual, para ele, todas as outras ques¬tões se articulavam? Girar o botão de um rádio é uma experiência que pode nos conduzir ao problema do qual Wittgenstein ocupou-se du¬rante toda a vida. Quando nenhu¬ma emissora está sendo sintoniza¬da, os ruídos que ouvimos têm uma existência meramente física. São apenas sons, nada mais. A res¬peito deles, podemos dizer muitas coisas: que são altos ou baixos, se¬melhantes a isto ou aquilo. Eles próprios, porém, nada dizem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que acontece, então, quando esses ruídos dão lugar à voz de um locutor? Podemos, sem dúvida, descrever fisicamente esta voz e determinar inclusive certas propriedades que a fazem ser diferentes, enquanto som, dos ruídos que ouvíamos. Um físico faria isto fa¬lando em termos de comprimentos de onda, freqüência e coisas do gênero. Uma voz falando em português seria, neste tipo de descrição, análoga ao canto elaboradíssimo de um pássaro. Uma voz falando em chinês, ao de uma subespécie igualmente exótica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentimos, porém, que na voz do locutor há algo mais que isto, pois, além de ouvirmos, entendemos o que ele fala. O que entendemos, porém, ao ouvirmos o rádio, não poderíamos encontrar em nenhuma descrição física da voz. A voz do locutor está para o ruído como o corpo humano para uma pedra. (O locutor chinês, para quem não o entende, seria como um corpo sem vida.) O que é isto, então, que dá vida ao som?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem me lê, agora, também tem uma série de ocorrências físicas sob os olhos (tiras impressas num elaboradíssimo padrão). Se tivesse, porém, diante de si um jornal nu¬ma língua desconhecida, as tiras decorativas estariam ali (uma "su¬bespécie" destas que você vê), mas algo estaria ausente. O que vem a ser o sentido, essa espécie de alma capaz de transformar em sentenças as manchas de tinta que vemos sobre o papel? Como foi possível ao sentido unir-se a essa espécie de corpo? Foi em torno desta inquietação que toda a filosofia de Wittgenstein, do começo ao fim, se organizou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há casos em que a resposta à questão parece bastante simples. O batismo, por exemplo, parece ser capaz de realizar o milagre desta união entre a alma e o corpo da palavra. Pelo batismo, um novo nome é incorporado à linguagem'. O som do nome, arbitrariamente escolhido pelos pais, torna-se, pelo batismo, unido à pessoa que é batizada. Irá de agora em diante, representar essa pessoa na esfera da linguagem. Quando falarem dela, pronunciarão seu nome (ou algo equivalente a ele). Enquanto som, nada aconteceu ao nome - da mes¬ma forma que nada acontece ao corpo de um parlamentar pelo fato de ter sido eleito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome, porém, como o parla¬mentar, está investido de uma função peculiar. Esta função manifesta-se no fato de que, quando eu ou¬ço ou pronuncio aquele som, não o faço à maneira de um papagaio, mas quero "dizer algo" por intermédio. Tampouco um analfabeto quando assina, está fazendo um complicadíssimo desenho. Neste ponto exato terminaria o ani¬mal e começaria o homem: na ca¬pacidade de realizar o milagre do batismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim funcionava, sem dúvida, a linguagem de Funes, o prodigioso tetrapéglico que, inerte numa cama, ia batizando cada detalhe de cada instante que vivera ou poderia ter vivido. A cada instante, Funes criava uma infinidade de palavras, e cada uma delas ressoava numa corda bem determinada em sua memória Uma sentença era obtida pela justaposição destas palavras, cujo efeito era, então, um acorde. É verdade que Borges via em Fu¬nes sinais muito claros de oligofre¬nia, mas é sempre possível pensar, também, que não teria dedicado o tempo necessário para ouvi-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja lá como for, a memória de Funes não parece ser condição necessária para a solução do enigma da linguagem por intermédio da cerimônia do batismo. A solução é, na verdade, muito simples, e admi¬tiria um grande número de varian¬tes, todas elas construídas a partir de um mesmo mote: palavras de¬signam coisas; sentenças são concatenações de palavras e represen¬tam, assim, coisas concatenadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas concatenações de coisas não precisariam existir para que uma sentença tivesse sentido. Se eu disser que as letras impressas nesta página são todas vermelhas, você entende o que eu estou dizendo e é capaz, inclusive, de comparar o que eu digo com aquilo que você está vendo. Sabe o que foi ba¬tizado, em português, com os no¬mes "letra", "vermelho", etc., e a concatenação destas palavras apresenta diante de você, uma certa figura, digamos assim, que você compara á página do jornal. Neste caso, há uma discordância e, por isso, a sentença é falsa. Se eu disser "As letras desta sentença são negras", você irá intuir uma perfeita concordância entre a "figura" que se formou e a página. Neste caso, a sentença é verdadei¬ra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não creio que Wittgenstein te¬nha jamais pretendido negar legiti¬midade aos batismos. O que ele nega, isto sim, é que o sentido propo¬sicional nasça de uma concatenação de ba¬tismos e que estes, quando ocorrem, con¬sistem numa certa "associa¬ção" que deve, em última ins¬tância, ser levada a efeito pela mente de cada um de nós (ou en¬tão, como queria o "Tractatus", por Aquele-que-não-tem-nome, que está fora do tempo e do espaço e que pressinto, às minhas costas, no Além-mundo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suponhamos que uma criança, após algum treinamento, tenha aprendido a utilizar a palavra "ca¬deira". Suponhamos, ainda, que esse treinamento envolveu, entre outras coisas, a apresentação à criança de algumas cadeiras. Apontando para tais objetos, o ins¬trutor vai repetindo o som "cadei¬ra". Depois de algum tempo, a criança, sozinha, profere a palavra cadeira diante de objetos daquela espécie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até aqui, nada de extraordinário. Se nos perguntamos, porém, como poderíamos descrever o resultado desse processo, nossa tendência se¬rá, quase que certamente, recorrer às associações mentais. O que aconteceu, diríamos, é que a crian¬ça associou mentalmente o som à coisa. E, neste ponto, começa o calvário do mentalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que coisa? As cadeiras que ela viu? E as que ela ainda não viu? Não deverá, também, chamá-las pelo mesmo nome? (O mentalista acusa o golpe, mas volta à carga: não se trata apenas de associações mentais, mas de associações entre sons e imagens mentais. Ou, de forma ainda mais ousada: associa¬ções mentais entre imagens sono¬ras -também mentais- e um ponto num sistema -mental, na¬turalmente- de relações.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prossegue o calvário que tipo de imagem? Uma cópia exata? De qual cadeira? Do que elas têm em co¬mum? E se a criança estiver diante de uma cadeira que não tem alguma daquelas características? Há um conjunto de características que todas compartilham? Que conjunto é este? (Aqui intervêm uma série de derrotas humilhantes.) E esse esquema ou imagem mental - seja ele lá o que for- não teria, ele também, que ser interpretado? Não teria que ser aprendido? E aprender não significa, segundo você diz, associar? O que com quê? (Reco¬meça a surra, agora com o auxilio da Terceira Cadeira.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E suponha que você pudesse ve¬rificar se a criança tem ou não alguma "imagem" desse tipo na cabeça (por meio, digamos, de algum tipo muito avançado de exame cerebral). E, apenas por hipótese suponha que você verificasse que ela não possui qualquer imagem seme¬lhante (ainda que remotamente) a uma cadeira. E que, apesar disso ela continuasse a chamar cadeira de "cadeira". Você diria que aquilo prova que ela não entende a pa¬lavra cadeira? (Sem aquele “exame avançadíssimo no cérebro”, então, jamais saberemos se está entendendo o que falamos...) Ou será que você diria que ela entende perfeitamente a palavra apesar de não possuir a imagem? (E, neste caso, o que você está admi¬tindo é que a imagem é totalmente irrelevante enquanto critério para o entendimento da palavra...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia de que o passo fundamental na constituição do sentido seria dado por uma associação que o indivíduo faria mentalmente entre palavras e coisas é suficiente, sem dúvida, para posicionar ó mdi¬víduo (ou, mais especificamente, a "mente humana") no centro da racionalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É no interior da linguagem, no interior de determinadas regiões da linguagem, que se estabelece a distinção entre o verdadeiro e falso, entre a certeza e a dúvida, entre o certo e o errado, entre a realidade e a ficção. Dizer que a linguagem poderia constituir-se apenas com base neste jogo de associações privadas, que o indivíduo poderia, idealmente, criar e jogar consigo próprio, é dizer que o indivíduo humano é medida do verdadeiro e do falso, da certeza e da dúvida, do certo e do errado, da realidade da ficção. -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, na expressão 'indivíduo humano, damos ênfase à palavra "indivíduo", estaremos metidos na cela do relativismo desvairado que, no "Teeteto',, Platão põe na boca de Protágoras; se a ênfase re¬cair sobre a palavra "humano", te¬remos, então, o horizonte cheio de promessas da Razão incorporado em cada um de nós. De Protágoras, suponho, ninguém sente saudades. Mas, com a Razão clássica, é dife¬rente. Há coisas demais a serem deixadas no caminho. A questão é saber exatamente o que nos foi dei¬xado em troca. E, ainda que não se tenha, aqui, uma resposta clara, já sabemos, a esta altura, que uma outra questão está indissoluvel¬mente ligada a esta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que dá vida ao símbolo? O que vem a ser o sentido proposi¬cional? A resposta de Wittgenstein, nas "Investigações Filosófi¬cas" é - o uso. Entender a palavra cadeira não é nada além de saber usá-la nas situações adequadas. E a partir do momento que a criança aprende a utilizar uma expressão que esta expressão adquire aquilo que tendemos a chamar de "vida". Ela deixa de ser um som entre ou¬tros e passa a ser um som significa¬tivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este uso, porém, não deve ser entendido como uma exterioriza¬ção de regras que cada indivíduo guardaria "dentro de si", na alma, na mente, no cérebro, ou sabe-se lá onde. Não é difícil, creio, imaginar o roteiro de "O Calvário - Parte 2". (O que é uma regra? Uma fór¬mula? E que regra devo seguir para aplicá-la? Um diagrama? E que re¬gra seguir para interpretá-lo? etc.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que o uso da linguagem não seja uma atividade sujeita a regras. Se a linguagem não envolvesse re¬gras, não haveria como distinguir o uso correto do uso incorreto de uma expressão. Esta distinção, po¬rém, impede que eu, o indivíduo humano, entre sorrateiramente pela porta dos fundos para reocupar o posto de medida de todas as coisas. O indivíduo, isolado, pode no máximo ser medida do que lhe parece correto ou incorreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida da linguagem, porém, exige distinção mais forte. O que permite o uso da linguagem no co¬mércio social é o fato de que o ar¬bítrio a respeito do que é e do que não é correto coloca-se numa ins¬tância que escapa ao alcance dos indivíduos isolados -aquela ins¬tância, justamente, em que pode¬mos dizer: "isto pode até lhe pare¬cer correto, mas não e". A lingua¬gem só pode ganhar vida num ter¬reno em que tal distinção seja possível. Na alma, na mente ou no cérebro, ela certamente não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceitar o argumento das 'Investigações Filosóficas" é, em grande medida, repassar a um "nós" as tarefas que a filosofia clássica atribuíra ao "eu". E aceitar, também, que só por um feliz acaso esse "nós" coincidiria com a espécie humana. As diversa pretensões de validade que orien¬tam a vida humana (a verdade, a sinceridade, a correção moral, a beleza) teriam escapado das gaiolas de Protágoras apenas para cair nas celas mais amplas da cultura, da época, dos paradigmas científi¬cos ou da última moda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não há um mundo estável à nossa frente, povoado de objetos e fatos, esperando que a linguagem os recubra, nem um eu postado à porta do universo com o metro da verdade. O mundo das "Investiga¬ções Filosóficas" é, definitiva¬mente, o nosso mundo e, se a ra¬cionalidade puder ser reconquista¬da, é dentro dele, apenas, que po¬deremos encontrá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo isso, pela importância que tem para o pensamento con¬temporâneo, eu deveria encerrar este artigo saudando a publicação que a editora Vozes nos oferece. Não é o caso. Mais uma vez, é pre¬ciso constatar a triste realidade: subdesenvolvimento não é apenas falta de dinheiro, mas o péssimo uso do pouco que se tem. Já havia no mercado, duas más traduções das "Investigações Filosóficas’: a publicada na coleção Os Pensado¬res e outra, portuguesa, patrocina¬da pela Fundação Calouste Gul¬benkian. Agora, temos três.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me refiro, é claro, apenas a minúcias (erros de digitação ou de português). Elas poderiam, sem dúvida, ser apontadas e, para quem faz uma primeira leitura do livro, podem representar um obstáculo sério (pontos de interrogação, por exemplo, foram substituídos por pontos finais em mais de uma pas¬sagem). Não me refiro, tampouco, a opções que, na minha opinião, são menos felizes (como traduzir "meinem", do começo ao fim, por "ter em mente").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refiro-me, por exemplo, ao fato haver, em média, um parágrafo a cada três páginas que, na tradução, -tornou-se, ou completamente in¬compreensível, ou completamente discordante do original. Refiro-me a sentenças inteiras que foram completamente suprimidas, ou, ainda, à figura do parágrafo 48, cu¬jas cores foram substituídas por uma legenda que, ela mesma, está completamente incorreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tradução não é irrecuperável, mas, tal como está, não passa de um rascunho necessitando urgente¬mente de uma revisão técnica que, apesar de alardeada na página de rosto, na melhor das hipóteses não foi feita. A tradução inglesa da Sra. Anscombe, é excelente, bastante barata e facilmente encontrável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JOÃO VERGILIO GALLERANT CUTER é professor de filosofia da Pontificia Universidade Católica (PUC-SP)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A OBRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Investigações Filosóficas, de L. Wittgenstein. Tradução de Marcos G. Montagnoli. Editora Vozes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-1172028572030290737?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/1172028572030290737/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2009/10/o-batismo-do-mundo-segundo-wittgenstein.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/1172028572030290737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/1172028572030290737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2009/10/o-batismo-do-mundo-segundo-wittgenstein.html' title='O batismo do mundo segundo Wittgenstein'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-5456105613780877712</id><published>2009-08-28T18:33:00.001-07:00</published><updated>2009-08-28T18:33:58.563-07:00</updated><title type='text'>XXII Semana Filosófica da PUC-Campinas  aprofunda estudos sobre a filosofia moderna</title><content type='html'>&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" class="MsoNormalTable" height="176" style="width: 561px;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr height="98" style="height: 73.5pt;"&gt; &lt;td height="98" style="height: 73.5pt; padding: 0cm;" valign="top"&gt; &lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" class="MsoNormalTable" height="84" style="width: 100%;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr height="84" style="height: 63pt;"&gt; &lt;td face="Arial, Helvetica, sans-serif" font="" height="84" style="height: 63pt; padding: 0cm; width: 96%;" valign="top" width="96%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt; font-weight: bold;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt; font-style: italic;"&gt;O evento vai  de 31 de agosto a 4 de setembro com abordagem sobre grandes filósofos  alemães.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;No próximo dia 31, ocorre a  abertura da vigésima segunda edição da Semana Filosófica organizada pela  Faculdade de Filosofia da PUC-Campinas. O evento consiste numa série de  palestras e debates em torno do idealismo alemão, analisando a obra de  pensadores como Immanuel Kant e George Hegel, entre outros.  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;"Esses filósofos constituem o foco  central da filosofia moderna que, por sua vez, será o eixo central da nossa  Semana", explicou o diretor da Faculdade de Filosofia, padre José Antonio  Trasferetti. Immanuel Kant, um dos pensadores estudados, é o autor de Crítica da  Razão Pura, obra que explica por que a razão é impotente para conhecer as coisas  profundamente. Por sua vez, George Wilhelm Friedric Hegel, outro filósofo que  será tema nos encontros, tem como base de todo o seu trabalho a fé fundamentada  religiosamente na razão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Os encontros estão marcados para  todas as noites dessa semana, sempre a partir das 19h20, no Auditório Dom  Gilberto, Campus I. Entre os participantes está o arcebispo da Arquidiocese de  Campinas, Dom Bruno Gamberini, doutores e diretores da Faculdade de Filosofia e  do Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (CCHSA). A XXII Semana  Filosófica é indicada para estudantes, professores e profissionais das áreas da  Filosofia, Antropologia, Teologia e outras ciências  sociais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Programação&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;31/08 -  19h20&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Tema: “Idealismo Alemão: Abordagem  Panorâmica”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Palestrante: Dr. Romualdo Dias  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;(Universidade Estadual Paulista -  Unesp)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Mesa: Dr. Pe. Paulo Sergio Lopes  Gonçalves &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;(Diretor do Centro de Ciências  Humanas e Sociais Aplicadas)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Dr. Pe. José Antonio Trasferetti  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;(Diretor da Faculdade de  Filosofia)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Local: Auditório Dom Gilberto -  Campus I - PUC-Campinas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Rodovia Dom Pedro I, Km 136 -  Parque das Universidades&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;01/09 -  19h20&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Tema: “Kant e o Idealismo  Alemão”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Palestrante: Dr. José Luis Sigrist  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; (Universidade  Estadual de Campinas - Unicamp)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Mesa: Dom Bruno  Gamberini&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; (Arcebispo  Metropolitano de Campinas e Grão Chanceler da  PUC-Campinas)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dr. Pe. José Antonio  Trasferetti &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; (Diretor da Faculdade  de Filosofia)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Local: Auditório Dom Gilberto -  Campus I - PUC-Campinas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Rodovia Dom Pedro I, Km  136 - Parque das Universidades&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;02/09 -19h20  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Tema: “Hegel e o Idealismo  Absoluto”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Palestrante: Dr. José Antonio  Vieira &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; (Universidade  Paranaense - Unipar)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Mesa: Dr. Newton Aquiles Von  Zuben&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; (Docente da Faculdade  de Filosofia)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Local: Auditório Dom Gilberto -  Campus I - PUC-Campinas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Rodovia Dom Pedro I, Km  136 - Parque das Universidades&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;03/09 -  19h20&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Tema: “Filosofia Contemporânea e o  Idealismo Alemão”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Palestrantes: Dr.ª Constança T.  Marcondes César &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; (Pontifícia  Universidade Católica de Campinas - PUC-Campinas)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dr.ª Vania  Dutra de Azeredo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; (Pontifícia  Universidade Católica de Campinas - PUC-Campinas)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dr. Wilson  Frezzatti&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  (Universidade Estadual do Oeste do Paraná -  Unioeste)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dr. Ivo da  Silva Junior&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  (Universidade Federal de São Paulo - Unifesp)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dr.  Edimilson Pascoal&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; (Pontifícia  Universidade Católica do Paraná - PUC-Paraná)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Mesa: Dr. Germano Rigacci  Junior&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;(Pró-Reitor de  Graduação e Docente da Faculdade de Filosofia -  PUC-Campinas)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Local: Auditório Dom Gilberto -  Campus I&amp;nbsp; - PUC-Campinas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Rodovia Dom Pedro I, Km  136 - Parque das Universidades&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;04/09 -  19h20&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Noite  Cultural&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Local: Centro Acadêmico  Pe. Narciso Ehrenberg&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" class="MsoNormalTable" height="227" style="width: 560px;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr height="30" style="height: 22.5pt;"&gt; &lt;td colspan="3" face="Arial, Helvetica, sans-serif" font="" height="30" style="height: 22.5pt; padding: 0cm;" valign="top"&gt; &lt;div align="center"&gt; &lt;table border="1" cellpadding="0" cellspacing="0" class="MsoNormalTable" font="arial" style="border: 1pt outset rgb(0, 0, 102); width: 535px;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr height="28" style="height: 21pt;"&gt; &lt;td height="28" style="border: 1pt inset rgb(0, 0, 102); height: 21pt; padding: 0cm;"&gt; &lt;div style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Serviço:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Evento: XXII  Semana Filosófica&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Data:&lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; 31 de agosto a 4 de  setembro&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt; font-style: italic;"&gt;Horário:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;  19h20&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Local:  Auditório Dom Gilberto - Campus I - PUC-Campinas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12pt;"&gt;Endereço: Rodovia D. Pedro I, km  136 - Parque das Universidades - Campinas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-5456105613780877712?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/5456105613780877712/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2009/08/xxii-semana-filosofica-da-puc-campinas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/5456105613780877712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/5456105613780877712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2009/08/xxii-semana-filosofica-da-puc-campinas.html' title='XXII Semana Filosófica da PUC-Campinas  aprofunda estudos sobre a filosofia moderna'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-4495524144092015599</id><published>2009-02-16T17:59:00.000-08:00</published><updated>2009-02-16T18:00:20.265-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia da PUC-SP'/><title type='text'>Filosofia da PUC-SP abre inscrições para quem já tem curso superior</title><content type='html'> &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graduação, que completou 100 anos em 2008, tem vagas para transferência e para profissionais que já possuam diploma de curso superior&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curso de Filosofia da PUC-SP está com inscrições abertas até sexta-feira (20/2) para selecionar novos alunos que queiram transferência ou já tenham diploma de curso superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2008, a graduação em Filosofia da PUC-SP comemorou 100 anos: é o primeiro curso superior da área no Brasil. Foi fundado em 1908 na antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Bento, que em 1946 se juntou à Faculdade Paulista de Direito para fundar a PUC-SP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como exercício crítico e reflexivo, a Filosofia estuda questões relacionadas com diferentes áreas de atividade humana, como a ética, a política, a estética ou o conhecimento. Na PUC-SP, a graduação desenvolve nos alunos a capacidade de análise e o rigor na leitura dos textos filosóficos, estimulando-os a empregar tal habilidade tanto na compreensão das ideias dos diversos pensadores quanto na articulação de suas próprias ideias e textos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curso tem duas habilitações: é possível escolher apenas uma delas ou cursar ambas simultaneamente. A licenciatura prepara para enfrentar com sucesso os desafios e as dificuldades inerentes à tarefa de despertar os jovens para a reflexão filosófica, bem como transmitir aos alunos do Ensino Médio o legado da tradição e o gosto pelo pensamento inovador, crítico e independente. Já no bacharelado, os alunos se preparam para a atividade de investigação teórica em diferentes áreas do conhecimento científico - de forma que o estudante também pode aproveitar os instrumentos proporcionados pelo curso no exercício de outras atividades profissionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No atual processo seletivo, são oferecidas 6 vagas para transferência no turno matutino (1º, 3º e 5º períodos) e 6 no turno noturno (1º, 3º e 5º períodos), mais 4 vagas por suficiência no turno matutino e 4 no turno noturno. Há inscrições também para a modalidade sequencial (que possibilita a portadores de diploma do ensino médio inscrever-se em algumas disciplinas da Filosofia, sendo avaliados como os outros, de modo a convalidar esses créditos caso pretendam posteriormente ingressar na graduação): são 4 vagas no turno matutino e 4 no noturno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de Filosofia, a seleção tem vagas para cursos em outras áreas do saber. Para ler os editais com os detalhes do processo e conhecer as outras graduações oferecidas, acesse www.vestibular.pucsp.br. Informações: (11) 3670-3344.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-4495524144092015599?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/4495524144092015599/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2009/02/filosofia-da-puc-sp-abre-inscricoes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/4495524144092015599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/4495524144092015599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2009/02/filosofia-da-puc-sp-abre-inscricoes.html' title='Filosofia da PUC-SP abre inscrições para quem já tem curso superior'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-3479964864155599675</id><published>2008-10-09T17:55:00.000-07:00</published><updated>2008-10-09T17:56:17.687-07:00</updated><title type='text'>Download gratuito de "O Capital de Karl Marx" por Paul Lafargue</title><content type='html'>A Conrad disponibiliza para download gratuito de "O Capital de Karl Marx" de Paul Lafargue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para baixar a obra completa, clique abaixo no link:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.lojaconrad.com.br/produto.asp?id=210&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este livro sintetiza os fundamentos da economia política e facilita o entendimento do leitor brasileiro ao pensamento de Karl Marx.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é o livro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Capital - Extratos por Paul Lafargue é a compilação essencial da elaboração científica de Marx sobre o funcionamento do capitalismo, suas crises cíclicas, destrinchando seu interior num rigoroso estudo que revolucionou o pensamento social e econômico humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto, supervisionado por Engels, é uma seleção das partes fundamentais da edição integral da monumental obra de Marx. A origem desses extratos organizados por Paul Lafargue está na necessidade da difusão da teoria de Karl Marx ao movimento operário francês do final do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Autor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta edição foi publicada originalmente em 1893, organizada pelo médico e socialista francês Paul Lafargue (1841-1911), genro de Karl Marx (1818-1883), membro do Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores e fundador, junto com Friederich Engels (1820-1895), da II Internacional.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-3479964864155599675?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/3479964864155599675/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2008/10/download-gratuito-de-o-capital-de-karl.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/3479964864155599675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/3479964864155599675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2008/10/download-gratuito-de-o-capital-de-karl.html' title='Download gratuito de &quot;O Capital de Karl Marx&quot; por Paul Lafargue'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-4707237877499616785</id><published>2008-09-05T17:52:00.001-07:00</published><updated>2008-09-05T17:52:55.577-07:00</updated><title type='text'>Rodas de Conversa discutem filosofia e preocupações do linguista russo Mikhail Bakhtin em novembro</title><content type='html'>Temas de discussão envolvem desde ideologia, até carnavalização, mídia, educação e marxismo. Inscrições podem ser feitas de 8 a 10 de setembro &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Grupo de Estudos dos Gêneros do Discurso (GEGe), que reúne professores e alunos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), abre inscrições, de 8 a 10 de setembro, para os interessados em participar do ?Círculo Rodas de Conversa Bakhtiniana 2008?. O valor é de R$ 50,00 e as vagas são limitadas. O evento acontece de 7 a 9 de novembro na UFSCar, em São Carlos.&lt;br /&gt;A proposta do Círculo é discutir temas, a filosofia e preocupações do lingüista russo Mikhail Bakhtin, e mostrar como alguns desses aspectos contribuem para pensar questões da atualidade. O Círculo irá se desenvolver em 15 rodas de conversa bakhtiniana. Cada participante (em um total de 40 em cada roda) terá três minutos para produzir uma pequena fala sobre um tema bakhtiniano. A cada 20 falas, um professor convidado produzirá uma síntese provocadora. Entre os temas previstos estão ideologia, gêneros do discurso, carnavalização, subjetividade, mídia, educação e marxismo.&lt;br /&gt;No último dia, haverá a realização de uma conferência de encerramento em que cada Coordenador de Roda exporá os trabalhos realizados a todos os participantes do Círculo.&lt;br /&gt;As inscrições para os interessados em participar do Círculo devem ser feitas somente pela Internet, no endereço www.circuloufscar.blogspot.com.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-4707237877499616785?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/4707237877499616785/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2008/09/rodas-de-conversa-discutem-filosofia-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/4707237877499616785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/4707237877499616785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2008/09/rodas-de-conversa-discutem-filosofia-e.html' title='Rodas de Conversa discutem filosofia e preocupações do linguista russo Mikhail Bakhtin em novembro'/><author><name>Redação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03773047398853116014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='34' height='9' src='http://1.bp.blogspot.com/_US279s4Mcpw/SanUzFMtiBI/AAAAAAAABA0/XwNJTxIcFOI/S220/logo_subs.GIF'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-703300569149574789</id><published>2008-06-11T20:38:00.001-07:00</published><updated>2008-06-11T20:38:48.079-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Domingo  20 de novembro de 1994   mais!   Folha de São Paulo   6-4&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Letras e Luzes de Voltaire&lt;br /&gt;Amanhã faz 300 anos que o filósofo, dramaturgo, poeta e romancista François Marie Arouet nasceu em Paris&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;RICARDO MUSSE&lt;br /&gt;Especial para a Folha&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;À luz da situação atual da divisão intelectual do trabalho, a obra de Voltaire, em seu conjunto, soa anacrônica, confusa e até mesmo incompreensível. Admitimos o in&amp;shy;teresse por todos os assuntos da cultura humana em gênios de uma outra época, como Da Vinci. Mas por que Voltaire, cujas opiniões são tão próximas às nossas e tão de acordo com a realidade do mundo industrial, não se concentrou em especialidades determinadas?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Essa questão nem sempre é pos&amp;shy;ta assim tão brutalmente. Aliás, na maioria das vezes, sequer é expli&amp;shy;citada. Mas, nem por isso deixa de ser tematizada. Para uns, a trajetó&amp;shy;ria de Voltaire resulta de um equívoco. Ele quis, inicialmente, ser o sucessor de Racine- logo, um continuador do classicismo poéti&amp;shy;co-  visando, num arrivismo típi&amp;shy;co da época, o aplauso e a proteção da corte. Idiossincrasias (dele e de Luís 15) e vicissitudes levaram-no, porém, à filosofia, ao combate duplo à religião e ao Antigo Regime, ou seja, à sua verdadeira vocação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Para outros, porém, não se trata apenas da descoberta tardia de uma vocação autêntica, mas antes da disseminação de uma concepção filosófica em terrenos afins. As&amp;shy;sim, a história e os contos voltaire&amp;shy;anos-enunciados junto com a ru&amp;shy;brica “filosóficos''-  são tomados como meros pretextos para a in&amp;shy;vestigação filosófica, ou melhor, são avalizados enquanto suportes ideais para a difusão esclarecida de uma visão racional do mundo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A tese, inegável, do predomínio de uma concepção racional, os per&amp;shy;mite compreender melhor, por exemplo, o assunto dos contos de Voltaire, ou o historiador. Senão, como bem mostra G. Lanson, co&amp;shy;mo entender a disposição, aparen&amp;shy;temente sem nexo, dos capítulos de "O século de Luís 14" a não ser pela subordinação da própria seqüência histórica a uma idéia geral, a um plano predeterminado? No entanto, essa explicação deixa de lado partes importantes da obra de Voltaire. Não contempla as tragé&amp;shy;dias, a poesia épica, certas sátiras ou mesmo porções de livros de his&amp;shy;tória onde a preocupação com a exatidão se sobrepõe às teses da fi&amp;shy;losofia da história. Mais ainda, altera completamente o significado peculiar que o século 18 francês deu ao termo filosofia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Na verdade, o que faz com que os especialistas de hoje dêem pouca atenção à obra de Voltaire ou o vejam como um mero diletante- para historiadores, trata-se sobretudo de um filósofo que  cometeu" livros de história; para os literatos, de um autor de romances de teses; e mesmo para filósofos, apenas de um autor menor incapaz de vôos metafísicos ou de desen&amp;shy;volver um sistema próprio -é a enorme distância que separa a atual divisão universitária em faculdades e saberes distintos das práticas e tarefas intelectuais do séc. 18. Por filósofo, compreendia-se na época, não autores de tratados teóricos, ou mestres-pregadores a doutrinar dis&amp;shy;cípulos, mas sim aquele que dá o exemplo vivo de liberdade, de in&amp;shy;dependência e de audácia no exercício cotidiano do discernimento e da razão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É a partir desse conceito de filo&amp;shy;sofia que designa antes uma atitu&amp;shy;de do espírito e uma forma de re&amp;shy;flexão do que a atividade solitária do construtor de sistemas, que de&amp;shy;vemos medir e tentar compreender a obra de Voltaire. Neste padrão, a maior parte das considerações aca&amp;shy;dêmicas perdem a pertinência. Afi&amp;shy;nal, como acusá-lo de diletantis&amp;shy;mo, se o que importava para os ilu&amp;shy;ministas era abordar tantos campos quanto possível substituindo, com a aplicação dos princípios da ra&amp;shy;zão. a tutela da metafísica e da teo&amp;shy;logia? Como acusá-lo de pouco dotado para a ''especulação)'', se se tratava de um pensamento anti&amp;shy;sistemático, avesso as indagações da metafísica e voltado essencialmente para a ação humana. para a intervenção esclarecida?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mais ainda. E esse conceito de filosofia. com seu interesse priori&amp;shy;tário no bem-estar social e sua aversão à especialização, que torrna inteligível tanto algumas de suas opções teóricas quanto o seu des&amp;shy;leixo voluntário frente às especificidades dos diversos saberes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É sobretudo um interesse práti&amp;shy;co-  a preocupação em fazer da re&amp;shy;construção do passado um conhecimento útil para a ação do presente- que o impulsiona, por exemplo. a fazer da história um conheci&amp;shy;mento humano e dessacralizado. A discordância em relação à concep&amp;shy;ção de Bossuet de Providência di&amp;shy;vina é apenas o caminho teórico que lhe permite clarificar melhor a sua tarefa. Mesmo a sua recusa em procurar respostas definitivas às questões últimas decorre antes de uma distinção entre o que importa -a ação sobre o mundo social- e o que é inútil -indagações metafísicas-, do que da adoção de uma variante da teoria do conhecimento de Locke.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A distinção usual, na seara aca&amp;shy;dêmica. entre saberes, a cataloga&amp;shy;ção dos textos em disciplinas espe&amp;shy;cíficas não se aplicam sem dificul&amp;shy;dades à obra de Voltaire. Já se dis&amp;shy;se aqui que seus livros de história e seus contos devem muito à filosofia. Mas a recíproca também é verdadeira. A forma de seus textos mais filosóficos (aqueles que con&amp;shy;tém esse termo no titulo), a clareza e o refinamento do estilo, a presen&amp;shy;ça de um enfoque e de uma erudi&amp;shy;ção histórica reafirmam, por sua vez, a sua condição de escritor e de historiador. Na verdade isso nos le&amp;shy;va a pensar que a melhor definição de sua atividade seja dada por aquele termo cujo verbete ele fez questão de redigir na 'Enciclopé&amp;shy;dia": "homme de lettres". Se é assim -respondendo sucintamen&amp;shy;te à questão inicial- a maior infi&amp;shy;delidade possível para com Voltai&amp;shy;re seria confundir sua fé no pro&amp;shy;gresso da civilização com o mal-estar que a racionalização do mun&amp;shy;do industrial nos legou.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;RICARDO MUSSE e professor de filosofia na Unesp -Universidade Estadual Paulista&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-703300569149574789?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/703300569149574789/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2008/06/domingo-20-de-novembro-de-1994-mais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/703300569149574789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/703300569149574789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2008/06/domingo-20-de-novembro-de-1994-mais.html' title=''/><author><name>Gilberto da Silva</name><uri>https://profiles.google.com/117445932376156786541</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-i_pZTV0YmOU/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAA5o/dFNMGlDLlWM/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-5438365063662502630</id><published>2008-06-11T20:37:00.000-07:00</published><updated>2008-06-11T20:38:08.360-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A guerra sem fim da razão&lt;br /&gt;A batalha de Voltaire pelos direitos humanos permanece inacabada no Brasil e no mundo&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;SÉRGIO PAULO ROUANET&lt;br /&gt;Especial para a Folha&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em que sentido podemos dizer que a batalha de Voltaire pelos di&amp;shy;reitos humanos ainda é  indefini&amp;shy;damente atual", nas palavras de Valéry?&lt;br /&gt;Ela é atual, no Brasil e no mun&amp;shy;do, porque está inacabada. E atual porque apesar de progressos Im&amp;shy;portantíssimos. muitas das aberra&amp;shy;çôes que Voltaire combateu renasceram ou se agravaram. E o que podemos verificar em cada um dos direitos pelos quais Voltaire se ba&amp;shy;teu.&lt;br /&gt;É o caso do direito à razão, o valor mais alto da Ilustração e o mais decisivo para Voltaire, porque é a condição de possibilidade de todos os outros. O pensamento ainda está sujeito a restrições poli&amp;shy;ciais em grande parte da humani&amp;shy;dade. Nos países em que elas não existem, a "servidão voluntária'' induzida pelo conformismo e pela propaganda impede as pessoas de pensarem por si mesmas. Os fundamentalismos religiosos pululam em toda parte.&lt;br /&gt;Nos Estados Unidos e na Suíça, seitas pregam o fim do mundo e abreviam a chegada dos seus adep&amp;shy;tos ao paraíso, induzindo-os ao sui&amp;shy;cídio coletivo. Aiatolás mandam militantes executar escritores sacrí&amp;shy;legos, do mesmo modo que os pa&amp;shy;dres do Antigo Regime, segundo Voltaire, armavam regicidas como Jacques Clément e Ravaillac, para maior glória de Deus. Em Bangladesh, uma escritora é condenada à morte por ter ousado criticar o Corão. Hindus e muçulmanos se trucidam mutuamente em nome do Profeta ou de Brama.&lt;br /&gt;No Brasil, vivemos durante duas décadas sob uma ditadura que Mas e proibia livros e prendia escritores, exatamente como na França de Voltaire. Com a redemocratização,   os exemplos de intolerância se tornaram raros, mas embora o direito  à razão não seja mais cerceado,   não se pode dizer que ele esteja en&amp;shy;tre os mais populares no Brasil. Ao   contrário, o irracionalismo se difunde e hoje quase podemos ouvir a reivindicação oposta, o direito ao delírio.&lt;br /&gt;Um mago publica "best seIlers", antigos guerrilheiros consul&amp;shy;tam astrólogos e veteranas trotskis&amp;shy;tas rodopiam todas as noites no ter&amp;shy;reiro. São formas benignas de irracionalismo, compreensíveis sobretudo entre os jovens que se filiam a uma concepção alternativa do  mundo, e que vêem na leitura de livros esotéricos uma forma tão legitima de protestar contra o "establi&amp;shy;shment" religioso como a adesão aos verdes é uma forma legitima de protestar contra o 'establisli&amp;shy;ment" político. (...)&lt;br /&gt;O direito individual à liberdade é hoje reconhecido nas chamadas democracias industriais, nos anti&amp;shy;gos países do Leste e em quase, todos os países da América Latina. Mas o socialismo burocrático, na China, na Coréia do Norte e em Cuba, bem como os regimes afri&amp;shy;canos de partido único, são tão ab&amp;shy;solutistas quanto as tiranias do tempo de Voltaire, com a diferença de que não são despotismos espe&amp;shy;cialmente esclarecidos e de que a rede de doação dos regimes totalitários de hoje é muito mais eficaz que no Antigo Regime.&lt;br /&gt;Por outro lado, os movimentos segmentares de emancipação continuam muito longe dos objetivos visados. A libertação da mulher ainda não avançou o suficiente, o sexismo continua endêmico na Eu&amp;shy;ropa e nos Estados Unidos, e São ainda raras mulheres como a com&amp;shy;panheira de Voltaire, Madame du Châtelet, que escrevia tratados de álgebra e divulgava a física de Newton. A libertação dos negros  ainda é mais retórica que real e não  há sinais evidentes de que as populações aborígenes estejam recebendo benefícios muito concretos. nem sequer o direito à vida. O co&amp;shy;lonialismo terminou como forma ostensiva de dominação política, mas não como colonialismo indireto, agora institucionalizado sob a forma de um pretenso direito à intervenção. ou como subordinação econômica e tecnológica.&lt;br /&gt;Terminada uma noite de 21 anos, o Brasil é hoje um país ple&amp;shy;namente democrático, com liberda&amp;shy;de pessoal e política reconhecida a todos. Mas se isso é verdade para a liberdade individual, é menos ver&amp;shy;dade no tocante aos objetivos de emancipação setorial. Contam-se nos dedos as mulheres que ocupam altos cargos executivos ou na ma&amp;shy;gistratura superior (...).&lt;br /&gt;A Lei Áurea ainda é uma menti&amp;shy;ra para a população negra do Bra&amp;shy;sil, que vive em sua maioria em condições de pobreza igual ou pior à que ostentavam há um século, que continua sem educação, sem teto, sem alimentação, e que forne&amp;shy;ce 80% ou mais da população pe&amp;shy;nitenciária ou das vítimas da re&amp;shy;pressão policial. Os progressos ob&amp;shy;tidos no que diz respeito à emanci&amp;shy;pação da população indígena po&amp;shy;dem ser lidos na crônica policial. nas manchetes do . 'The New York Times''. ou nos relatórios da Ani&amp;shy;nesty International. A descoloniza&amp;shy;ção se consumou há 172 anos, mas não é preciso ser nacionalista, o que como bom iluminista estou longe de ser. para saber que o país ainda tem um longo caminho a percorrer para superar a dependên&amp;shy;cia financeira e tecnológica que o impede de participar igualitaria&amp;shy;mente dos processos decisórios mundiais.&lt;br /&gt;O direito à justiça está hoje em dia protegido nos principais esta&amp;shy;dos democráticos, e dificilmente veríamos abusos semelhantes aos praticados, no tempo de Voltaire, pelos antigos '~Parlements". Mes&amp;shy;mo assim, a existência da pena de morte nos Estados Unidos é um anacronismo cuja abolição ainda não está à vista. Em outros países, além da pena de morte, há puni&amp;shy;ções degradantes. como a chibata, castigos cruéis, como a lapidação de adúlteras, e a criminalização de práticas, como a blasfêmia ou o adultério, que eram severamente punidas no tempo de Voltaire, mas que hoje deveríamos considerar tão irrelevantes, do ponto de vista pe&amp;shy;nal, como a feitiçaria.&lt;br /&gt;No Brasil, não há pena de morte desde a República. Mas há uma pe&amp;shy;na de morte não-oficial contra crianças de rua e marginais adul&amp;shy;tos, falsos ou verdadeiros, executa&amp;shy;da por criminosos escondidos em órgãos públicos. Durante a ditadu&amp;shy;ra militar tivemos a ressurreição da mais covarde das práticas, a tortura (..). O advento da democracia abo&amp;shy;liu essa infâmia, mas ela não con&amp;shy;seguiu assegurar de todo o direito à justiça, porque como os juizes são os primeiros a reconhecer, propon&amp;shy;do, por isso, uma reforma profunda do aparelho judicial, ela continua, apesar de progressos recentes, em grande parte discriminatória e sele&amp;shy;tiva, punindo as pessoas de baixa renda e deixando impunes os deli&amp;shy;tos dos poderosos.&lt;br /&gt;O direito ao bem-estar é negado na prática pela pobreza absoluta em que vegeta a maioria da popu&amp;shy;lação do mundo. O chamado con&amp;shy;flito Norte-Sul é uma conseqüência do desnível de renda entre os países desenvolvidos, cuja população tem padrões de consumo sem pre&amp;shy;cedentes na história mundial, e os países subdesenvolvidos, em que a miséria de massa é certamente mais dramática que a encontrada por Voltaire entre os servos da gle&amp;shy;ba, quando ele se instalou em Ferney.&lt;br /&gt;Inútil dizer que esse direito é transgredido no Brasil, cujos indi&amp;shy;cadores sociais estão entre os pio&amp;shy;res do mundo. Com uma mortali&amp;shy;dade infantil de 88 por mil, quase duas vezes mais alta que a de Sri-Lanka, e uma taxa de analfabetis&amp;shy;mo de 18%, uma das mais eleva&amp;shy;das da América Latina, o Brasil es&amp;shy;tá em 500. lugar na escala do desen&amp;shy;volvimento humano, segundo o ín&amp;shy;dice elaborado pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, apesar de pertencer ao grupo das dez maiores economias do mundo.&lt;br /&gt;O remédio, decerto, não é a mo&amp;shy;dernização autoritária apregoada por Voltaire a partir do modelo russo, mas não é, tampouco, a re&amp;shy;cusa da modernidade. a regressão utópica para um paraíso bucólico, segundo a visão rousseauísta. Depois de 200 anos, os dois adversá&amp;shy;rios se enfrentam de novo, no Brasil: entre Voltaire. que apostava O progresso econômico e tecnológico, e Rousseau, que realizou uma crítica radical da modernidade, é preciso ter a coragem de tomar partido por Voltaire, buscando realização de uma modernidade humana. capaz de assegurar a cem milhões de brasileiros a fruição efetiva do seu direito ao bem-estar.&lt;br /&gt;Enfim, o direito à paz, que parecia ter se consolidado com o fim da Guerra Fria e consequentemente com o fim da ameaça nuclear, tornou-se de novo problemático com os focos de violência armada que explodiram depois da dissolução do império soviético e da Iugoslavia. O discurso dominante, hoje, é o discurso da identidade -identi&amp;shy;dade cultural, étnica e nacional. Há uma etnizaçâo dos conflitos sérvios versus croatas, russos versus &amp;shy;alemães, minorias húngaras versus maiorias rumenas, eslavos ortodó&amp;shy;xos versus bósnios muçulmanos, e, no fundo, uma retribalização do mundo, dividido entre comunidades autárquicas. demarcadas se&amp;shy;gundo critérios lingüísticos, raciais e religiosos.&lt;br /&gt;E o fim do modesto universalismo que havia sido alcançado du&amp;shy;rante a Guerra Fria, na verdade, dois cosmopolitismos rivais, que apesar de tudo representavam um progresso, mesmo ambíguo, em di&amp;shy;reção a um mundo sem fronteira culturais ou nacionais. O triunfo do nacionalismo e da política da etni&amp;shy;cidade poderão selar o fim de qual&amp;shy;quer concepção universalista, sem a qual, como sabia Voltaire, o di&amp;shy;reito à paz se tornaria ilusório.&lt;br /&gt;País sem conflitos externos, sem inimigos hereditários. sem diferen&amp;shy;ças culturais gritantes. o Brasil tem tudo para assegurar a seus habitan&amp;shy;tes pelo menos esse direito.&lt;br /&gt;preciso ficar vigilante para que a maré dos novíssimos particularis&amp;shy;mos não chegue até nós, seja sob uma forma nacionalista, que nos leve a desenvolver fantasias xenó&amp;shy;fobas, seja pela importação de uma ideologia da etnicidade, que 'esti&amp;shy;mule a formação de identidades polonesas no Paraná, de identida&amp;shy;des africanas na Bahia e de identi&amp;shy;dades bororo no Mato Grosso.&lt;br /&gt;Cada vez que alguém começa a falar muito alto de "raízes" e de perda de identidade em conseqüência da invasão cultural estrangeira. está na hora de procurar a saída de emergência: a doutrina do "sangue e do solo" não está longe. Nada poderia frustrar mais radicalmente o exercício do direito à paz, porque a etnicidade não é outra coisa que a mitologilização neo-romântica-' da violência, uma ideologia que faz um SS pensar que é Siegfried e que o autoriza a metralhar um gueto em nome de suas raízes germânicas.&lt;br /&gt;Para os que alegam que no Bra&amp;shy;sil esses extremos são inconcebí&amp;shy;veis, respondo que uma política da etnicidade que tenha Macunaíma como herói é muito mais simpática que a que tem Odin  como figura totêmica, mas na dúvida é preferí&amp;shy;vel evitar até um -caráter nacional baseado na falta de caráter: no fri&amp;shy;gir dos ovos, Macunaíma pode se esquecer de dizer "ai, que pregui&amp;shy;ça" e, numa crise de heroísmo. de&amp;shy;fender pela violência essa identida&amp;shy;de negativa, esmigalhando-se com seu tacape miolos inocentes. De novo, Voltaire tem razão, sem doses suficientes de universalismo que permitam estabelecer diálogos transnacionais e transculturais, - re&amp;shy;lativizando todas as identidades coletivas, o direito à paz, exteira e interna. poderia ser ameaçado no Brasil.&lt;br /&gt;Eis a atualidade de Voltaite: a exacerbação, hoje em dia, do fana&amp;shy;tismo, da tirania, da injustiça-, da miséria e da violência, mostram como precisamos do homem cuja mensagem infatigável foi a defesa do direito à tolerância e à razão, do  -direito à liberdade individual &amp;amp; coletiva. do direito à justiça e à equi&amp;shy;dade. do direito ao desenvolvimento e ao bem-estar, do direito à paz e à universalidade.&lt;br /&gt;SÉRGIO PAULO ROAUNET é filósofo e embaixador de carreira. autor de "As Razões do Iluminismo". entre outros,- foi ministro da Cultura (governo Collor) e atualmente exerce o cargo de cônsul-geral do Brasil em Berlim (AIemanha.); o texto acima é um extrato de sua conferência no Simpósio Voltaire, em Ouro Preto.&lt;br /&gt;FILÓSOFO ESCREVE SOBRE O BRASIL&lt;br /&gt;VOLTAIRE&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Acabamos de ver, no meio das terras da América, multidões de povos civilizados, in&amp;shy;dustriosos e aguerridos, descobertos e domi&amp;shy;nados por um pequeno número de espanhóis. Mas os portugueses, conduzidos pelo florenti&amp;shy;no Américo Vespúcio, tinham descoberto desde a época das viagens de Cristóvão Co&amp;shy;lombo, no ano de 1500, países não menos vastos, não menos ricos e povoados por na&amp;shy;ções completamente diferentes. Vespúcio chegou às costas do Brasil situadas perto do Equador.&lt;br /&gt;E o terreno mais fértil da Terra, o céu mais puro e o ar mais saudável. O vento do Orien&amp;shy;te, que a rotação da terra em seu eixo faz gerar continuamente entre os dois trópicos, depois de atravessar mil léguas de mar, traz ao Brasil uma doce aragem que tempera o calor de um sol sempre vertical e garante uma primavera eterna. As árvores desse solo desprendem um odor delicioso. As montanhas têm ouro, as rochas, diamantes e todas as frutas nascem nos campos não cultivados. A vida dos ho&amp;shy;mens, limitada por toda parte a 80 anos no máximo, estende-se geralmente entre os bra&amp;shy;sileiros a 128, às vezes até a 140 anos. Ainda hoje vêem-se portugueses decrépitos embar&amp;shy;carem em Lisboa e rejuvenescerem no Brasil.&lt;br /&gt;Mas que espécie de homens habitavam es&amp;shy;sa região pela qual a natureza tudo fez? Ves&amp;shy;púcio conta em uma carta ao gonfaloneiro de Florença que os brasileiros são de cor bronzeada; talvez se se dissecasse um brasileiro com o mesmo cuidado com que se dissecaram ne&amp;shy;gros, encontrar-se-ia em sua membrana mu&amp;shy;cosa a razão dessa cor.&lt;br /&gt;Quanto aos costumes, eram inteiramente sem leis, sem nenhum conhecimento da di&amp;shy;vindade, unicamente ocupados com as neces&amp;shy;sidades do corpo; a mais interessante dessas necessidades era a junção dos dois sexos. Sua maior habilidade consistia no conhecimento de ervas que estimulavam seus desejos e que as mulheres se encarregavam de colher. A vergonha lhes era desconhecida. Sua nudez, que a amenidade do clima lhes impedia de cobrir, não envergonhava ninguém, e servia para confirmar o uso de não distinguir, no acasalamento, nem irmã, nem mãe, nem filha, das outras mulheres.&lt;br /&gt;A necessidade de matar animais para servi&amp;shy;rem de alimento os levou a inventar o arco e as flechas. Essa era sua única arte. Serviam-se dela em suas disputas de homem a homem, ou de multidão a multidão. O vencedor comia com sua companheira a carne do inimigo. Vespúcio disse que um brasileiro lhe deu a entender que tinha comido 300 homens em sua vida e quando ficou sabendo que os portugueses não comiam seus inimigos demons&amp;shy;trou grande surpresa. Tal era, no mais belo clima do universo, o estado de pura natureza de homens que chegavam à mais avançada velhice em plena saúde.&lt;br /&gt;Tradução de ELIANA SCOTTI MUZZI&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Trecho extraído do livro "Essai sur les Moeura", cujo fac-símile -veja acima- será exibido por ocasião do Simpósio Voltaire, em Ouro Preto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-5438365063662502630?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/5438365063662502630/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2008/06/guerra-sem-fim-da-razo-batalha-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/5438365063662502630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/5438365063662502630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2008/06/guerra-sem-fim-da-razo-batalha-de.html' title=''/><author><name>Gilberto da Silva</name><uri>https://profiles.google.com/117445932376156786541</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-i_pZTV0YmOU/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAA5o/dFNMGlDLlWM/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-4528648008805308107</id><published>2008-06-11T20:36:00.002-07:00</published><updated>2008-06-11T20:37:01.521-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>FOLHA DE S. PAULO  mais! - Domingo, 21 de maio de 1995 5- 15       OLHO CLÍNICO&lt;br /&gt;O interesse de Richard Rorty&lt;br /&gt;O livro "A Filosofia e o Espelho da Natureza” do pensador americano, é lançado no Brasil&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;JURANDIR FREIRE COSTA&lt;br /&gt;Especial para a Folha&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A publicação de “A Filosofia e  O Espelho da Natureza'' (ed. Relu&amp;shy;me Dumará) é um bom momento para a discussão da obra de Ri&amp;shy;chard Rorty.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O sucesso de Rorty nos meios acadêmicos e a variedade de as&amp;shy;suntos que aborda, seguramente di&amp;shy;ficultam uma justa apreciação de seu trabalho. Porque faz sucesso, Rorty pode ser visto como mais um, teórico da moda; porque abraça lemas que vão de questões técnicas de filosofia analítica à guerra na Bósnia, tende a ser avaliado pelos especialistas das disciplinas que discute como um diletante que fala muito do que conhece pouco. Os mal-entendidos são inevitáveis. Fazem parte dos riscos assumidos por Rorty, na defesa de sua concepção da tarefa do filósofo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Penso que Rorty tornou-se um dos mais estimulantes pensadores da atualidade. No artigo autotobio&amp;shy;gráfico “Trostky e as Orquídeas Selvagens”, ele diz como aproximou-se da filosofia antecipando a originalidade de sua posição no cenário intelectual de hoje. Quando estudante, diz Rorty, uma pergunta o inquietava: como conciliar o bem-estar individual com o bem-&amp;shy;estar de todos? Fez esta pergunta à filosofia e não se contentou com a resposta. Notou que a maioria dos filósofos tentava resumir num só princípio explicativo as causas e as justificações do que é bom para um e para a coletividade. Ocorre que nem sempre é possível unificar num mesmo sistema conceitual as causas e as justificativas de nossas crenças e nem tudo que favorece a busca de felicidade individual é compatível com o bem comum.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Existem múltiplas interpretações das causas e das razões do que somos do que queremos e de por que agimos. Todas são, por isso mesmo, contingentes, isto é, historicamente dependentes dos contextos em que são aceitas e enunciadas como ver&amp;shy;dadeiras.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O que determina a escolha de um ponto de vista sobre o sujeito e o mundo são os objetivos pragmáticos visados e não a posse de uma teoria fundada em exigências lógi&amp;shy;cas ou achados empíricos incontestáveis. Rorty redescobriu, assim, o pragmatismo filosófico da cultura norte-americana. Fez suas as máximas de William James e Wendell Holmes: onde encontrar uma contradição faça uma  redescrição, a vida, antes de ser lógica, é experi&amp;shy;mento.&lt;br /&gt;As idéias de redescrição e experimento tornaram-se o centro de seu pensamento e o alvo principal dos adversários.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No termo redescrição, uns viram a ocultação ingênua ou deliberada da dominação político-econômico-cultural ou da violência das pul&amp;shy;sões e paixões humanas. Dito de outro modo, as realidades não-linguísticas que condicionam a ação subjetiva são excluídas do neo&amp;shy;pragmatismo. em beneficio de uma bem comportada ação performati&amp;shy;va da língua.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No termo experimento, outros viram a negação da força da história da modelagem ideológica do que pode ou não ser experimenta&amp;shy;do. A criatividade individual não nasce da cabeça de Zeus; é limita&amp;shy;da e orientada pelos interesses so&amp;shy;ciais dominantes. Rorty, diz-se, faz das mudanças históricas e pessoais um efeito de decisões voluntaristas e individualistas, apoiadas num idealismo lingüístico, onde o sujeito parece narrar-se e redescrever-se num clima ameno de chá das cinco. Em suma, como disse um crítico, a moral de Rorty é boa para executivos, estetas e terapeutas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Esta leitura é opcional. Em meu entender, Rorty nem  nega a exis&amp;shy;tência nem a influência das realida&amp;shy;des não-linguísticas sobre o sujeito e suas visões de mundo. Quando recusa a idéia de que os referentes dos termos que usamos possam in&amp;shy;depender ‘realisticamente’ das teorias de verdade que temos, não quer dizer que o sentido das pala&amp;shy;vras ou expressões sejam puro re&amp;shy;flexo da forma ou sintaxe gramati&amp;shy;cais. Diz somente que empregar palavras com sentido é o mesmo que dominar as regras corretas de seus usos no interior de uma teoria de verdade que constrói seus próprios referentes. Mas, para saber como tal ou qual teoria de verdade impôs se na linguagem ordinária, precisamos recorrer à história ou à genealogia das crenças tidas como verdadeiras.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Neste caso, termos como “po&amp;shy;der'', ''interesse'', "dominação", ''realidade material'' etc., são indispensáveis à análise, pois verda&amp;shy;deiro é aquilo que nos habituaram a aceitar como verdadeiro, pela força ou pela persuasão dos costu&amp;shy;mes. Exemplificando, uma coisa é dizer que a crença na existência de realidades como  ''lei do merca&amp;shy;do'', '“sexualidade”, ''raça” etc., depende dos referentes casualmente associados às idéias que tornam a crença plausível; outra coisa é tentar mostrar o jogo de poder, in&amp;shy;teresses etc, que tornaram a crença não plausível mas historicamente viável. A análise lingüística daquilo que nos habilita a descrever o mundo de uma forma ou de outra não exclui a análise de como fomos levados a crer na verdade de tal descrição.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Redescrição e experimento são apenas maneiras de afirmar que não podemos garantir que proble&amp;shy;mas e soluções atuais estavam prontos ou podiam ser previstos no começo dos tempos ou  no passado remoto da cultura. Isto não signifi&amp;shy;ca desconhecer o peso do passado como causa do presente. Significa que só podemos ver a marca do passado no presente quando dispo&amp;shy;mos de uma teoria de verdade que mostra a marca como causa ou razão do que importa discutir.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Para efeitos da ação, só existem eventos sob descrição. E a descri&amp;shy;ção preferida do intérprete será a mais adequada às suas convicções éticas e não a mais iluminada pela Razão. Por conseguinte, agimos éticamente porque experimentamos saídas  para dilemas conforme uma dada tradição moral e não porque conhecemos lugar onde as palavras soldam-se ao supremo Bem.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Esta opção teórica pode ou não ser admitida. Mas, se admitida, não implica necessariamente em con&amp;shy;servadorismo político ou moral. O neopragmatismo de Rorty pode le&amp;shy;gitimar escolhas políticas distintas, desde que certos princípios éticos sejam mantidos. Dou um exemplo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Rorty traça uma linha divisória entre o público e o privado que, a meu ver, espelha o modo de viver democrático: de um lado, as insti&amp;shy;tuições liberais encarregadas da justiça para todos, de outro lado, o incentivo à liberdade individual de experimentar novos estilos de vida, exceto os que atentem físico-moralmente contra o outro. Mas este esquema pode converter-se facil&amp;shy;mente em um projeto conservador. Basta que as fronteiras entre o pri&amp;shy;vado e o público, assim como esta própria divisão, sejam eternizadas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Rorty, às vezes, parece deslizar nesta direção, como mostram as críticas que fez a Foucault. Ele re&amp;shy;prova em Foucault, a pretensa indi&amp;shy;ferença social de seu modelo esté&amp;shy;tico da existência. Mas, redescrito de outro ângulo, Foucault pode ser visto como o cronista liberal, elogiado por Rorty. Nada no pensa&amp;shy;mento de Foucault sugere desres&amp;shy;peito à dor do outro ou alheamento diante da opressão. Neste exemplo, Rorty pode ser confrontado com as premissas de seu raciocínio e con&amp;shy;testado em suas conclusões. Ele, como Foucault, partilham o mes&amp;shy;mo credo moral básico da cultura humanista e democrática, embora discordem radicalmente sobre os melhores meios de alcançar o fim desejado. Esta é uma conseqüência do neopragmatismo. O valor moral da teoria não deriva exclusivamen&amp;shy;te de seu conteúdo, mas do uso fei&amp;shy;to na prática.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Enfim, Rorty nem é a salvação nem a danação de nossos espíritos. É um pensador extraordinariamen&amp;shy;te inteligente, que nos faz pensar, às vezes, no que nunca havíamos pensado. É só e é muito. Poucos, muito poucos, foram ou chegaram até aí. Por este motivo, "A Filoso&amp;shy;fia e o Espelho da Natureza" deve ser lido com a atenção que seu au&amp;shy;tor merece e exige.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;JURANDIR FREIRE COSTA é psicanalista e professor de medicina social na Universidade Es&amp;shy;tadual do Rio de Janeiro é autor de "Inocência e Vicio . Estudos sobre o Homoerotismo" e "A Ética e o Espelho da cultura"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-4528648008805308107?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/4528648008805308107/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2008/06/folha-de-s.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/4528648008805308107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/4528648008805308107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2008/06/folha-de-s.html' title=''/><author><name>Gilberto da Silva</name><uri>https://profiles.google.com/117445932376156786541</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-i_pZTV0YmOU/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAA5o/dFNMGlDLlWM/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-1384603032369533529</id><published>2008-06-11T20:36:00.001-07:00</published><updated>2008-06-11T20:36:29.653-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Especial A-4 segunda-feira; 3 de abril de 1995           jornal de resenhas&lt;br /&gt;                        FOLHA DE S. PAULO/Discurso Editorial/USP                        '~&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Os fatos e as quimeras&lt;br /&gt;Franklin de Matos&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ensaio Sobre os Elementos de&lt;br /&gt;Filosofia&lt;br /&gt;Jean Le Rond D'Alembert&lt;br /&gt;traduçâo: Beatriz Sidou&lt;br /&gt;Ed. da Unicamp, 184 págs.&lt;br /&gt;R$ 12,04&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                Certamente D'Alembert foi um dos maiores exemplos daquele ideal, próprio da Ilustração, de juntar, numa única figura, o sá&amp;shy;bio, o filósofo, o homem de le&amp;shy;tras (só me ocorre outro caso assim acabado, em dosagem dife&amp;shy;rente o de Goethe). Considerado um dos mais iminentes matemáticos do século 18, D'Alembert foi ainda autor de vários textos fundamentais para a compreensão das Luzes (o mais célebre é o "Discurso Preliminar da Enciclopédia", da qual ele foi um dos dire&amp;shy;tores). Alem disso, embora não se possa di&amp;shy;zer que sua prosa seja lépida ou vertiginosa como a de Voltaire, generosa e eloqüente como a de Rousseau, ou ágil e cheia de ver&amp;shy;ve como a de Diderot, os livros que escre&amp;shy;veu possuem inegável mérito literário, de resto já reconhecido pelos seus próprios contemporâneos.&lt;br /&gt;Ao percorrer o "Ensaio sobre os Elemen&amp;shy;tos de Filosofia" -recentemente publicado pela Editora da Unicamp, numa tradução que infelizmente não é boa- o leitor brasi&amp;shy;leiro poderá tirar proveito de todas estas múltiplas facetas. D'Alembert, o sábio, será logo identificado na facilidade do "Ensaio', para manejar os exemplos tomados à geo&amp;shy;metria (como poderia sê-lo nos capítulos sobre hidrostática e hidráulica, eliminados desta edição devido ao seu caráter demasiadamente técnico); o homem de letras transparece na escrita que corre solta e enxuta, e cujas maiores qualidades são a clareza e a discrição; e afinal, o filósofo -filósofo ilustrado revela sobretudo na maestria para reduzir a Filosofia aos seus elementos e colocá-los ao alcance de qualquer um ("O mérito de fazer noções verdadeiras e simples penetrar com facilidade nos espíritos é bem maior do que se pensa, pois a experiên&amp;shy;cia nos prova o quanto é raro.").&lt;br /&gt;O "Ensaio" apareceu pela primeira vez em 1759, no quarto volume dos "Mélanges de littérature, d'histoire et de philosophie" (não custa lembrar que, nesse ano, fora cas&amp;shy;sado o privilégio de impressão da "Enciclo&amp;shy;pédia" e que D'Alembert, talvez menos afeito que Diderot à dureza da militância cultural, se afastara do empreendimento em 1758). Penso que os ''elementos" do título podem ser lido, de duas maneiras ligeiramente diferentes e tanto uma quanto outra esclarecem a intenção e o espírito geral da obra.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, “elementos'' podem ser "noções rudimentares” que proporcio&amp;shy;nam, segundo o autor, nma ''exposição sumária" dos princípios e objetos de nossos conhecimentos. Tal característica aproxima o ''Ensaio'' e o ''Discurso Preliminar'', mas, ao mesmo tempo, permite distinguir os dois textos. O ''Discurso” , como se sabe, se divide em duas partes: na primeira, D’Alembert descreve os diferentes ramos do sa&amp;shy;ber, conforme um esquema emprestado a Bacon na segunda traça uma espécie de história intelectual da Europa, que começa no início do Renascimento e vem até o sé&amp;shy;culo18. O "Ensaio" reproduz este plano, invertendo-o, abre-se com um quadro da mesma história, extremamente sumário, mas que permite a caracterização do presen&amp;shy;te como o "Século da Filosofia", no qual "tudo foi discutido, analisado ou pelo me&amp;shy;nos agitado"; em seguida, passa ao seu pro&amp;shy;pósito principal, "de fixar e recolher os princípios de nossos conhecimentos certos, de apresentar sob um mesmo ponto de vista as verdades fundamentais, de reduzir os ob&amp;shy;jetos de cada ciência particular para percor&amp;shy;rê-los mais á vontade, em pontos principais e muito distintos''. Se o "Discurso" se de&amp;shy;bruça mais no quadro histórico, o "Ensaio" privilegia o momento epistemológico. Con&amp;shy;forme o próprio D'Alembert, no texto da "Enciclopédia'' só tinha sido possível lan&amp;shy;çar "uma olhadela rápida e geral” à cadeia do conhecimento; agora trata se de obser&amp;shy;var aquela ''distância justa  que permite considerar a árvore do saber sem sacrificar os galhos pelo tronco e vice-versa.&lt;br /&gt;Por um lado, a segunda acepção do do termo "elementos"-   que também pode ser tomado como "partes de um todo"-- per&amp;shy;mite compreender a concepção de saber com a qual lidam D'Alembert e os enciclo&amp;shy;pedistas. A natureza, diz o "Ensaio", é um grande enigma para nos, uma enorme cadeia da qual nosso espírito é incapaz de apreen&amp;shy;der todos os anéis. Consequentemente, é apenas por força de "tentativas" e ''des&amp;shy;vios" que conseguimos apreender cadeia das verdades ou, se recorrermos á metáfora preferida dos enciclopedistas, "que pode&amp;shy;mos agarrar seus galhos -alguns (...) unidos entre si, formando diferentes ramagens queterminam num mesmo ponto; outros isolados e como que flutuando, (e que) re&amp;shy;presentam as verdades que não se ligam a nenhum deles". Fosse de outro modo, continua D'Alembert, caso as verdades se exibissem sem nenhuma interrupção, tudo se reduziria a uma verdade única, da qual as outras seriam apenas diferentes traduções e, como conseqüência, não haveria elementos a descrever. Reconhecemos aqui o racionalismo cético das Luzes, que procura se preservar do dogmatismo e do ceticismo mediante a conjugação de dois princípios opos&amp;shy;tos e complementares: objetividade e relati&amp;shy;vidade. O primeiro expressa a convicção de que nossas idéias estão assentadas nas pró&amp;shy;prias coisas, cujo encadeamento obedece a uma unidade rigorosa; o segundo pressupõe o reconhecimento de que a cadeia se furta à finitude de nosso espírito, dando-se a ler de modo descontínuo e fragmentário.&lt;br /&gt;O mais importante corolário desta concepção de saber é a sua definição de principio. De fato, confome o "Ensaio", toda , ciência possui dois tipos de verdade: as que se encontram no ponto da cadeia em que muitos galhos se reúnem, quer dizer, as que são resultado de muitas outras verdades; e as que constituem o inicio dc cada parte da  cadeia, ou seja, os verdadeiros princípios.  Estes últimos não são axionmas verdades primeiras à partir das quias as demias podem ser deduzidas, segundo o modelo de conheecimento próprio do século 17. D’ Alembert assim os define: “Fatos simples e reconhecidos, que não pressupõem nenhum outro e que, consequentemente, não se podem nem explicar, nem contestar. Em Física, os  fenômenos cotidianos que a observação desvenda a todos os olhos; em Geometria, as propriedades sensíveis da extensão; em Mecânica, a inpenetrabilidade dos corpos, origem de sua ação mútua; em Metafísica, o resultado de nossas sensações; em Moral, as primeiras afecções, comuns a todos os homens”.  E conclui, fazendo mira em seu principal adversário, a metafísica tradicional: “A filosofia não está destinada  aperder-se nas propriedades gerais do ser e da substância, em perguntas inúteis sobre noções abstratas, em divisões e nomenclaturas eternas: ela é a ciência dos fatos ou a das quimeras”.&lt;br /&gt;A esta definição geral, segue-se a descri&amp;shy;ção dos vários ramos da filosofia. Em pri&amp;shy;meiro lugar, a lógica,  “seu frontispício e sua entrada"; em seguida, a Metafísica, cu&amp;shy;jo principal objeto é “a geração de nossas idéias'', mas que também se ocupa da ope&amp;shy;ração por meio da qual o espírito passa das sensações aos objetos exteriores e ainda das provas da existência de Deus (a exemplo do deísta Voltaire, aqui D'Alemhert pretende acertar a fração ateísta das Luzes); e afinal, a Moral, estudo daquilo que devemos aos nossos semelhantes. A estes objetos o 'En&amp;shy;saio  acrescenta ainda outros dois: os fatos históricos e os princípios do gosto.&lt;br /&gt;Seguindo o procedimento de um célebre editor de D`Alembert, a Editora da Unicamp publica, entremeados ao  Ensaio, os "Esclarecimentos sobre Diferentes Pontos nos Elementos de Filosofia”, escritos alguns anos depois em resposta às observações de Frederico 2º.  Essas páginas que retomam e examinam melhor o texto principal permitirão que o leitor entreveja as marcas de outro ideal da Ilustração, que às vezes deu os melhores resultados: o diálogo esclarecido entre o filósofo e o rei.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;FRANKLIN DE MATOS É professor do departamento de filosofia da USP&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-1384603032369533529?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/1384603032369533529/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2008/06/especial-4-segunda-feira-3-de-abril-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/1384603032369533529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/1384603032369533529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2008/06/especial-4-segunda-feira-3-de-abril-de.html' title=''/><author><name>Gilberto da Silva</name><uri>https://profiles.google.com/117445932376156786541</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-i_pZTV0YmOU/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAA5o/dFNMGlDLlWM/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-6067706327002262666</id><published>2008-06-11T20:34:00.002-07:00</published><updated>2008-06-11T20:35:30.891-07:00</updated><title type='text'>Benjamin</title><content type='html'>Um outro Benjamin&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A obra&lt;br /&gt;Fisiognomia Metrópole Moderna Representação da História  em  Walter Benjamin. de WiIIi Bolle. Ilustrações de Lena Bergstein. Edusp&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;JEANNE MARIE GAGNEBIN&lt;br /&gt;Especial para a Folha&lt;br /&gt;Alguns meses atrás, Marcelo Coelho se queixava, com toda ra&amp;shy;zão, nesta mesma Folha, de uma certa  “inflação de estudos sobre Walter Benjamin''; pedia um pou&amp;shy;co mais de parcimônia na citação de sua obra", Ora, temos agora no importante trabalho de Willi Bolle, “Fisiognomia da Metrópole Mo&amp;shy;derna",  mais um estudo sobre esse pensador judeu, alemão, marxista, teólogo e poeta que parece fasci&amp;shy;nar, justamente por sua pluralidade de rostos e de estilos, nosso fin-de-&amp;shy;siècle desorientado. Só que o tra&amp;shy;balho de Willi Bolle vai a contrapelo das apropriações apressadas e das citações complacentes; fará. sem dúvida, data na recepção de Benjamin no Brasil.&lt;br /&gt;Resultado de muitos anos de pesquisa -seu primeiro esboço se concretizou na tese de livre-docên&amp;shy;cia, “Tableaux Berlinois", defen&amp;shy;dida em 1984 na USP o livro propicia um exemplo daquilo que pode ser "echte Germanistik", um autêntico estudo de literatura ale&amp;shy;mã: reconstrói com paciência e cla&amp;shy;reza a emaranhada história da re&amp;shy;cepção dos textos de Benjamin, em particular do “Passagen-Werk", essa famosa obra incompleta, trun&amp;shy;cada, “censurada", desenterra nu&amp;shy;merosos textos desconhecidos de Walter Benjamin, que têm o gran&amp;shy;de mérito de chacoalhar o clichê (muitas vezes uma projeção narcí&amp;shy;sica nossa) de um autor desencan&amp;shy;tado, pessimista, supremamente melancólico. Penso nos textos ra&amp;shy;diofônicos para crianças ou para “grande público" que revelam um Benjamin lúcido, irônico, cheio de humor e de ternura, um Benjanim mais próximo que nunca de seu amigo Brecht.&lt;br /&gt;Graças a um grande cuidado de contextualização histórica, ao co&amp;shy;nhecimento da linguagem político-cultural em vigor na República de Weimar, o livro de BolIe propõe, igualmente, uma interpretação muito fina e crítica de algumas ca&amp;shy;tegorias benjaminianas que se tor&amp;shy;naram quase chavões: por exem&amp;shy;pIo, a análise da figura de flâneur, na sua ambigüidade essencial de oponente aos ritmos capitalistas de produção e, simultaneamente. de ''Mitläufer'', aquele que ''anda junto'' no meio da multidão, prefiguração do “oportunista anônimo'' que se integrará perfeitamen&amp;shy;te nas grandes coreografias de massa do fascismo, Todos esses elementos são amparados por uma vasta informação, cujo grande mé&amp;shy;rito é de saber aliar erudição e leveza, oferecendo ao leitor pistas seguras de investigação e de discussão, além da longa e instrutiva bibliografia que encerra o volume.&lt;br /&gt;Todas essas qualidades “acadêmicas'' ou '“científicas” são sustentadas por uma  dupla hipótese de interpretação que torna tanto as análises de BolIe como os textos estudados de Benjamim surpren&amp;shy;dentemente políticos, claramente "engajados". Essa hipótese poderia ser descrita da seguinte manei&amp;shy;ra: os textos de Benjamim sobre a modernidade, em particular sobre a ''fisiognomia' (uma categoria cu&amp;shy;ja história, desde suas origens em Lavater, passando por Goethe e até os Surrealistas, é reconstruída na Introdução) das grandes cidades modernas nunca são meras descri&amp;shy;ções históricas ou historicistas, mas deveriam sempre ajudar numa leitura crítica não só do passado (a Paris do Século 19), mas também do presente: do presente de Benja&amp;shy;nim. Isto é, da época conturbada da passagem  da República de Wei&amp;shy;mar para o “Terceiro Reich”, mas, igualmente, do presente de um au&amp;shy;tor posterior a Benjamin, vivendo a dramática explosão das grandes cidades do Terceiro Mundo. Assim, BolIe interroga os textos de Benja&amp;shy;mm não só sobre aquilo que dizem de maneira explícita, mas também sobre aquilo que "revelam", se&amp;shy;gundo a metáfora benjaminiana oriunda da técnica fotográfica. Tra&amp;shy;ta-se de uma denúncia da ascensão, contemporânea à vida de Benjamim, do nazismo e, igualmente, das falhas de várias tendências políti&amp;shy;cas ou intelectuais de esquerda; com mais ousadia teórica, trata-se, também, daquilo que esses ensaios poderiam nos revelar sobre o futu&amp;shy;ro, desconhecido por Benjamin, mas sempre tematizado por BolIe, das megalópoles da "periferia".&lt;br /&gt;Essa hipótese de leitura orienta a feitura desse livro cuja organização não deixa, aliás, de lembrar mime&amp;shy;ticamente  seu próprio tema: a grande cidade moderna em sua pulsação incessante, mas também, às vezes, na sua proliferaçâo arbi&amp;shy;trária e na sua fascinante confusão. As três partes do livro mesclam, intencionalmente, duas temáticas e duas perspectivas. Duas perspecti&amp;shy;vas: o olhar crítico de Benjamin sobre seu próprio presente político através de seus diversos estudos, tratem eles da Paris do Século 19, do drama barroco do Século 17 ou da literatura contemporânea; e o olhar paralelo sobre o período cor&amp;shy;respondente no Brasil, notadamen&amp;shy;te através do Modernismo, em particular Mário de An&amp;shy;drade e Gui&amp;shy;marães Rosa. Duas temáti&amp;shy;cas: o desen&amp;shy;volvimento da cidade moderna através dos vários escritos sobre cidades, de Benjamin: aqui não pare&amp;shy;ce haver uma reflexão cor&amp;shy;respondente deste lado do oceano -ou melhor: talvez o livro de Bolle pre&amp;shy;tenda suprir essa falha: e a histo&amp;shy;riografia da modernidade, notadamente nas suas oposições centro-periferia (a partir do tema da via&amp;shy;gem de navio num poema de Bau&amp;shy;delaire e no "Macunaíma" e ar&amp;shy;caico-moderno (a partir dos surrea&amp;shy;listas franceses, em particular o "Paysan de Paris" de Aragon e de “Grande Sertão: Veredas").&lt;br /&gt;Ora, as principais reservas que poderíamos enunciar em relação a este livro dizem respeito a esse projeto teórico, ambicioso e gene&amp;shy;roso, mas talvez um pouco ''forçado”.  Pois es&amp;shy;ses numerosos paralelos parecem fornecer muito mais elementos instigantes para um estudo de literatura com&amp;shy;parada entre o Modernismo brasileiro e a reflexão benjaminiana sobre a Modernidade que realmente compor o quadro de uma te&amp;shy;oria historiográfica.  O pró&amp;shy;prio autor, aliás, assume reiteradas vezes, o caráter ''comparativo'' de seu trabalho, - em outra ocasião, também o define, com bastante clareza, como sendo "um ensaio” que ''se situa no campo interme&amp;shy;diário entre as histónas da literatura e da cultura -das quais se dis&amp;shy;tingue pelo seu caráter monográfico e, por outro lado. as biografias sobre Benjamin, das quais se diferencia pelo enfoque de deter&amp;shy;minadas forças históricas e ques&amp;shy;tões do imaginário social”&lt;br /&gt;Nossa pergunta maior a esse livro será, portanto, a seguinte: será que esse emprendimento permite, realmente, elaborar um conceito mais consistente de historiografia? A fidelidade de BolIe à reflexão benjaminiana sobre as ligações en&amp;shy;tre história literária e história do&amp;shy;minante, à sua ''desconstrução'' de alguns monstros sagrados e sacralizados como Goethe ou Baude&amp;shy;laire, à suas investigações do ima&amp;shy;ginário social e de suas formas fan&amp;shy;tasmagóricas como indícios de de&amp;shy;sejos coletivos, ideológicos ou utó&amp;shy;picos, essa fidelidade profundamente simpática, aí aliás, precisaria ser mais que reafirmada para garantir o êxito de um projeto teórico bastante ambicioso, o pro&amp;shy;jeto de uma historiografia da mo&amp;shy;dernidade a partir da perspectiva privilegiada dos (ainda) "venci&amp;shy;dos". Assim, o trabalho de BolIe me parece muito mais convincente nas suas análises históricas do con&amp;shy;texto de produção da obra benja&amp;shy;miniana (a excelente segunda par&amp;shy;te) que nas tentativas de encontrar em Benjamin um modelo historiográfico, válido também para nós. A problemática de uma nova histo&amp;shy;riografia. de uma outra escrita da história (e, portanto. de uma outra história é, sem dúvida nenhuma, “absolutamente essencial na obra de Benjanim, desde o livro sobre o drama barroco até as famosas teses póstumas "Sobre o Conceito de História''.&lt;br /&gt;Mas ela me parece -e aqui to&amp;shy;mo a liberdade de iniciar uma dis&amp;shy;cussão talvez de "especialistas" com meu amigo Willi BolIe- muito mais se desenvolver através da experimentação de novos cami&amp;shy;nhos de escrita (montagem, ima&amp;shy;gens dialéticas, fragmentos, trata&amp;shy;dos quase medievais, como o prefácio ao livro sobre o drama barro&amp;shy;co), ou, igualmente. através da rea&amp;shy;bilitação de conceitos por assim dizer renegados pela tradição do&amp;shy;minante (alegoria, tradução, mo&amp;shy;dernidade, barroco. reprodução técnica). Essa preocupação com a historiografia, se ela é, sim, essen&amp;shy;cial. não desemboca, porém (diria eu!), numa proposta historiográfica acabada; e isso não só porque Ben&amp;shy;jamin não o tivesse conseguido, apesar das "cobranças" de seus mais diversos amigos, de Brecht a Scholem passando por Adorno. Mas por uma escolha de sobrieda&amp;shy;de e de lucidez teóricas: perdidos que estamos nos atalhos de uma historiografia "marxista" triunfalista ou "burguesa" pretensamente universal, devemos, primeiro, ajus&amp;shy;tar contas com as tentações de tota&amp;shy;lização apressada que esses modelos&amp;shy;  configuram; e isso antes de propor outros modelos, outras tota&amp;shy;lizações. Por isso temos tantas oscilações em Benjamin (será ele teólogo? marxista? marxista-teóIo&amp;shy;go?), tantas citações acumuladas que parecem não levar a nada (como os inúmeros fragmentos do "Passagen-Werk"), também tantas ''iluminações'' súbitas, mas sempre, não é por acaso no tama&amp;shy;nho menor de uma imagem dialéti&amp;shy;ca, da percepção rápida de semehanças privilegiadas, de imagens de pensamento (Denkbilder) encer&amp;shy;radas em si mesmas como as mônadas sem janelas de Leibniz. Os&amp;shy;cilações, acúmulo, iluminações e imagens que nos encantam, certamente, mas também nos impacientam  pois estamos (como Adorno, como Brecht, como Scholem!) ansiosos por modelos maiores e coerentes que nos livrariam, mesmo que provisoriamente, da nossa desorientação tão teórica como prática. Assim, gostaríamos de deduzir da obra de Benjamin regras para uma 'história dos vencidos" (quando só falou da "tradição" -descontinua, interrompida, recalcada- "dos oprimidos") ou mesmo regras de uma "historiografia alegórica", uma expressão, que salvo engano não se encontra em Benjamin.&lt;br /&gt;Gostaria de ressaltar, no pensamento de Benjanim, esses momentos não de indecisão (como muitos de seus contemporâneos, Benjamin enfatizou, várias vezes, os riscos e a necessidade da "decisão" política e ética), mas, melhor, do que poderia ser chamado de irresolução assumida, pois apressar uma  resolução significa, na maioria das vezes, mais contentar a vaidade do ''sujeito'' que estar realmente. atento aos "objetos". Essa atenção paciente, Benjanim  sempre a reivindicou como uma das tarefas maiores do pensamento. Ela orien&amp;shy;ta muitas das belas análises históri&amp;shy;cas, filológicas, literárias, "fisiog&amp;shy;nômicas" de Willi BolIe. Às ve&amp;shy;zes, porém, ela tende a desaparecer nos bastidores do texto, talvez por&amp;shy;que esse livro generoso também coloca em cena um drama ainda mais cruel que o barroco: o drama que se vive no palco das grandes cidades, ao mesmo tempo miserá&amp;shy;veis, belas e monstruosas, do nosso "Terceiro" Mundo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;JEANNE MARIE GAGNEBIN e professora de filosofia na unicamp e na PUC/SP. Autora de"Walter Benjamin Os Cacos da História" (Brasi&amp;shy;liense) e de "Histoire et narration chez Walter Benjamin" Ed de l'Harmattsn. Paris&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-6067706327002262666?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/6067706327002262666/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2008/06/benjamin.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/6067706327002262666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/6067706327002262666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2008/06/benjamin.html' title='Benjamin'/><author><name>Gilberto da Silva</name><uri>https://profiles.google.com/117445932376156786541</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-i_pZTV0YmOU/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAA5o/dFNMGlDLlWM/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3697996180329524599.post-5555128270434609928</id><published>2008-06-11T20:34:00.001-07:00</published><updated>2008-06-11T20:34:52.735-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Domingo, 23 de abril de 1995   5- 11 Folha de São Paulo&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Hegel filosofa sobre a essência da caneta&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;OLGÂRIA CHAIM FÉRES MATOS&lt;br /&gt;Especial para a Folha&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em  “Como o Senso Comum Compreende a Filosofia”, um es&amp;shy;crito de juventude, Hegel se pro&amp;shy;põe responder a seu contemporâneo Krug, representante emblemá&amp;shy;tico do  senso comum filosófico". Propõe-se em termos, pois consi&amp;shy;dera seu contendor - que sucede Kant na Universidade de Konigs&amp;shy;berg -o próprio 'non sense' rea&amp;shy;lista.&lt;br /&gt;O interlocutor, à primeira vista, é inocente: manifesta perplexidade frente às filosofias do idealismo transcendental, em particular as de Schelling, Hegel e Fichte, dando a entender que o Criticismo não pas&amp;shy;sa de esquizofrenia da Razão) quan&amp;shy;do diferencia Eu empírico e Eu transcendental&lt;br /&gt;Eis o que inviabilizaria explicar as  “simples coisas'', aquelas dadas, ou melhor, pré-dadas: ingênuo em seu naturalismo, Krug adere existência de seres e objetos, igno&amp;shy;ra a consciência que lhes confere existência e inteligibilidade. Eis por que solicita a Hegel deduzir, se puder, das alturas do Transcendental, a pena de escrever ver de sua caneta, tão óbvia quanto útil para aque&amp;shy;le que escreve. Má-fé principial, observaria Hegel. já que está de antemão convencido de que “nenhum idealismo do mundo faria ao menos a tentativa disso''.&lt;br /&gt;Essa consciência empírica abrange  “tanto os gatos quanto  a pena de escrever do Sr. Krug” e, se fosse a única maneira do estar-no-mundo. “teria o poder de transformar o público totalmente inculto em público filosófico''. Tarefa desde logo irrealizável, pois toda filosofia é, a seu modo. Transcendental e Crítica, procurando a gênese e o modo de produção do co&amp;shy;nhecimento das coisas  'que são enquanto são, das que não são porque não são".&lt;br /&gt;Xenófanes, o eleata, partia do conceito de Ser para desmitologi&amp;shy;zar as forças naturais; Platão construiu a Teoria das Idéias, revisitada, em seguida, por seu discípulo Aristóteles. No mundo moderno, Descartes converte o dogmatismo escolástico em mera opinião, dis&amp;shy;tante da evidência do verdadeira e da incoerência do falso. Leibniz, criticou o empirismo, Kant a Leibniz e Hume, Hegel a Kant, Marx a Hegel. Em sentido transcendental, bem entendido.&lt;br /&gt;Krug e sua caneta significam mais e menos do que pretendem. Menos: a interrogação disfarça-se em diálogo, pois formula, ao mes&amp;shy;mo tempo, a questão e a resposta. Mais: a pena da caneta não com&amp;shy;porta dedução transcendental dado seu pressuposto tácito: a cisão en&amp;shy;tre natureza (e seus objetos concretos) e o espírito (as produções dotadas de sentido no mundo da cultura).&lt;br /&gt;A interrogação de Krug parte da caneta solipsista, isolada em seu particularismo contingente. E co&amp;shy;nhecido o nome atribuído por He&amp;shy;gel à imediatez abstrata, atitude própria a Krug: "impotência da Natureza". Impotência, pois: a que finitiza o infinito, absolutiza o con&amp;shy;tingente. separa o singular do uni&amp;shy;versal, o eu e seu outro: "se o Sr. Krug tivesse a menor noção (...) daquilo que é em geral e no pre&amp;shy;sente momento o interesse da filo&amp;shy;sofia (...), a saber, recolocar Deus absolutamente no topo da filosofia como o único princípio essendi e cognosendi, depois de tê-lo posto, por tempo demais, ao lado de ou&amp;shy;tras finitudes, se tivesse a menor suspeita disso, como lhe poderia passar pela cabeça exigir do idea&amp;shy;lismo transcendental a dedução de sua pena de escrever?".&lt;br /&gt;Para compreender a natureza do Absoluto, seria recomendável re&amp;shy;fletir acerca da essência dos seres da natureza e das manifestações do Espírito do Mundo (as persona&amp;shy;gens e os acontecimentos históri&amp;shy;'factuais'', “fortuitos''). Sem o que está vedado ao Sr. Krug alcançar o movimento interno neces&amp;shy;sário ao advento do “dia espiritual do Presente''.&lt;br /&gt;E próprio “consciência da ''cer&amp;shy;teza sensível'', psicológica descon&amp;shy;certar-se com o ponto de partida fi&amp;shy;losófico: "a matemática, a física e o idealismo", observa Hegel, "ao se perguntarem o que se tem de pensar, não se voltam para essa consciência empírica freqüentada por cachorros e gatos e pela pena de escrever do Sr. Krug". Por desconhecer o coeficiente mínimo da Vida do Espírito, Hegel sugere a Krug "deixar de exigir a dedução de sua pena de escrever, bem como de se preocupar com o idealismo".&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não vivemos no universo das blosse Sachen. Simples coisas já constituem uma identidade, embora parcial, com o Absoluto seus existentes periféricos. O saber transcendental não é sobrevôo ou imanência. E coesão no afastamento, coincidência divergente-pensamento. Pois deve sempre haver ação da inteligência na qual o limite parece contigente, sem funda&amp;shy;mento,  “tanto para o Eu quanto para a coisa".&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A "pena da caneta" não foi, para Hegel, uma simples questão. Fa&amp;shy;voreceu interrogações sobre a me&amp;shy;tafísica dualista, aquela que separa causalidade e liberdade, determi&amp;shy;nismo e livre-arbítrio, contingência e necessidade. O que solicitou a dialética mediadora das essências e das aparências, para mostrar de que maneira a razão do aparecer é a mesma do desaparecer. A dialética não é um ponto de vista a mais sobre as coisas. Para Hegel, consiste na tentativa de ultrapasar a arbitrariedade dos pontos de vista, ao explicitar a contingência do, ser contingente, ancorando-a na exterioridade da natureza e na negativi&amp;shy;dade do finito individual.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O contingente se faz valer reino do Espírito na transformnação' de sua contingência em necessida&amp;shy;de imanente da criação: "enquanto a natureza se desperdiça em múlti&amp;shy;plas espécies de 'papagaios' e 'Ve&amp;shy;rônicas' que a ilustram com indife&amp;shy;rença, a obra espiritual cintila para sempre com o brilho que lhe con&amp;shy;fere o Espírito que nela aparece" (posfácio de Jean-Marie Lardic).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Krug pressentiu, de alguma for&amp;shy;ma, que o Absoluto não fora pro&amp;shy;vado. Nem o será. Pois o Espírito anexa a Natureza na identidade do entrar-em-si e sair-de-si que é a dialética. Esta sede de Absoluto é hybris da filosofia transcendental.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;OLGÁRIA CHAIM FÉRES MATOS é professora  de  filosofia  na USP. Autora de "Os Arcanos do Inteiramente Outro" (Brasiliense)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A OBRAComo  o  Senso  Co&amp;shy;mum Compreende a Filosofia, de Hegel, seguido  de  A Contingên&amp;shy;cia em He&amp;shy;gel, de Jean-Marie Lardic. Tradução de Eloisa Araújo Ribeiro. Paz  e Terra (r. do Triunfo, 177, São Paulo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-5555128270434609928?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/5555128270434609928/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2008/06/domingo-23-de-abril-de-1995-5-11-folha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/5555128270434609928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/5555128270434609928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2008/06/domingo-23-de-abril-de-1995-5-11-folha.html' 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type='html'>Livre pensar é o primeiro passo da nossa caminhada.&lt;br /&gt;Deixar que o dáimon invada nossa alma e diante desta tempestade refletir.&lt;br /&gt;Está, por hoje, em poucas palavras, lançado o desafio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3697996180329524599-6550190597778206042?l=nossodaimon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossodaimon.blogspot.com/feeds/6550190597778206042/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nossodaimon.blogspot.com/2008/06/o-primeiro-passo-o-livre-pensar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3697996180329524599/posts/default/6550190597778206042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' 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